Os Dez Mandamentos do Homem Perfeito no Sexo (E mais 2 de bônus!)

25/11/2009 por Fabio Hernandez

OS DOS E DON’TS DA NOVA ETIQUETA SEXUAL

1) Faça tudo para satisfazê-la na cama. Não economize nada. Mas, se apenas um tiver que chegar ao êxtase, que seja você.

2) Se sua língua encontrar um piercing íntimo, cuidado para não retirá-lo sem querer.

3) No tapete, é melhor que na areia. Na cama, melhor que no tapete.

4) Na dúvida sobre o nome, cale-se.

5) Não grite como se estivesse na arquibancada.

6) Tampouco sussurre como se estivesse num confessionário.

7) Evite cantar no pós-coito a não ser que tenha certeza de sua afinação e bom gosto musical.

8  ) Jamais perguntar se foi bom porque é uma prova de que não foi, ou você teria percebido.

9) Nunca conversar, mesmo que ela fale na previsão meteorológica. Nestes casos, beijar não para acendê-la e sim para calá-la.

10) Se falhar, não disserte e nem explique.  Vista-se com honra e dê um pulo na farmácia.

11) Jamais explicar o significado de sua tatuagem em chinês e nem perguntar o da dela, caso ela tenha.

12) Se ela não disser que é grande, não pergunte e nem deduza daí que é menor que o dos outros.


Que você acha da cientista que foi garota de programa para pagar seus estudos?

24/11/2009 por Fabio Hernandez

A cientista que foi, deu e venceu, numa foto publicada no The Guardian

 

QUE FAZ UMA cientista jovem e bonita em busca de um doutorado caro demais para ela? A resposta para Brooke Magnanti foi: programas de 300 libras a hora. Brooke Magnanti, que é sósia de Nadja no esplendor de fêmea libidinosamente loura, conseguiu com o fruto de seu trabalho o dinheiro necessário.

Foi, deu, venceu.

Seu caso tem despertado discussões apaixonadas mundo afora.

Minha questão: você acha o método de Brooke digno de aplausos, vaias, ou o quê?

O que você sente ao ver essa imagem?

23/11/2009 por Fabio Hernandez

Jeff Koons, célebre artista contemporâneo, com sua ex-mulher, Cicciolina

É UM DOS MAIORES nomes da arte moderna, Jeff Koons.  Um dos artistas mais bem pagos do mundo, e tão extragavante que foi casado com uma atriz de cinema pornô, Cicciolina, que nos anos 90 tinha uma beleza loura e agressiva de fazer bispo olhar para trás e chutar poste. Os dois estão ali em cima unidos para sempre, embora na vida real já se tenham separado. (Vou colocar no pé deste texto outra obra de Koons de que gosto, um Popeye. Viajo no tempo quando vejo o marinheiro Popeye.)

A discussão que vamos travar agora junta arte e sexo.

A pergunta: que sentimento toma você ao ver uma imagem daquelas ali de cima?

A mulher prefere ser vista ou ouvida?

22/11/2009 por Fabio Hernandez

Obra de Mel Ramos, um dos grandes da Pop Art

A VIBRANTE DISCUSSÃO travada neste blogue, no texto anterior, me levou a abrir um fórum. Citei uma personagem de Milan Kundera, uma mulher que, habituada a ser admirada e objeto de assovios para onde quer que transportasse sua graça petulante de fêmea, entra em desespero quando os homens na rua, antes tão fascinados, ficam indiferentes a ela.

Tio Fabio, falecido homem sábio do interior, dizia que o poema mais sublime escrito pelo poeta mais inspirado não se compara, como homenagem, a um simples ‘gostosa’ que chega repentina e espontaneamente ao ouvido enfeitado por um brinco de uma mulher numa caminhada urbana, rural ou até aquática.

A eletrizante questão que emergiu do debate: a mulher prefere ser vista ou ouvida? Admirada pela beleza interior, como a pintora mexicana Frida Kahlo, lá para baixo num auto-retrato, ou, como a mulher desta da obra de Mel Ramos, um gênio de quem tenho um livro da Taschen com seu traço soberbo, pela beleza exterior?

O ideal é uma terceira alternativa. Já estou ouvindo gritos de mulheres dizendo: “Fabio, queremos ser reconhecidas interior e exteriormente.’ Eu também, se isso consola. Mas o mundo, infelizmente, não é perfeito.

Importante: beleza interior captura muitos homens. Com seu bigode e sobrancelha de Monteiro Lobato, Frida conquistou alguns dos homens mas interessantes de sua época, como Rivera, o muralista revolucionário, e Trótski, o chefe comunista que perdeu a disputa pelo poder para Stálin e foi parar no México, onde foi assassinado a mando dele, Stálin.

Posto isso, o que diz mais para uma mulher: admirarem suas frases espirituosas ou suas curvas de fazer bispo olhar para trás e chutar poste? Ou isto ou aquilo, para lembrar um poema sábio e simples de Cecília Meireles.

Eis o poema:

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo

Bem, estou aqui na arquibancada, com a camisa do Corinthians, pronto para ver o espetáculo imperdível das discussões entre fêmeas opiniáticas, dispersivas, surpreendentes, variadas — e brilhantes.

Ou isto ou aquilo?

“Ninguém olha mais para mim e estou desesperada”

21/11/2009 por Fabio Hernandez

Lucretia,  de A-lad-Insane

LEMBRO DE UM LIVRO DE MILAN KUNDERA. O título me foge e, para ser sincero, o enredo também. Mas uma passagem que jamais me saiu da cabeça. É a dor de uma mulher que sempre fora atraente e provocadora no dia em que, pela primeira vez, um grupo de homens que sempre assoviavam quando ela passava fica em silêncio indiferente. O choque de perceber que deixara de ser uma mulher que fazia os homens olharem para trás. E que não havia nada capaz de mudar isso. Sempre existe esta hora em que nosso mundo desmorona. A única escolha que temos é aceitar ou nos revoltarmos. E me pergunto se há coisa mais fascinante para uma mulher do que atrair assovios de homens na rua. Talvez, imagino, muitas não se dêem conta do tamanho dessa homenagem masculina às vezes tosca e grosseira. E só percebam a grandeza do tributo no dia em que o silêncio visceral substitui o frêmito excitado, como a desolada personagem de Kundera.

“Parece que o macho sente o cheiro da fêmea com outro”

20/11/2009 por Fabio Hernandez

Amigas, de Gustave  Klimt, um de meus artistas favoritos

NÃO TIVE COMO não trazer para cá, nossa Quadra Central, como diz meu primo Minhoca, essa carta, com uma pequena edição para evitar constrangimentos. É a Srta O, e o curioso é que, para mim, num gesto de franqueza e cortante sinceridade, ela revelou o nome real. Que, inacredivelmente, é o mesmo da rival, Srta T, elas que travam uma batalha interminável por R. (A quem chegou agora à história, sugiro a leitura de dois textos deste blogue que tratam dessa novela amorosa.) Acho que agora está claro o cenário. Tenho minha visão formada, que passei pessoalmente a O. Vamos ver a da nossa turma, se bate com a minha. (Vanessa, que tinha desistido de comentar depois de uma ‘chapuletada’ minha, para usar uma expressão divertida dela num email pessoal, está convocada a se juntar ao grupo de análise.)

A carta:

Minha versão. Conforme R  contou, adicionei-o no orkut em 2004, quando estava em vias de terminar meu primeiro namoro. Logo que adicionei R, recebi a resposta quase que instantaneamente e engatamos uma conversa. Ele estava em férias na cidade, e combinamos para o dia seguinte um encontro. Lá, ficamos. Ele voltou pra cidade na qual estava morando e nos comunicávamos via e-mail. Enfim, até aí, tudo perfeito.

A partir do instante que nos encontramos e ele falou que havia retomado o namoro com a ex, meu mundo caiu. Estava completamente apaixonada por ele; um sujeito mais velho do que eu 10 anos, tímido, bem humorado e muito inteligente. O meu tipo. Resolvi, com a fúria de uma leoa por sua presa, aceitar a situação com a esperança resignada de tê-lo um dia só pra mim. (Inocente esperança,) Só que foram passando meses, anos. Nos encontrávamos toda as vezes que ele vinha passar o final e semana aqui, de 15 em 15 dias, uma vez por mês. Havia vezes em que ele me chamava para voltar com ele para a cidade para que ia viajar, de tão apaixonado.

Eu ficava aqui, à espera dele. Não sentia vontade alguma de conhecer outra pessoa. Até um dia que ele me chega com outra bomba: ele havia marcado a data para se casar com a namorada (se eu lhe disser que o nome dela é o meu, você acreditaria? É fato.). Seria dali a cerca de 5 meses. Meu mundo desabou mais uma vez. A partir daquele momento, entrei em um trabalho mental para esquecê-lo. Não havia mais chance, pensava. Ele vai estar casado no final desse ano, perdi. Mas ele não conseguia se desvincular de mim. Nem minha cabeça dele. Só que eu não podia conviver com isso. E então falava pra ele que, se ele casasse, ele podia esquecer que eu existia, pois casamento pra mim é coisa séria demais. Até que faltando um mês para o casamento, ele desmarca tudo. Todos com a roupa comprada, passagem reservada. Foi o caos. Sö lembro de ele me ligar no dia, com uma voz embargada e me dizer: não vai ter mais. Desmarquei o casamento. Só liguei pra te contar.

Foi a melhor coisa da minha vida ouvir aquilo. dava pulos de 2 metros do chão.

Mas, por incrível que pareça, eles desmarcaram a data, mas continuaram a namorar. A causa  eu nunca soube. Ao longo desses 6 anos de namoro, eles estiveram em vias de término mais de 10 vezes. Todas começadas por ele. Mas a namorada jamais desistiu de lutar por ele. Terminada a residência dele na outra cidade, fez um concurso para a nossa cidade e passou. A namorada dele tb fez e passou. Ele veio pra cá primeiro, ficávamos feito namorados, íamos a restaurantes, cinema, passear de mãos dadas. Qualquer lugar era uma oportunidade para escancararmos nosso amor. Só que depois veio ela. E desde então, passou a ser insuportável para mim beijar uma boca que já havia sido beijada por ela ontem, por exemplo. Encontrar amigos dele na rua me confundindo com ela (nomes idênticos, mesmos lugares, mesmo tipo físico.) Até que não teve mais jeito.

Terminei com R.

Logo em seguida, conheci um sujeito na faculdade que me despertou a atenção – era descomplicado em relação a minha relação com R. Ficamos poucas vezes e logo começamos a namorar.

Parece que o macho sente o cheiro da fêmea com outro.
R começara a me ligar diversas vezes depois de duas semanas da minha ausência. Tinha saudades, queria me ver, me escrevia cartas, deixava na minha caixa de correio, no email, tudo.  Eu não resistia a atender as ligações de R, pois o que ele me falava era tudo o que eu queria ouvir em todo esse tempo de espera. Mas jamais traí meu namorado nesse tempo.

Meu namorado, ciumento obsessivo, com a mesma profissão de R e sua namorada, ao saber do interesse de R por mim, tratou de descobrir o telefone de T.  Revelou a ela que R  estava me procurando. Foi uma briga homérica. Meses depois, descobri que meu namorado tinha um transtorno de personalidade que me deixou doente. Ele era sociopata e, em poucos meses, destruiu minha vida com seus ataques repentinos de ciúmes de R e qualquer um que ele imaginasse existir. Estava completamente fraca, perdida. Aos poucos, retomei minhas conversas com R, ele sabia dos surtos do meu ex e era com ele que sempre me abria. A partir do momento que falei a R que estava solteira, ele pirou.

Marcamos um encontro e demoramos a ficar novamente. Eu queria reestabelecer minha vida e não queria mais voltar a R antigo; queria um namoro normal. Ele prometeu tentar. Mas em vão. Já se foi mais de um ano depois dessa promessa, e nunca namoramos só nós 2: eu e R. Então, acho que com toda razão, terminei com R mais uma vez. Estou sozinha, Fabio. Não tenho sentido necessidade de ter R, de desejar loucamente beijá-lo, sabe? Acho que de tão calejada eu simplesmente parei de sentir. Hoje, nos resumimos a conversas pela MSN.

Mas posso te revelar que o que sinto por R foi o maior amor que existiu em meu peito.”
E assim se encerra a versão de O, mas não a história enrolada e complexa que ela vive com R e, indiretamente, T. Ambas com tipos físicos semelhantes, ambas com o mesmo nome, ambas controladas emocionalmente e sexualmente por um homem que não é malvado, mas sedutor e confuso amorosamente. Termino com um quadro de mais um artista de que gosto, também ele austríaco à maneira de Klimt: Egon Schielle. Na mulher melancólica de Schielle vejo, não sei por que, O.

“Não ponham piercing onde eu coloquei: na vagina”

18/11/2009 por Fabio Hernandez

Essa carta merece atenção especial. Mais uma vez, um email fajuto para repartir conosco um drama real. Peço um pouco mais de calma nas análises. É uma jovem mulher que se anunciou como  Senhorita P, jornalista de Lisboa, a agora cosmopolita e vibrante capital de Portugal. Fiz uma ligeira edição, tentando basicamente trazer o português de Portugal para o do Brasil sem no entanto desfigurar o gracioso estilo original da Senhorita P, e espero ter sido mais competente nisso do que na vez anterior. Ali, tropeçando em letras,  troquei o fastio pós-coito de RR, nosso amigo que, na dúvida entre duas namoradas, optou por ambas e se estrepou, e agora está recebendo conselhos deste grupo, conforme se pode ver em textos anteriores. A Senhorita P  agora com a voz, que imagino dotada do bonito, marcante, lendário acento português, que me fala forte porque remete a Maria José, portuguesinha do Porto que passou um semestre em minha escola, num intercâmbio, e várias estações em meu coração:

Mulheres: não cometam o meu erro.  O facto é que escorreguei por ingenuidade e agora pago o preço. Ouvi numa roda casual feminina, numa festa, uma rapariga dizer que estava tendo orgasmos enquanto andava. Deus, eu jamais tinha conseguido um orgasmo com penetração, e olhem que não foi por falta de tentativas,  apenas por estímulo no clitóris, e alguém chegava ao paraíso simplesmente caminhando? Sou repórter de uma revista, e a curiosidade me fez abordar, na primeira oportunidade, a felizarda, que levava nos braços uma mala Prada berrante.

A rapariga, ligeiramente enfrascada de vodca, me olhou com um certo ar de superioridade, algum desdém, quando lhe perguntei se podia explicar direito o orgasmo andante. Mas não tive que insistir. Como todas as criaturas vaidosas e arrebitadas, ela estava ávida por falar de si mesma. Não contei a ela minhas dificuldades para alcançar o climax amoroso, ou ela se daria ares superiores de Cristiano Ronaldo, o Nojento.  Ela parou de falar somente quanto tocou seu telemóvel, um Blackberry como o meu. Mulheres como ela atraem como magnetos homens que colecionam mulheres.  “O segredo é um piercing na cona”, ela disse. “Quando ando, o piercing mexe no clitóris e fico tão excitada que parece que uma tempestade desabou sobre mim bem ali. Minha cueca fica encharcada.” Ela me contou que uma vez, chamada pelo chefe na multinacional holandesa em que trabalha, ‘orgasmou’ no trajeto, e teve que ir antes ao banheiro. O resto do relato da rapariga é desnecessário. Ela garantiu que sentia excitação praticamente todo instante, mesmo quando, nos almoços de domingo na casa da mãe, o pai antes da comida pedia a todos que orassem..

Inocente que sou, apesar de repórter, assim que cheguei em casa fui pesquisar sobre o adereço milagroso. Descobri, no centro da cidade, perto do Bica do Sapato, onde almoço quando o jornal paga a conta,  uma casa que me pareceu fish. Apenas mulheres trabalhavam lá, e foi um fato crucial em minha escolha. Não gostaria que um homem que nunca vi mexesse em minha área privativa .  Mesmo em 2009 há quem, como eu, conheça o significado do pudor. Sim, mesmo sendo jornalista, enrubesço.  Quem me atendeu se apresentou como Adélia, morena de Algarve, soube depois, 27 anos, single mother, uma vez que o namorado a engravidou e largou e ela quis a criança. Tinha uma chávena de café nas mãos,  e disse que a moda do piercing íntimo tinha conquistado as raparigas de Lisboa . “Não viu que as mulheres aqui parecem mais satisfeitas, rindo sem motivo na rua?” Não entendi se era fato ou piada, confesso, Sr. Hernandez.

Ela me disse que havia diversas espécies de piercing íntimo, e me sugeriu um que me traria, celeremente, os resultados desejados, não exatamente nos lábios inferiores, mas perto, numa região menos sensível. Doeria menos, ela informou. Topei.  Com o carinho possível, Amália fez o que tinha que fazer. A dor que senti ali naquele momento, me faltam palavras para contá-la, Sr. Hernandez. Sabe quando seu dedo fica preso na porta de uma carrinha? Era essa espécie de dor.

Com o passar dos dias, a dor em vez de ceder piorou. Procurei minha ginecologista, que me deu uma bronca assim que ouviu a história. Ela me contou que tinha atendido muitos casos semelhantes, e afirmou que era uma das piores modas que tinha visto. Perigosa e cruel como um cossaco russo, como o senhor gosta de escrever. Receitou para mim medicamentos e alertou que eu poderia perder a sensibilidade na região. Infelizmente, foi o que aconteceu. Faz sete meses que tive o azar de escutar a gabolice de uma mulher metida numa festa. Não tinha orgasmo com penetração, e agora não tenho também com estímulo clitoriano. O prazer ficou para trás. Venho tentando eliminar o desejo por meio de meditações num ritmo de duas de 20 minutos ao dia, uma pela manhã, outra antes de dormir. Aderi ao budismo, nos últimos meses, e espero substituir o prazer carnal pelo prazer espiritual nos braços de Gautama.

Comentei o caso, desesperada, com uma amiga de minha redação. Ali me segredou que também fizera o mesmo, mas depois retirou o piercing porque muitos homens a viram como se fosse uma vagabunda. Às suas leitoras, digo apenas: pensem duas vezes. Ou até três, antes de colocar, na infame esperança de orgasmos andantes, um piercing na vagina.”

O homem dos sonhos pode também ser o homem dos pesadelos de uma mulher

17/11/2009 por Fabio Hernandez

obra de Roy Lichtenstein

VAMOS ORGANIZAR as coisas depois das entradas espetaculares e inesperadas da Senhorita O numa discussão empolgante que está sendo travada aqui entre nós desde a publicação do drama de um homem que, incapaz de se decidir entre duas mulheres, ficou com ambas, e se estrepou. Ele pediu socorro ao grupo. Percebi, no correr dos dias, uma certa confusão em todos, incluído eu mesmo, e vejo necessidade de clarear uma história complexa, dramática, quase comovente. Os envolvidos, ou pelo menos alguns deles, esperam de nós ajuda, e não há o que possamos fazer sem entender bem o caso. Me ocorreu, ao meditar na trama, que o homem dos sonhos de uma mulher pode muito bem ser também o homem dos pesadelos. Os personagens, por ordem de entrada:

1) Senhor RR, ou apenas R. Há poucos dias, encontro em minha caixa postal uma carta. O remetente criara um email fajuto para se ocultar e pedia conselho. Ele dizia que, na dúvida entre duas mulheres, uma da cidade grande em que ele fora trabalhar e a outra da terra onde nasceu,  ficara com ambas, e estava em apuros. A Senhorita T, da metrópole, a titular, teoricamente não sabia de nada. A Senhorita O, de outra, estava a par de tudo, e dera mais de uma bota em RR, para desespero do nosso malabarista amoroso. RR, num determinado instante, ficou sob a suspeita de, a pretexto de não querer magoar nenhuma das duas mulheres, desejar na verdade segurar as duas como garantia para a hipótese de perder uma. Não seria o primeiro caso, e nem o último. Houve, num espasmo, quem chamasse RR de CF, ou Cafa Camuflado, o falso bonzinho que pensa nele e nele só quando diz que está preocupado com a fome das crianças africanas. Cafa Camuflado é uma categoria difrente do CT, Cafa Total, do qual conhecemos bem um exemplar, aquele sujeito vulgar e arrogante que ‘finaliza’ e descarta, sem piedade e com alguns sorrisos cínicos.

2) Senhorita O, ou O. No relato do  Senhor RR, é uma fêmea perfeita para conversar, beijar e, desculpem, mas o convívio contamina, ‘finalizar’, mas talvez não para casar. Foi ela que sugeriu a ele que me procurasse. A Senhorita O era e é leitora do Homem Sincero, ao passo que RR tinha lembranças de mim, ou dizia ter, nos tempos da última página da VIP. RR disse que, no pós-coito, sentia uma certa culpa quando estava ao lado da Senhorita O, uma coisa que me pareceu tão confusa no relato original, visto ser ela a outra e não a titular, que errei e tive que corrigir no post anterior. Quando as coisas estavam mais ou menos calmas, a Senhorita O irrompeu com revelações extraordinárias, a maior das quais é que a Senhorita T, na verdade, sabia de tudo. Um quarto elemento, um namorado local que levara uma bota da Senhorita O, descobrira seu telefone e fizera questão, num rompante de raiva assissaina, de contar-lhe toda a trama sinistra.  Daqui por diante, o ex de O será tratado como Mr A, de Alucinado.

3) Senhorita T, ou T. Até as revelações de O, era a clássica namorada que acha que todas as ligações não atendidas pelo namorado no celular se devem a problemas tecnológicos provocados por algum funcionário negligente do Ministério das Telecomunicações. R parecia ter nela um porto seguro, mas tedioso como um discurso de deputados de cidade do interior. Mas eis que T ganha um novo vestido da trama, o da calculista que guarda na bolsa informações preciosas para usá-las no momento certo, ou jamais utilizá-las, talvez, se R se decidir por ela. Há um cinismo homicida na mulher que sabe-mas-finge-que-não, uma falsa resignação que termina muitas vezes em tiros nas costas e um sorriso malévolo enquanto se assopra o cano fumegante da arma.

4) Senhor A, ou A. É aquele tipo que, nada tendo mais a ganhar, quer que todos percam. Daí a designação de Alucinado. Não hesitou em levar sofrimento cruel à Senhorita T quando consuderou que com com um telefonema poderia atrapalhar a mulher que lhe dera uma bota e o homem pelo qual ela estivesse talvez apaixonada. Pouco se falou dele, mas O, a ex-namorada, não parece ter por ele muita admiração. R, com todos os defeitos, provavelmente parece a O maior que A, um pegou a estrada e foi ganhar a vida na cidade grande, e o outro se escondeu do mundo e passou a matar o tédio por meio de vinganças vis.

TENHO A IMPRESSÃO de que, agora, clareadas as circunstâncias, poderemos dar conselhos mais fundamentados aos que nos pedem aflitos. Aos debates, porque não há tempo a perder.

Agora ela tirou a burca e mostrou tudo. Como fica?

16/11/2009 por Fabio Hernandez

Auto-retrato de Sarah Maple, artista muçulmana, 24 anos

 

 

E AGORA? A mesma mulher de burca do post anterior tirou tudo e colocou placas espirituosas para tapar pedaços essenciais?

Comparemos uma e outra. Qual imagem instiga mais, provoca mais? Por quê?

Ela esconde tudo mas no broche diz que ‘ama orgasmos’. Que você acha?

15/11/2009 por Fabio Hernandez

um quadro de Sarah Maple, artista muçulmana, 24 anos

QUE VOCÊS ACHAM? A mulher que esconde pode ser mais provocante que a mulher que mostra?

Está aberto o debate, sem mais prolongamentos desnecessários. Quero ouvir a voz sábia de vocês, como definiu RR, o nosso amigo que na dúvida entre duas mulheres ficou com ambas — e agora está num tremendo apuro, em busca de nossos conselhos.

De novo: que vocês acham? Olhem com calma. Burca, olhos, broche.

E então?