O jornalista e a massagista


Peter estava deitado na grama do Hurlingham Park ao lado de Tania, a Ibiza Angel ucraniana que conhecera no Empire, o cassino da Leicester Square. Sob o sol de maio, os cabelos loiros de Tania pareciam brancos. Os olhos eram azuis como duas bolas de gude.

Peter olhou para Tania e riu sozinho. As mulheres da União Soviética durante muito tempo pareciam ser todas elas gordas e desinteressantes. Era o que a imprensa americana espalhava para o mundo. Foi com uma certa surpresa que, com o colapso soviético, Peter viu emergirem tantas mulheres bonitas. Uma delas estava ali a seu lado. Tania passava delicadamente proteção no rosto de Peter antes de jogarem tênis na quadra de grama sintética do parque. Tania fizera questão de ensinar uma única palavra de ucraniano a Peter.  Lyubov. Te amo.

Peter gostava de ir ao Hurlingham. Nos finais de semana, via partidas de futebol e rugby de amadores. Era um parque com o espírito igualitário londrino. Antes, o terreno fazia parte do Hurlingham Club, um dos clubes mais fechados de Londres. O governo trabalhista que substituiu a administração de Churchill depois da Segunda Guerra desapropriou um pedaço do clube e transformou-o num parque público. As regras do esnobe jogo de pólo a cavalo tinham sido definidas, no passado, no clube. Hoje já não se jogava mais pólo lá, mas principalmente tênis em suas belas quadras de grama tão bem cuidadas quanto as de Wimbledon.

“Peter?”

“Hmmm.”

“Ele não para de me procurar.”

Ele era Assange. Peter levara Tania para a entrevista que fizera com Julian Assange. A conversa foi durante um almoço no Pizza Express da estação de Fulham Broadway. Peter gostava de comer a lasanha de lá, sentado numa mesa à beira da janela que lhe dava uma versão quase panorâmica da Fulham High Street. Sempre que ia a jogos do Chelsea no Stamford Bridge, o estádio ali perto da estação, passava depois pela Express para comer a lasanha.

Peter reparou que Assange gostara da presença de Tania, mas não imaginou que ele fosse tentar nada. Como ele conseguira seu email? Entrara, será, como hacker no site do Empire, depois de saber durante o almoço que Tania era massagista lá?

Ouvira dizer que o fraco de Assange eram as mulheres. Uma australiana com quem ele saiu algumas vezes o definiu como um “homem que não sabe ouvir um não”.

Assange dissera a Peter que em breve iria à Suécia. Peter conhecia bem a Suécia. Assange com sua insistência poderia ter problemas lá. As mulheres suecas são neuróticas. Parecem ávidas por acusar homens de estupro. Peter levara um susto quando, numa viagem à Suécia, um jornalista local lhe dissera que você pode ser acusado de estupro na Suécia se fizer sexo sem proteção. Suponha que uma mulher aceite ir para a cama com você. Vocês, antes de dormir, fazem o que têm que fazer. Se você acorda no meio da noite e retoma a festa, pode ter problemas se estiver sem preservativo. “Se você sair com uma sueca, peça antes de dormir com ela um documento em que ela diz que está com você consensualmente”, disse a Peter o jornalista sueco.

“Por que você não sai com ele, Tania?”, disse Peter. “Ele é o jornalista mais célebre do mundo hoje. Um herói para muita gente.”

“Peter. Você acha mesmo que eu sairia com um cara que cheira como se não tivesse tomado banho há dias?”

Peter riu. Era verdade. Assange parecia estar muito entretido em salvar o mundo para ter tempo de tomar banho.

O que sentia por ela? Era uma pergunta que vinha ocorrendo a Peter algumas vezes nas últimas semanas. Desejo, com certeza. Curiosidade, também. E um sentimento de proteção. Gostaria de evitar que o mundo fizesse Tania sofrer.

Mas e amor?

Isso Peter não sabia. Como ficaria se Tania desaparecesse de sua vida? Triste, é certo. Mas por um dia, uma hora ou uma eternidade?

“Peter?”

“Hmmm.”

“Hoje eu vou dar de zero em você.”

Não era difícil. Tania quase fora profissional de tênis. E era vinte anos mais nova que Peter.

Uma hora depois, saíram da quadra. Tania ia tomar um banho no apartamento de Peter antes de ir para o Empire.

“Eu não disse?”, ela falou ao se cumprimentarem na rede terminado o jogo.

Ele olhou para ela. Sentiu seu suor ao beijar seu rosto na rede, e pensou que nunca experimentara uma derrota tão vitoriosa.

4 Respostas to “O jornalista e a massagista”

  1. Camille Says:

    colonizado, esse texto. no mínimo. #tédio

  2. Petite Poupée Says:

    Tania ensinou errado a Peter. Te amo em ucraniano é: Ya lyublyu tebe.

    Malditas massagistas!

  3. laha Says:

    http://www.youtube-nocookie.com/v/qGCL-CK_yDc?version=3&hl=pt_BR

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