O caso de amor deve terminar antes que a paixão se extinga?


Leio que Roman Polanski foi em cana na Suíça, o lugar mais improvável para alguém ser preso, o paraíso das contas secretas de plutcratas e traficantes que querem esconder o dinheiro, a terra que segundo Graham Greene tudo que fez foi o relógio.

Polanski pode ser extraditado para os Estados Unidos, onde enfrenta problemas legais por ter feito sexo com uma lolita de 13 anos em 1977, hoje uma gorducha de bochechas rosadas que deve preferir a cozinha à cama, segundo a foto que vi.

Gosto de Lua de Fel, de Polanski. É interessante. Provocativo, sexualmente, sem ser vulgar. Há uma cena que gostaria que você visse.

Viu? Se falhei por alguma razão, é colocar Bitter Moon Best Scene no YouTube.

“O caso de amor deveria terminar antes que a paixão se extinguisse”, diz o homem, olhando com absoluta indiferença para a mulher belíssima que está na cama, nua, uma daquelas fêmeas de fazer bispo virar o rosto e chutar o poste. E ali está o homem, olhando-a como se fosse o jornal da véspera. Depois, vem a apologia da televisão como a salvação de casais que não têm mais o que conversar, mas esta é outra história.

Minha pergunta: que vocês acham desta cena? Especificamente, da utopia romântica formulada pelo homem diante da beldade desprezada cruelmente.

É uma frase sábia, porque preserva o romance, a magia, ou tola, porque não admite a possibilidade de uma relação duradoura e madura?

Um minuto, apenas um munuto, por favor, antes do debate: tenho gostado muito das observações, pelas quais agradeço. Vi que fui acusado por um anônimo de plagiar Paulo Nogueira, ou talvez ele tenha sido acusado de me plagiar, não me lembro bem; de toda forma, digo obrigado pelas defesas sinceras.

Bem, quero ouvir você sobre a essência da cena de Roman Polanski.

Gracias, muchas.

6 Respostas to “O caso de amor deve terminar antes que a paixão se extinga?”

  1. Monique Buzatto Says:

    Faz alguns anos que já assisti ao filme, então talvez tenha me faltado a maturidade para compreendê-lo, mas pelo que eu me lembro, o Polanski mostra um homem de meia idade que se APAIXONA por uma gostosa , depois se fode depois de fazer o diabo pra cima dela, aí a vadia, provavelmente uma escorpiana, se vinga do jeito francesinho dela. (desculpe pelos palavrões, não achei outro meio de expressar os meus sentimentos. Licença poética, ok!?)

    Concordo que a paixão uma hora acaba, mas será que dá pra chamar qualquer paixonite de “caso de amor”?
    Pra mim, Fábio, amor é aquela relação que você constrói com as pequenas coisas, fruto de paciência, renascimentos diários, chatisses da vida a dois, enfrentar a reunião do condomínio, *early night* sem problema no sábado, *no more party* pros dois etc…
    Mas claro, eu tenho *big chances* de estar errada.

    É que relacionamentos são completamente subjetivos, não dá pra generalizar. Não há verdades absolutas, somente pontos de vista de pessoas completamente diferentes.
    Por exemplo, não acho que as bodas de ouro sejam o atestado de óbito do casamento. Meu avô, com seus quase 90 anos, e minha avó, com quase 80, me mostram isso toda hora.
    É divertido vê-los discutindo, um com ciúmes do outro, lembrando de coisas que aconteceram há décadas e décadas atrás.
    Quando um dos dois fica doente e, pra tomar uma injeção que seja, precisa ir ao hospital, a gente vê o pânico nos olhos do outro, que ficou em casa, pensando “Será que ele volta?” ou “Se ela não voltar, o que eu faço?”. Também é lindo ver o jeito que minha avó sempre se preocupa com a comida do velho rabugento dela, e que o meu vô, todo dia, lava a própria roupa pra não deixar a velhinha dele braba.
    Mas, como eu dissera, cada história é uma história. A vida é subjetiva, não dá pra estabelecer parâmetros com base em uma ou uma dúzia de casos felizes.

    Do meu ponto de vista, ainda sem muitas decepções da “dura vida” de que todo mundo conta, os finais tristes, as desilusões, a falta de paciência em construir o amor (porque, convenhamos, não nasce de um dia pro outro e, definitivamente, é completamente diferente de estar apaixonado), e todo o “fel” que resta da viagem de núpcias só devem ser guardados pra literatura.
    “Finais infelizes são a marca maior dos grandes escritores. Não há um único romance entre os maiores que tenha final feliz.”
    Mas estamos falando da vida! Os caras escrevem finais infelizes porque querem! Está só nas nossas mãos escrever o desenrolar da nossa própria história, porque o final a gente só sabe quando acaba.

    Parece-me que pra você, Fábio, o amor é uma mentira, mas eu só sei de mim.
    Filme por filme, gosto dos “aguinha com açúcar”, tipo “The Notebook”.

    Não é tão cult, nem tão pseudo-psicológico quanto o Polanski, mas ainda gosto da ideia da caixa de Pandora, inclusive no amor, já que a esperança sempre está lá.

    (Fato: Fazer Letras tira toda a capacidade de uma pessoa de ser BREVE.)

  2. Juliana Says:

    Concordo em gênero número e grau com a Monique. Agora. Quando comecei a ler o comentário dela nem sabia o que pensar.Fui absolutamente tomada de seus argumentos.
    O único argumento que já possuía era de que não se pode confundir um caso de uma noite com um caso de amor. E que, Fábio, tu és um desiludido, embora ache louvável essa sua glorificação por casos rápidos como definidores do sentimento amoroso. Seria uma ética amorosa moderna, longe dos antigos amores platônicos eternos pelos quais se morria,agora não se vive sequer até nascer algo mais. Por medo? Por prudência?O que seja…mas se for pela dura e burra dicotomia de concordar ou não com a afirmação de Polanski, digo: NÃO! A paixão é burra e se extingue, ou vira amor, ou vira para o lado.
    Ou, como diria o meu polaco favorito Leminski: “se transforma numa matéria prima que a vida se encarrega de transformar em raiva ou em rima.”Prefiro a rima. Prefiro que vire amor. Ou, estima, sutileza, amizade, ou ainda…

  3. Monique Buzatto Says:

    Que bom que você concorda com o meu otimismo, Juliana.

    Mas eu não acho o Fábio um desiludido!
    Lembro de todas aquelas colunas dos tempos de VIP.

    O Fábio de hoje continua Sincero, mas menos apaixonado. Quando a gente não pensa apaixonadamente, passa a impressão errada do que a gente sente de verdade.

  4. nardele Says:

    O pessoal fez unas tratados aí em cima, hein! Eu vou fazer um comentário rápido. Sou adepta do “pare no auge”. Mas apenas profissionalmente, afetivamente não. É que os romances estão em constante transformação, e quem irá dizer qual a melhor fase? A da paixão louca e cega, do cheiro, da química, do frio na barriga? A da afinidade, cumplicidade, simbiose? Ou talvez a fase do companheirismo, da história escrita juntos, do amor preservado mesmo depois de vários momentos ruins? A resposta é não! De jeito nenhum!

  5. Julia Duarte Says:

    Esta é uma daquelas cenas que gostaríamos de ter escrito, certo? Ou o filme todo. É impossível terminar uma relação no auge da paixão, somos impotentes neste sentido.

    E não acho que o Fabio perdeu a mão não, ele está certíssimo. Romances normalmente não têm finais felizes. Os que tem são a exceção, não a regra.

  6. Uila Gabriela Says:

    Eu concordo com algumas coisas que as moças disseram aí em cima, uma delas é que devemos continuar tentando, msm a paixão estando no auge…mas não acho que devemos esperar para sair de um relacionamente odiando o outro.

    Realmente é mais sensato e menos doloroso terminar antes de o barco afundar completamente, mas quem disse que somos sensatos apaixonados? E os verdadeiros românticos gostam desse tipo de dor…portanto, é algo relativo.

    Penso que se eu estivesse sensata o suficiente para pensar em terminar a relação antes de ir pro brejo, eu já não estaria tão apaixonada, talvez até preparada para que isso virasse “amor”, mas tenho certeza que se eu for até o fundo do poço, é pq meu coração estava ardendo até aquele momento.

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