O melhor romance erótico da história

14/02/2011

Vocês são tão relapsos, tão desatentos que não perceberam que em minha lista de melhores livros eróticos ficou faltando exatamente o primeiro.

Muito bem.

É O Amante de Lady Chatterley, de DH Lawrence, romancista inglês do começo do século XX.

É tão forte o livro que você, ao ler, tem vontade de entrar nas páginas e comer — com todo o respeito — Lady Chatterley. Ela é uma mulher cheia de desejos, e não pode ser atendida pelo marido, um esnobe que virou cadeirante ao ser ferido numa guerra. Então ela acaba se saciando no caseiro da propriedade do marido. A cena em que ele a sodomiza é uma das melhores. Era a aristocracia sendo possuída pelas classes inferiores inglesas.

O bom romance erótico, na definição clássica de Tia Iracema, é aquele que, sem fazer perder a ternura, endurece o leitor e umedece a leitora. Lady Chatterley faz isso.

Se eu fosse vocês, parava de ler este blogue e ia direto para o romance de Lawrence.

Pensamento do Dia

13/02/2011

Sábias palavras de Tio Fabio, ditas no seu leito de morte para mim em tom de testamento: “Enquanto há ereção, há esperança.”

O psicólogo e a Senhorita MM

11/02/2011

Há momentos em que tenho vontade de esganar os psicólogos. Este é um deles. Recebi e repasso essa carta, de uma leitora que se assina Senhorita MM.

Na Suécia, o vigarista seria acusado de estupro.  Fazer sexo com uma paciente jovem e fragilizada não é estupro?

Gostaria de ouvi-los.

Fabio

Queria ouvir das pessoas de seu grupo meu dilema.

Que é o seguinte.

Tenho 18 anos. Tive uma pane mental. Depressão, pânico, tudo ao mesmo tempo.

Acabei num psicólogo.

E depois acabei no divã dele. Que é casado. E tem idade para ser meu pai.

Sei que é errado. Mas tenho medo de abandoná-lo e minha crise retornar. Além do mais, é o melhor sexo de minha vida.

E então. Que faço?

O amor e a desconfiança

10/02/2011

“Tínhamos que ter terminado ali”, diz João para Rita. “Naquele dia.”

Ele estava se referindo a quando, no começo do namoro, dera a ela a senha de seu correio eletrônico. Fora um gesto de amor e, sobretudo, de confiança. Ela retribuíra com um gesto de desamor e de superlativa desconfiança.  Invadiu a correspondência. Encontrou mensagens antigas, mandadas para mulheres do passado de João, e teve um acesso de ódio.

“A partir dali não tínhamos mais chance”, ele disse. “O amor suporta muita coisa, mas não a desconfiança doentia. Me arrependo de cada palavra que disse naquela ocasião para acalmar você, de cada explicação que tive que dar ao ser — eu, não você — agredido.”

A beleza excitante da mulher que chora

08/02/2011

 

Algumas pesquisas são simplesmente lastimáveis.

Uma recente mereceu repercussão mundial, e não podia ser mais obtusa. Segundo a pesquisa, o choro feminino tira o ímpeto do homem. Desanima. A explicação científica seria o cheiro da lágrima.

Como a ciência ou pseudociência  pode ser estúpida.

A mulher que chora é a mulher mais atraente que pode existir. Ela está em sua condição mais pura, Frágil, dependente, vulnerável.

Ávida pelos braços protetores  de seu homem e depois pela penetração redentora.

Se o cheiro da lágrima tem alguma coisa que pode não ser excitante, o gosto salgado compensa amplamente. Você beija a mulher chorosa e é como se estivesse no mar, com aquela sensação de sal libertadora.

A lágrima do homem seca a minha porque é sinal de covardia, como disse Sêneca.

O homem fica muito feio ao chorar. Fato.

Mas a lágrima da mulher é um afrodisíaco infalível, não importa o que a ciência possa dizer em sua ilustre, petulante ignorância.

Tudo que um homem quer

05/02/2011

Tudo que um homem quer é uma mulher que o faça se sentir único.

Que ouça quando ele está falando.

Que ache legais as coisas que ele faz.

Que olhe nos olhos quando estão conversando.

Que o prefira a todas as outras companhias do mundo.

Que não o corrija quando ele errar uma concordância.

Que não minta porque a mentira destrói qualquer relação.

Um homem não quer muito, como se vê.

Thunder vai ser pai

02/02/2011

E então Thunder, em sua voz estentórea de Fred Flintstone e com sua neobarba de Hemingway, me liga. Quando Thunder está ansioso, o que acontece basicamente sempre, come as sílabas. Parece estar bêbado, mas não é verdade. Ele só começa a beber quando o sol se põe, embora antes possa tomar bem antes disso um ou dois ou mesmo três uísques para tornar as pessoas e o mundo mais divertidos, ou pelo menos aumentar sua própria capacidade de tolerar a miséria humana.

“Hernandez?”

Ele me chama sempre de Hernandez. Jamais fui Fabio para ele.

“Tá sentado?”

Nem respondi. Apenas sentei em minha poltrona vermelha na qual leio, escrevo, medito e falo ao telefone.

“Vou ser …”

“Hmmm”

Thunder gosta de suspense.

“…pai!”

E então Thunder cumpriu a promessa, ou a ameaça, que vinha fazendo há alguns meses. Pai de umThunderzinho ou uma Thunderzinha. Sinceramente, não sei se dou parabéns ou pêsames quando alguém me diz que vai ter filho. Oficialmente, dou parabéns. Intimamente, hesito. Criança nenhuma merece enfrentar os sofrimentos que a vida inevitavelmente traz. Você nasce e um dia vai ter que enterrar seus pais, por exemplo.

“A mãe é a …”, digo, tentando lembrar da namorada de Thunder.

“Sim, a Malu. Aquela que você disse que é a cara da Ana Paula Arósio.”

É verdade. Quando Thunder me apresentou, logo pensei em Ana Paula Arósio. As sobrancelhas grossas, os traços delicados, os zigomas salientes como os de Lênin, mas mais formosos e rosados.

“Temos que beber, Hernandez. Para comemorar.”

Thunder claramente já tinha feito sua parte na proposta de bebida. Dava para sentir o cheiro da bebida pelo telefone.

“Nomes, Thunder. Já escolheram?”

“Se for menino, Fabio.  Por você, Hernandez. Que vai ser o padrinho. E depois o tutor literário do menino. Só não pode dar aqueles livros de sacanagem para ele ler antes dos 18.”

Bem, Thunder me envolveu em seu projeto de paternidade.

E então torço que seja um menino. Quero experimentar o desafio de ser padrinho. Já me vejo com o garoto no colo, lendo para ele trechos de Rubem Braga, Machado de Assis e Montaigne.

“Thunder?”

“Hernandez?”

“Embora você devesse escolher um padrinho melhor para o Fabito, eu … eu estou … sei lá, comovido.”

Terminada a conversa, penso que vou fazer o máximo para proteger meu afilhado dos males do mundo. E penso por uma fração de segundo que talvez ele mereça um grande amigo com quem dividir as alegrias e os sofrimentos.

Pai eu?

Não. Não. Não.

Ou sim?

João e Rita

31/01/2011

“Você pensou que eu ficaria disponível para sempre?”, João disse para Rita. “Quer dizer. A sua disposição?”

João era médico psiquiatra. Rita, advogada criminalista. Ele moreno como um índio, ela loira com uma cabeleira clara que se esparramava por suas costas como uma capa de super-herói. Ambos na casa dos 30. João era três anos mais novo que Rita. Ela preferia homens mais jovens. Achava mais fácil controlá-los.

João e Rita tinham feito o percurso de todo casal da paixão e dos sorrisos ao ódio e aos insultos. Tinham já se separado fazia algum tempo quando Rita soube que João estava saindo com outra mulher. Rita cobrou-lhe satisfações como se ainda estivessem juntos.

Ela própria estava saindo com outro homem, mas negava isso a João para ter mais força em suas recriminações inoportunas. Era, como todos os advogados, uma mentirosa compulsiva e incorrigível. Num determinado momento, João já não sabia se a conhecia de fato ou se só conhecia a versão falsificada que a própria Rita apresentava.

João se perguntou como pudera fazer tantos planos com ela. Casar. Ter filhos. Viver numa casa de frente para o mar. Como ter uma vida com uma pessoa em quem você simplesmente não acredita?

Você pode até ficar uma vida inteira com alguém a quem não ama. Mas não é possível criar uma aliança com alguém em quem você não acredita.

“Você acabou com a minha vida”, Rita disse.

Mulheres que se autovitimizam não costumam ser boas parceiras. Sempre colocam o homem na posição de devedor. Desprezam o que receberam e supervalorizam o que deram. Rita era assim. Jamais dissera obrigado por nada. E cobrava frequentemente o que dizia ter dado.

Exigia a verdade mas vivia de mentiras. Num determinado momento, João se deu conta de que Rita o tratava como um idiota. Era o fim do romance.  Homem nenhum suporta ser tratado como um idiota. Só idiotas poderiam engolir tantas mentiras.

João de repente se deu conta de que, para começar uma nova etapa na vida, tinha que esquecer a velha. Romper com o passado irrevogavelmente.

“Rita, olha para mim”, ele disse subitamente.

Ela olhou.

“É a última vez que você me vê. Guarde essa minha imagem caso queira. Que você realize todos os seus sonhos. Que case com um princípe europeu de olhos verdes. Que tenha filhos lindos como você. Que faça uma carreira maravilhosa porque tem talento para isso. Que viva perto dos amigos que tanto ama. Mas tudo isso longe de mim.”

E então levantou e foi embora para nunca mais, nunca mais, nunca mais.

Por que Assange não se dá bem com as mulheres

29/01/2011

Parece que o problema é quando tira o tênis

Descobri por que Julian Assange não se dá bem com mulheres.

Segundo o relato de um jornalista americano que o encontrou em Londres, ele cheira “como se não tivesse tomado banho há dias”. As meias e os tênis pareciam estar sendo usados desde a fundação do Wikileaks, disse o jornalista.

Como dizia Tia Iracema, o amor sobrevive a tudo — menos a um tênis que não sai jamais do pé do homem ou da mulher.

Desde que fugi de Cuba num barco

29/01/2011

De um retiro espiritual em Algures

 

Fazia muitos anos que eu não tirava férias.

Desde que fugi de Cuba num barco.

Decidi compensar e tirar uma folga prolongada. Por recomendação de Thunder, vim a um centro de retiro espiritual, para me livrar das obsessões da carne e da internet.

Boatos me deram como morto nas manifestações do Egito, mas o fato é que estou vivo.

Meu retiro, à base de abstenção sexual e tecnológica total e muitos mantras, termina em fevereiro.

Dei uma escapada da viligância estrita de Mestre Liu para escrever essa mensagem. Se ele souber que rompi a abstenção tecnológica, me punirá com bengaladas.

Por isso peço discrição a todos.

Saludos!

 

 

 

 

Thunder filosofa

14/11/2010

 

“Hernandez?”

Thunder tem me procurado um bocado desde que me contou sua disposição de procriar com uma nova namorada de 21 anos. Coloquei seu intento aqui e Thunder foi cruficicado. Estranhamente, eu também levei pancadas, como se fosse responsável pelas decisões de Thunder.

“Minha ex-mulher, Hernandez.”

“Qual, Thunder?”

“A terceira.  A Rita.”

“Hmmm.”

“Me contou que tá namorando com um cara 15 anos mais novo. Disse que ele tem piercing na língua. E que isso torna o sexo oral incrível.”

“Thunder, vocês têm esse tipo de conversa?”

“Procuro ter uma relação civilizada com minhas ex-mulheres, Thunder. A Rita, especificamente, sempre gostou de me contar suas histórias íntimas. Sou uma espécie de conselheiro dela.”

“Ah …”

“Hernandez.”

“Ficou claro para mim que é natural um homem procurar uma mulher jovem. Ele quer povoar o mundo, deixar mais semente. Encontrar motivação. Mas mulher com homem novo …”

“Hmmm”

“É ridículo, Hernandez. Parece mãe e filho. Ou gigolô. Não existe a possibilidade de procriar. E os caras novos não sabem nem trepar. É uma coisa que o homem só aprende aos 40.”

Thunder divide as mulheres

12/11/2010

“Hernandez? Me pegaram para Cristo! Deleta, hombre, deleta!”

“Thunder? Sem choro. A discussão é boa.”

“Boa porque não é com você. Até de velho babão me chamaram. E a Mariza Montalban me chamando de Pablo? Até essa …”

“Thunder. Você melhoraria sua imagem facilmente. Basta arrumar uma namorada mais velha. Mulher mais velha tem virtudes únicas. Elas se empenham mais que as jovens na cama.”

“Hernandez? Quero procriar, já falei. Quero motivação pelos próximos 15 ou 20 anos. E isso é com mulher jovem.”

“Parece que você faz uma divisão entre as mulheres, Thunder. Não é legal.”

“Pelo amor de Deus, não coloca isso no blog. Ou vou desmentir. Divido sim. Mulher mais velha que eu é conselheira. Mulher da minha faixa é amiga. Mulher nova é sexo com fins de entretimento e, agora, procriação.”

“Você jamais vai ganhar uma concurso de popularidade, Thunder.”

“Nem quero, Hernandez. Quero apenas povoar o mundo. Entendeu?”

Thunder inconformado

11/11/2010


“Hernandez?”

Thunder não tem me dado sossego nos últimos dias. Me disse que queria povoar o mundo, eu reproduzi aqui. A seguir ele foi acusado de velho tarado. Ficou magoado. E então disseram que ele está na crise da meia idade.

Não sei o que o magoou mais, ser chamado de tarado ou de lobo atormentado.

“Oi, Thunder. Mais calmo?”

“Por que as pessoas não aceitam que um homem que paga seus impostos como eu queira povoar o mundo?”

“Sei lá, Thunder. As mulheres, pelo menos algumas, vai, estão meio desconfiadas de que sua intenção de ter um Little Thunder é uma lorota para traçar umas gostosinhas jovens.”

“A Srta O é sempre uma juíza implacável, Hernandez?”

“Ah, Thunder, isso você tem que perguntar para o Senhor RR … Ele que conhece a O, hmm, biblicamente.”

“Quemmmm?”

“Ah, esquece, Thunder.”

““Hernandez. Você não acredita nisso, acredita, meu irmão? Um filho agora vai renovar meu interesse pela vida por mais 20 anos.”

“Thunder, antes eu acreditava em muitas coisas, mas agora, como aquele terrorista irlândes do Sergio Leone, só acredito em bombas.”

“Quemmmm? O telefone tá ruim, Hernandez.”

“Ah, esquece, Thunder.”

Thunder magoado

09/11/2010

 

Pegou pesado a Srta O, Hernandez. Velho tarado? Só porque quero povoar o mundo? Um Little Thunder é tão ruim assim”

“Thunder. Calma. Velho é relativo. Você sempre vai ser um ano mais novo quer todo mundo que nasceu um ano antes que você. Tarado você nunca foi. A Srta O acha que você não é exatamente sincero. Não quer povoar o mundo e sim pegar mulher jovem.”

“Hernandez. Estão me crucificando. Sou bom pai, você sabe. Também sou bom reprodutor, você também sabe. Sou solteiro e acho que criança renova você. Vejo um bebê num carrinho e me vejo pegando no colo. Meu Little Thunder. Estou errado?”

“Thunder. Posso ser sincero? 21? Não é muito nova pra você?”

“Hernandez. Você tá parecendo a Srta O. Daqui a dez anos ela vai ter 31.”

“E …”

“Talvez não queira mais ter filhos porque vai estar obcecada com a carreira.”

Thunder explica

08/11/2010

 

“Thunder?”

“Hernandez!”

“Tô levando pau por sua causa. Até a Mariza Montalbán reapareceu depois de anos para falar mal de mim.”

“Não acredito! Você não merece. É um puro!”

“Pois é. Só porque eu especulei que a razão pela qual você está com uma mulher que pode ser sua filha é a vontade de deixar sementes no mundo diante da idéia da própria mortalidade.”

“Pode parar. Hernandez? Isso é uma conversa telefônica ou uma citação sociobiológica?”

“Nada, nada, Thunder. Esquece.”

“Vamos simplificar, Hernandez. Sabe por que eu estou com ela?”

“Hmmm.”

“Porque ela ri.”

A semente de Thunder

07/11/2010

 

Thunder me procura eufórico no celular.

“Hernandez?”

Posso vê-lo, ao ouvir sua voz estentórea, com sua barba hemingwayana que, somada aos óculos pretos, lhe dão um ar de intelectual europeu.

“Hernandez à sua disposição, Thunder.”

“Apaixonei.”

“Hmmm?”

Thunder não usa o pronome naquele caso, o que incomoda ligeiramente meus ouvidos.

“21.”

“Thunder. Podia ser sua filha.”

“Mas não é, Hernandez. Graças a Deus.”

“Thunder, por que você tem saído com mulheres tão novas? Apenas para dar inveja nos homens e raiva nas mulheres da nossa idade?”

“Hernandez, andei pensando nisso …”

“E …”

“Quero espalhar minha semente rumo à eternidade. Um filho. Meu pai morreu com a minha idade, e então a idéia da morte daqui para a frente vai me acompanhar sempre. Um filho é a melhor resposta para isso.”

Li que nas tréguas da Segunda Guerra os soldados ingleses se entregavam a uma libertinagem louca na esperança de, caso morressem, legarem sua semente.

Seria este o caso de Thunder?

Seria esta a resposta para a questão da procura de homens mais velhos por mulheres jovens?

Karamavov

06/11/2010

 

“Você mudou minha vida”, disse Penny Lane a João. “Sou agora auto-suficiente sexual.”

Ela mostrava a ele, como um troféu, um troféu precioso, Karamazov. Karamozov era o presente que ele tinha lhe dado. Bastava ligar que ele respondia em poucos minutos. Três pilhas AA. E uma vibração controlável.

Ele tinha estranhado. Por que ela jamais usara um? O ex-namorado, contou Penny Lane, jamais admitira. Sentia-se diminuído. Não entendera que o aparelho na verdade lhe tiraria um peso e uma responsabilidade. Fornicaria com Penny Lane já solta, leve, saciada, inteiramente dedicada ao prazer dele.

“Nunca. Nunca mais vou ter problema em chegar ao êxtase”, Penny Lane exclamou. “Sou tão feliz!”

Clássicos da Libertinagem: o número 2 é Jóias Indiscretas, de Diderot

06/11/2010

Diderot, o enciclopedista francês, tinha um problema quando era bem jovem ainda: a amante exigira 50 luíses de ouro para não abandoná-lo. A solução que ele encontrou foi escrever, às pressas, um romance libertino, como era moda na França de seus dias, segunda metade do século 19. Em quinze dias ele escreveu um romance do jeito que os leitores apreciavam. Levou-o a um editor, que lhe deu as moedas. “Então as atirei na saia da minha amada”, lembraria Diderot.

O romance é Jóias Indiscretas. A inspiração veio de O Sofá, de Crebillon, que figura nesta lista. Em vez de um sofá que observa as farras sexuais das pessoas, são jóias.  Mais uma vez, a história é passada num lugar que excitava os franceses pela sofisticação erótica apurada ao longo de séculos: a Arábia das Mil e uma Noites. As Jóias Indiscretas, fora seu valor erótico, é uma lembrança pungente do que não é capaz de fazer um homem quando uma amante fogosa ameaça abandoná-lo.

Assim Falava Tia Iracema

03/11/2010

Um quadrinho de Zéfiro

 

Sócrates da libertinagem, Tia Iracema não teve infelizmente um Platão que imortalizasse sua sabedoria sexual. Na falta de Platão, faço o meu melhor e reproduzo aqui, em drágeas, pílulas do pensamento libertário de Tia Iracema.

“Neste mundo tão instável, tão precário, tão impermanente, é um erro deixar para amanhã o êxtase carnal que você pode ter hoje.”

Homens do povo

31/10/2010

Penny Lane?”

João estava na sacada do apartamento. Lá embaixo ele divisava um ponto de ônibus, no qual um grupo de homens simples parecia cansado e entediado depois de uma jornada áspera de trabalho duro.

“Hmmm.”

Penny Lane estava na cama, com preguiça e saciada. Parecia ronronar, e não falar.

“Vem aqui.”

Ela obedeceu. Estava nua. Cobriu-se com o lençol da cama.

João indicou os homens no ponto.

“São uns batalhadores. Gosto das pessoas simples”, ele disse. Parecia tocado. Sentimental.

“Devem ter tido um dia difícil. Vamos dar a eles uma visão que compense o cansaço.”

João esticou os braços para os ombros de Penny Lane e puxou o lençol. Aqueles homens do povo mereciam contemplar a nudez esplêndida de Penny Lane.