Archive for the ‘relatos de um homem sincero’ Category

Senhorita Z: “Meu namorado era um furacão sexual. Só que era sodomita”

03/09/2010

E depois de um bocado de tempo eis que chega a minha caixa postal uma nova carta da Senhorita Z, que encantou os leitores do blog com sua paixão juvenil e proibida por um professor 20 anos mais velho e casado. Agora, ela narra seu romance com um pederasta. Pela narrativa, fiquei com dúvida. A Senhorita Z diz que seu gay queria sexo todo tempo. É uma exceção a uma regra segundo a qual maridos gays fogem do sexo heterossexual como um carioca foge do batente duro. Será que ele sentava mesmo?

Quase me casei com um sodomita, como você gosta de falar, Fabio.

Um pederasta.

Rs.
Parece frase de carta de leitora em revista feminina. Mas não é!
Está difícil escrever sobre o sexo com ele.
Vou tentar explicar o motivo:
Eu creio que há algumas maneiras de afirmar a sexualidade. Nós mulheres, quando queremos nos afirmar como mulheres sedutoras e provocantes, nos vestimos de maneira libidinosa, sem lingerie. Isso é fato: se uma mulher quer enlouquecer um homem, é sussurrar no seu ouvido “estou sem calcinha”. É instantâneo: ele fica com cara de taxo, sem reação. Um homem que está na caçada exibe os músculos, carrega peso. Parecer macho é prover. É ter liderança. É não requebrar a noite inteira. É se conter.

Mas eu acho que quem entende mesmo de “contenção” é o cara que demonstra ser homem, mas não é. Ou é e não quer ser. Ou, simplesmente, prefere não ser.

Não. Ele não parecia. Nem demonstrava. Por isso que eu digo: de contenção esses caras entendem bem. E não de novo. Eu não sabia. E quem diz que sabia, desconfiava, mas não teve como perguntar. “Mas ele nunca deu pinta”? Não. Simples assim.

O cara é bonito, assediado por mulheres, inteligente, conhece todos os restaurantes da cidade, quebra a casa quando o time dele perde. E pasme: ele é um garanhão na cama. Ai era onde estava o problema. Eu sempre pensei que por ter sido criado em uma família muito religiosa, com pais severos e irmãs puritanas, ele encontrava na cama um lugar pra extravasar a repressão sexual. Por isso ele gostasse tanto assim de trepar. Eu cheguei a pensar em desvio de comportamento sexual.

Era sexo de manhã, de tarde, de noite. Em qualquer lugar. De qualquer maneira. Ele só queria isso. “Uau, você deveria ter se sentido a mulher mais desejada do mundo”. E foi isso o que aconteceu. Ele se escondeu através da transa. Foi assim que ele me enganou. Não. Ele nunca pediu coisas estranhas, espalhafatosas, dessas que a gente ouve dizer que se “o cara pediu ele engata marcha ré”.

Sempre percebi que era uma coisa muito violenta. Hoje eu sei que essa era a maneira dele sentir raiva enquanto transava comigo. Ele expulsava a raiva de namorar uma moça com muita força na cama.

E não acredito nessa história de ser bi. Eu gosto de rosa ou azul. Não posso usar as duas cores ao mesmo tempo. Fica ridículo pra minha imagem. Vou parecer sem personalidade, sem opinião.

Na verdade ele era violento na cama. Não por gostar de sexo “movimento”. Por não querer estar ali.

Mas na verdade há o fator “garoto de programa”. Será que ele realmente não gostava de mim na cama? Ele faz isso apenas em troca de dinheiro?

Tá vendo? Essa história é mais complicada do que vc imagina…

Será que a turma do blog pode me dar conselhos sobre lidar com esse trauma?

Era uma vez na Rainbow Road

01/08/2010

Thunder e Pedro estavam disputando corridas de Mario Kart no Wii. Eram velhos amigos, e estavam no apartamento de Pedro.. Entre todos os circuitos do Mario Kart aquele de que mais gostavam era a Rainbow Road, pela beleza extraordinária da paisagem e pela habilidade necessária para percorrer o caminho. A amizade entre os dois lembrava a definição clássica e sublime de Montaigne para os amigos: uma costura entre almas tão forte que não se vê a linha. Montaigne escreveu suas palavras eternas sobre a amizade nos seus Ensaios, e a razão era homenagear um amigo morto, Lá Boètie, autor de uma pequena grande obra chamada Tratato sobre a Servidão Voluntária. Tão forte nas adversidades, com tamanho preparo para enfrentar “o perpétuo vai-e-vém das elevações e quedas”, para usar uma expressão de Sêneca, Montaigne admitiu com pungência que a morte de seu amigo o atirou numa noite longa, fria e escura.
Thunder e Pedro eram devotos de Montaigne e seus Ensaios, bem como de A Mulher do Lado de Truffaut, Os Maias de Eça, O Beijo de Klimt, In My Life dos Beatles e o cheeseburger do Hamburguinho. Também eram devotos de Rivelino e do Corinthians. Achavam que Rivelino tinha sido melhor que Pelé, e eram capazes de passar horas na defesa apaixonada dessa tese contra todas as estatísticas.
Pedro em breve partiria para uma demorada viagem.
“Pedro”, disse Thunder em sua voz estentórea de Fred Flintstone depois de bater mais uma vez o amigo na Rainbow Road.
“Hmmm.”
“Estou feliz mas estou triste”, disse Thunder.
Lol. Pedro riu. Tirou um caderninho de anotações do bolso e escreveu a frase de Thunder.
“Um dia vou usar essa frase em alguma coisa que escrever”, disse Pedro. “Para que não pareça imitação, vou inverter as coisas. Vou dizer: estou triste, mas estou feliz.”
Iam correr agora na Moonview Highway, outra prova exigente do Mario Kart. E outra paisagem deslumbrante: uma corrida noturna, cheia de luzes na escuridão desafiadora, e uma lua que parecia ao mesmo tempo zombar dos pilotos desastrados e saudar os hábeis.
“Thunder.”
“Hmmm.”
“Sua frase. Me lembrou aquele ensaio do Montaigne. Como uma mesma coisa nos faz rir e chorar. É o capítulo 38, se não me engano.”
“38. Acertou. É um dos meus prediletos.”
Terminada a prova na Moonview, com mais uma vitória de Thunder, Pedro se levantou e foi apanhar seu exemplar dos Ensaios. Queria rever uma passagem específica do capítulo 38. Mas antes fez uma reflexão sobre Montaigne e as mulheres.
“Thunder.”
“Hmmm.”
“Você já deu Montaigne para alguma namorada ler?”
“Nem me fale”, disse Thunder. “Foi péssimo. Ela abominou as coisas que o Montaigne escreveu sobre as mulheres. Um machista idiota e arrogante. Foi como ela chamou o Montaigne.”
“Eu ia dizer exatamente isso. Nunca mostre Montaigne para sua mulher.”
Pedro abriu na página cujo trecho queria ler.
“Aqui, Thunder”, apontou com os dedos para o parágrafo que buscara e encontrara. Pediu a Thunder que lesse em voz alta em seu vozeirão.
“Nenhum de nós pode vangloriar-se de não ter, não obstante o prazer que auferir de uma bela viagem, sentido faltar-lhe a coragem de deixar família e amigos”, escreveu Montaigne. “E, se não chegou a derramar lágrimas de verdade, não foi sem um aperto no coração que pôs o pé no estribo.”
“É exatamente como me sinto diante da viagem que eu vou fazer”, disse Pedro. “Pé no estribo. É uma imagem e tanto, não é?”
“Pedro”, disse Thunder. “Um amigo ausente. Isso dói. Não temos tantos amigos assim de verdade.”
Thunder estava com os olhos úmidos.
“Vou sentir sua falta”, disse Thunder em seu vozeirão momentaneamente enfraquecido.
“Thunder”, disse Pedro.
“Uma coisa eu te garanto. Vou treinar Mario Kart direto enquanto estiver fora. Não agüento mais perder para você.”
E então partiram para mais uma prova na Rainbow Road.

D é de “Dois Amorosos Isolados Numa Multidão”: O Amor de A a Z segundo o Homem Sincero

28/07/2010


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D é de Dois Amorosos Isolados Numa Multidão

E então estamos na letra D em nosso dicionário conciso amoroso. D de dois, dois que são um mundo em si, com sua linguagem própria, costumes específicos e prazeres únicos, inenarráveis, extraídos entre gemidos que fazem mesmo um preguiçoso subir no Everest da volúpia insana …

“Todo grande amor exige um código, uma senha particular e intransferível, algo que pertença apenas ao casal. Significa intimidade, cumplicidade.  Isola duas pessoas numa multidão. Um amor sem código é como uma praia sem banhista, ou um romance policial com fim previsível. Não deixa lembranças que aquecem e iluminam noites frias e escuras. É uma daquelas pequenas coisas que fazem um grande amor. Em Proust, Swann cantarolava um trecho de uma música, e Odete já sabia que horas de amor sôfrego estavam por vir. Em Fitzgerald, Dayse acendia uma luz em sua casa, e Gatsby sabia que ela o estava chamando. O casal apaixonado é criativo. Inventa nomes, trejeitos, olhares, gestos como a luz acesa de Dayse ou a música de Swann. Quando as tolices sublimes de um código são esquecidas é porque o amor acabou.”

Dunga é o novo símbolo sexual brasileiro

01/07/2010

Nosso Clint

Minha amiga Constanza Casinoto me liga de seu iPhone. Por conta dele Constanza fica conectada até quando vai ao banheiro. É uma viciada em internet, em compras e em homens, pela ordem.

“Hernandez?”

Pessoas que conheço há mais tempo, como Thunder e Constanza Casinoto, me chamam de Hernandez.

“Sim, mujer.

“Surgiu um símbolo sexual no Brasil.”

Fico mudo. Não tenho nenhum interesse em conversas em que mulheres dissertam sobre símbolos sexuais. Ou sou eu, ou falemos de literatura, cinema ou qualquer outra coisa. Mas nunca meu silêncio deteve a voz potente de Constana.

“Não vai perguntar quem é?”

Jamais.  Sequer me daria ao trabalho de responder.

“Ele. O técnico”, diz a eufórica.

Maradona. Batata. Batatíssima. O baixinho emagreceu, botou paletó e gravata e está fazendo muito sucesso na Copa. Deve ser ele. Ou não?

“O Dunga!”

Dunga de chapéu de caubói, barba e cigarro

Constanza falou com exclamação.

“Ele é o último dos machos.”

Bocejo de tédio.

“Peitou a CBF, peitou o repórter da tevê, peitou tudo.”

Só falta ganhar a Copa, pensei.

“A expressão dele, Hernandez. Um feio bonito, com aquela fisionomia solitária e enigmática. Ele não ri.”

Homens que riem, aprendi há muito tempo, não são respeitados pelas mulheres. O riso masculino, bem como a dança e a poesia, efemina o homem aos olhos da mulher. Estou falando das normais, claro.

“Ele é o nosso Clint Eastwood. Se perder a Copa e o emprego podia ir para Hollywood, porque o Clint tá no bico do corvo.”

Não gosto dessa gíria, mas acho que se aplica a Clint. Ele já era galã no tempo do leão das matinês de Tom & Jerry. E as roupas, penso? Constanza parece adivinhar.

“Só falta ele mudar o guarda-roupa, Hernandez. Mas ninguém é perfeito.”

Não, não é.

Penso um pouco em Dunga e no Clint de ‘O bom, o mau e o feio’ .

Talvez Dunga seja tudo isso ao mesmo tempo neste momento: o bom, o mau e o feio. Daí, nessa mistura, o fascínio que ele parece exercer sobre as mulheres brasileiras.

Foi só o tempo que errou

22/06/2010

… e então alguém cita nos comentários um texto antigo, e ao procurá-lo vejo que era do tempo em que sequer ilustrava o que escrevia. ‘Foi só o tempo que errou’ pertence a minha fase melancólica. Meu espírito literário, se tenho um, foi moldado por Rubem Braga e Graham Greene, e não surpreende que eu tenha escrito tantos textos sobre fins de caso. Mais uma vez, sugiro que seja lido com a música. E na cena do ônibus, bem, junte-se a plenos pulmões ao coro universal dos desafinados como se por um momento fosse Sinatra ou Billie Holliday.


“Sabe, liguei o rádio do carro naquela estação e pensei: a próxima música que tocar vai ser pra nós”, ela disse. “Tocou uma música que dizia. Dos nossos planos é que tenho mais saudade. Onde está você agora além de aqui dentro de mim? Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou. Vai ser difícil sem você porque você está comigo o tempo todo.”

Os olhos dela estavam úmidos. Ela falava com sofreguidão, com intensidade, e isso não era comum nela. Quieta, discreta, poucas palavras. A pressa com que falava parecia indicar que ela sabia que já não tinham tanto tempo assim para conversas daquela natureza. Era a última oportunidade talvez para olharem para trás e falarem do que representaram um para o outro, ou uma das últimas. Há tempo para chegar e há tempo para partir, está escrito no Eclesiastes, e para eles tinha chegado a hora de partir. Ele não conhecia aquela música. O repertório musical dos dois era diferente, e num determinado momento deixaram de compartilhar as canções que agradavam a um e outro. E os livros, e os filmes, e os planos. Ele foi procurar depois a música da qual ela falara. Vento no Litoral. Legião. “Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar, e o vento vai levando tudo embora.”

“Recebi um email do advogado”, ele disse. “Ele escreveu que tinha sido um final feliz. Final feliz, eu ri ao ler. Final feliz. Antigamente final feliz era, sei lá, bem, não era isso. Não o que ele quis dizer. Que minha proposta de partilha tinha sido aceita, e que estávamos prontos para ir ao juiz para selar a separação. Quando nos encontramos naquela festa. Não, final feliz não era isso. “

“Você”, ela disse. “Você preencheu todos os meus céus. Olhos de estrela nunca mais, nunca mais.”

“Olhos de estrela. Você tinha olhos de estrela. No seu quarto de moça você tinha olhos de estrela.”

Quarto de moça. Rubem Braga. Era um dos textos preferidos dele. Quarto de Moça. Rubem Braga narrava o encontro com uma mulher que ganhara o mundo, e com isso dinheiro e poder e celebridade, mas perdera seu quarto de moça humilde no qual sonhara tanto. Rubem dizia que, se pudesse lhe dar um presente, reconstruiria aquele quarto para ela. Quarto de moça. Ele se lembrava do quarto de moça da mulher com a qual tivera, nas palavras do advogado, um final feliz.

“Eu não consegui fazer você ser feliz, e me sinto fracassada por isso, e isso me dói tanto, tanto”, ela disse.

“Eu também não consegui te fazer feliz, mas acho que significou uma vitória no fracasso. Derrotas podem ser esplêndidas. A nossa acho que foi. Não tiramos a essência um do outro. A tristeza nos uniu, não só ela, é verdade. O sexo era bom, e como era, mas a tristeza foi talvez a nossa conexão mais forte. Não perdermos o que tínhamos de mais genuíno é um triunfo no fracasso.”

“Seus olhos. Seus olhos são tão tristes. Me sinto culpada. Sempre me sinto culpada, você sabe. E se eu tivesse feito …”

“Nós fizemos o que tínhamos que fazer. Nós lutamos. Nós guerreamos, nós fomos guerreiros, os dois, não só eu, você também. Mesmo quando caídos nós combatemos de joelhos pelo nosso amor, por nós dois, e apenas aconteceu que fomos derrotados. Li num livrinho que você me deu que o que importa não é o resultado, mas a luta, a intenção, a entrega, e então nós, sei lá, nós tentamos, e então está tudo bem.” O livrinho ao qual ele se referiu era o Gita. Krishna e Arjuna, o grande diálogo de Gita. Apenas faça, diz o mentor Krushna ao discípulo e guerreiro Arjuna. Ganhar ou perder não diz nada.

“Agimos certo sem querer”, ela cantou. “.”

“Você trouxe uma música, eu trago outra. Desenhos no Jornal.”

“Ah, essa música não. É tão triste. Dói, deus, como tudo isso dói.”
Pareceu a ele que ela estava prestes a chorar, e não havia nada que ele pudesse fazer ou dizer que trouxesse conforto a ela. Ou a ele mesmo. Não há analgésico que diminua a grande dor das coisas que passaram.
“A arte é triste. Uma vez escrevi isso. A alegria não produz nada que preste na arte. Gosto daquele verso. O final. Um rosto distante se apagando no meio da multidão.”

“O jeito como você escreve. O jeito como você olha. Seus livros esparramados na estante, e a luz do abajur até tarde da noite. Eu nunca. Eu nunca vou esquecer.”
“Você dançando. Pequena bailarina. Aquela música. A que fala que todo mundo devia vê-la dançando na areia. É assim que lembrarei de você. Tiny dancer dancing in the sand.”
E então eles se despediram, e então eles eram, para sempre, um rosto distante se apagando no meio da multidão.nos comentário

As mulheres e o futebol: breves reflexões motivadas pela Copa do Mundo

13/06/2010

“Tempo de ver perna de jogador”, me disse minha amiga Bia.
Nunca tinha me ocorrido a verdade transcendental de que a única razão pela qual uma mulher vê futebol são as pernas dos jogadores.
Assim como os homens (pelo menos os duros como eu) não foram feitos para dançar, as mulheres não foram feitas para o futebol.
Há uma incompatibilidade básica entre a delicadeza delas e a brutalidade do futebol. Da mesma forma, existe um antagonismo entre a delicadeza da dança e a brutalidade de nós, os durões.

Detesto ver jogo perto de mulheres. Não porque elas olhem as pernas dos mercenários. Mas porque, não entendendo nada, produzem agitação o tempo inteiro. Dão gritos totalmente deslocados. Qualquer bola perto da área é a iminência de um gol. Escanteios são pênaltis sem goleiro: a comemoração ou a lamúria estridente começa antes.

Ver futebol tem um ritmo que as mulheres destroem em seu frenesi desinformado. Futebol é para ser visto com amigos. Eles sabem quando secar o adversário com algum sortilégio que está funcionando. Sabem ficar quietos na hora certa, xingar os jogadores que merecem e gritar quando o silêncio é um crime de omissão.

Isso não quer dizer que numa copa a mulher não tenha importância. Shakira provou que sim, tem. No lugar e na hora justa. No palco, com um microfone, cantando e dançando num concerto de abertura. A imagem de Shakira estará para sempre associada à Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.

E ao contrário das mulheres, que procuram as pernas dos jogadores, nós os homens durões ficamos encantados com Shakira não pela embalagem, mas pelo conteúdo: a simpatia cativante e a voz afinada da energética cantante colombiana.

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Quem disse que é para odiarmos a nossa aparência?

12/06/2010

Esse cara foi um gênio.
Malcom X foi um herói na história do orgulho negro. Ele falou o coração e para a mente de milhões de pessoas que se julgavam inferiores, e que eram tratadas como se fossem. Assentos em ônibus separados, banheiros separados, vidas separadas.

A pergunta que ele fez aos negros americanos: “Quem disse que é para vocês se odiarem?” Ele enumerou os objetos de ódio: cabelo, nariz, tom da pele. (Tudo aquilo que Michael Jackson tentaria tirar de si ao preço de se desfigurar.)

O que Malcom X falou para seu povo vale para cada um de nós. Quem disse para nos odiarmos? Quem disse para a garota de cabelos enrolados que ela deve detestá-los? Por que a mulher de seios menores (ou maiores) do que os das misses deve abominá-los? Por que devo odiar minhas sobrancelhas grossas?

Temos que gostar um pouco mais de nós mesmos, do jeito que somos.

Foi com essa mensagem que Malcom X entrou para a história. Balas assassinas o encontrariam em meados dos anos 60. Mas sua pregação já tinha seguido caminho e diante dela as balas foram pateticamente impotentes.

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O desabafo da Senhorita G: “Queria ser feia na próxima encarnação.”

08/06/2010

Recebi um email que gostaria de compartilhar com a tribo. Nem preciso dizer que me foi pedida confidencialidade. Tratarei o remetente, uma mulher, como Senhorita G.

“Sou tecnicamente uma gostosa, Fabio Hernandez.  Imagine. Até minhas inimigas me consideram uma mistura de Angelina Jolie com a Scarlet Johansson. Provoco diariamente torcicolo em homens de todas as idades.

Fiquei comovida com a história da americana demitida do banco. Sei exatamente do que ela fala. Mulheres com nossas medidas e nossos traços sofrem demais.  Somos objetos de raiva de todos os feios e feias do mundo, que não são poucos, como qualquer pessoa constata cada vez que olha para a rua.

Tenho 33 anos, como a americana. Estudei administração na GV e fiz MBA em Warthon. Mesmo assim, no banco de investimentos em que trabalho, me olham como se eu estivesse lá apenas pela beleza, e não pelos meus méritos. Três vezes fui preterida em promoções por um único motivo: ser bela demais.

Estou agora mesmo com a edição de uma revista americana com as 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo. São empresárias, executivas e políticas. Um verdadeiro Museu de Horrores.  Uma das mais bonitas era a alemã Angela Merkel, para você ter uma idéia, Fabio. Mesmo Ophra com seus 120 quilos  iria bem numa competição de beleza entre as 100.

Li um comentário seu que achei,  sem querer bajulá-lo, genial. [Gracias!] A tragédia de nós, as belas, é que num determinado momento inevitavelmente seremos chefiadas por uma delas, as feias. Como elas se casam com o trabalho por falta de alternativa, sobem mais rápido. E além do mais, muitos homens, covardes, preferem promover as feias para não dar a impressão de que protegem as bonitas e, com isso, correr riscos na carreira.

Somos discriminadas.

Sou atéia desde que li O Capital, aos 16 anos. Só acredito no que toco e vejo. Deus é o ópio do povo. Se você é religioso, peço perdão pela franqueza. [Observação: fui coroinha na infância, mas aceito perfeitamente sua tese, Senhorita G. Sou um liberal na religião.] Se acreditasse numa outra vida, queria apenas uma coisa: ser feia. Tenho a sensação de que você gostaria da mesma coisa, Fabio. [Hmmm. Menos, G.] Fiz uma foto de burca, um assunto que sei que é do seu interesse. Mando-a porque assim minha identidade será preservada. Um abraço fraternal. G.”



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Nunca vi nenhuma mulher ir a um jornal e denunciar: “Fui demitida porque sou feia demais!”

07/06/2010

Só pra lembrar: feias são demitidas a todo instante e ninguém lamenta e comenta. Nem elas. Nunca vi nenhuma mulher ir a um jornal e denunciar: “Fui demitida porque sou feia demais!” Pense nisso.

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‘Soy la mujer más feliz del mundo’, pensa Mercedes diante de El Hombre

03/06/2010

E então prossegue a saga homicida de El Hombre em seu quarto capítulo. Perturbado com seu fracasso como escritor, ele decide matar Stieg Larsson. Uma mulher belíssima mas indiscreta contara a ele um segredo que Larsson imaginava inviolável. Para fugir a uma quadrilha na Suécia que jurara liquidá-lo por causa das denúncias que Larsson fizera em sua revista, ele simulou a morte. O chefe de polícia de Estolcomo, seu melhor amigo, montou um esquema engenhoso e infalível. Enquanto o mundo chorava sua morte, Larsson vivia uma segunda vida de rei em Aruba, com outro nome e na companhia de três mulheres que, somadas as idades, tinham menos anos que a viúva que não era viúva e não sabia.

Mas o paraíso terrestre de Larsson estava definitivamente ameaçado. O nome da ameaça: El Hombre...

CAPÍTULO 4

Com toda a sua turgidez extraordinária, El Hombre estava pronto para depositar sua virilidade entre as pernas de Mercedes, ali no pequeno apartamento de São Paulo. Todo macho tem seu ritual sagrado de penetração, algo que costuma ser passado de geração em geração, como o uniforme do Fantasma dos quadrinhos. O de El Hombre era bater no peito absurdamente peludo com as duas mãos e, como Tarzan, dar um grito primal.

Ele tinha preparada uma resposta quando algum vizinho batia na porta para perguntar se estava tudo bem. “Fechei a porta da geladeira no indicador”, dizia com desfaçatez num meio sorriso. Sua mente escondia pensamentos que pulavam de galho em galho como macacos amestrados.

Some. Desaparece. Tenho uma mulher maravilhosa me esparando e você vem me perguntar se está tudo bem? Eu que devia perguntar isso pra você. Babaca

Mercedes, à mercê de El Hombre na cama, parecia uma versão melhorada de Sofia Loren ao surgir para o cinema. A tez morena da pele macia, os cabelos longos e fartos que cobriam seus seios como se fossem duas faixas quando ela estava nua. Richard Burton dizia que a principal virtude de Liz Taylor eram os seios, macios e empinados ao mesmo tempo. Ou são uma coisa ou em outra, mas em Liz, na indiscrição galante de Burton, eram ambas as coisas.

É uma pequena que Liz Taylor tenha se transformado numa velhota. Podia ter partido no apogeu como a Marilyn.

A imagem recente de Liz Taylor subitamente tomou conta da mente excitada e atormentada de El Hombre. Michael Jackson fez todas aquelas plásticas para ficar parecido com ela, pensou El Hombre. Vira fotos de MJ, cheio de batom e com a pele branca de albino, e lembrara imediatamente de Liz Taylor. O pesadelo de MJ é que ficara parecido não com a Liz soberba da juventude, mas com a velhota gorda e massacrada por plásticas.

“Vem, precioso”, sussurrou suplicante Mercedes. Ela tinha naquele momento a ansiedade de uma criança na fila de entrada de um parque de diversões. Cada segundo parecia uma hora. Ela tinha uma necessidade física de seu homem naquele instante. Sem a turgidez inacreditável dele dentro de si Mercedes se sentia incompleta, menor, desprotegida.

Soy la mujer más afortunada del mundo.

El Hombre já estava descendo o corpo sobre Mercedes quando sua mente foi tomada por uma associação fatal de sons.

Liz, Liz, Liz … Lisbeth!

E então a imagem do sueco maldito apareceu diante de si, no lugar de Mercedes. El Hombre deu um grito, que provocou um êxtase instantâneo em Mercedes. Mas desta não era ritual. Era terror. Seu coração disparou como as tropas francesas rumo à fuga quando os alemães despontaram nas imediações de Paris na Segunda Guerra. Larsson, em sua alucinação, estava dando uma gargalhada maldosíssma, como se dissesse para El Hombre que tinha vendido 40 milhões de livros e não 40, como o fracassado brasileiro.

Todo o ardor sexual de El Hombre cessou imediatamente como uma bexiga furada. Em seu lugar apareceu um ódio assassino sem limites.

Tenho que exterminar o sueco maldito.

“Tudo bem, Hombre?”

A voz rouca e baixa de Mercedes redespertou seu desejo. Quarenta e cinco minutos depois, a arubenha arfava, triunfal.

Soy la mujer más afortunada del mundo.

Todos os outros homens que tivera, e não foram poucos, pareciam crianças perto de El Hombre, pensava Mercedes com o sorriso de Mona Lisa que sempre aparece na mulher sexualmente satisfeita. Ela levou os dedos hábeis para sua floresta entre as coxas e ficou impressionada. Havia um mar de sêmen. Seu homem jorrava como um vulcão islandês, em vez de borrifar como os demais.

El Hombre e sua saga homicida

Um café antes do extermínio do sueco maldito

Quando, mais tarde, El Hombre se despediu, com uma pequena mala nas mãos e o sobretudo marcante, Mercedes imaginava que ele estivesse indo visitar o tio numa cidade distante, como alegara. Ela não tinha a menor idéia de que El Hombre partia para o que julgava a missão mais importante de sua vida de planos e projetos desfeitos.

O extermínio físico de Stieg Larsson, em seu refúgio de Aruba.

(continua)

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A maldição que pesa sobre as mulheres jovens e bonitas

01/06/2010

Queria compartilhar uma coisa com você.

Essa garota aí em cima, como você sabe muito bem, é Lena Meyer-Landrut. Lena, universitária alemã de 19 anos, ganhou o Eurovision, o maior festival europeu de música.

Num video colocado no YouTube em que Lena canta a música vencedora, Satellite, um internauta teve uma sentença implacável: “Ela ganhou 75% por ser gostosa e 25% por ser talentosa”.

Como?

Vamos ouvir de novo Lena.

Mulheres jovens e bonitas como Leda são constantamente injustiçadas em relação a sua competência. Sobretudo as mulheres veteranas são juízas severíssimas de jovens bonitas. Inveja, raiva, tudo se mistura numa explosão de miséria humana.

E sabe o que é pior? A vítima de hoje, ao envelhecer, se torna vilã. Faz com as outras o que fizeram com ela há vinte, trinta anos.

Lena é a melhor coisa que surge na Alemanha desde o Volkswagen, em minha opinião. Canta, dança, domina o palco e o microfone. Tem o charme inocente de uma namoradinha. Se fosse um pouco mais vulgar, seria uma Lolita morena. Mas não. O homem, ao vê-la, pensa num beijo, não em sexo. Mais que luxúria, Lena inspira ternura.

E tem o mérito maior de uma mulher: o sorriso genuíno, fácil, simples.

O sexo, a vida e a morte

31/05/2010

Camus

VOCÊ MUITO PROVAVELMENTE já leu O Estrangeiro, do Albert Camus.  Aqui, você pode lê-lo de novo. As primeiras linhas são reverenciadas. “Hoje morreu minha mãe. Ou talvez ontem, não sei bem.”

Uma passagem. Queria discutir uma passagem específica desse pequeno grande romance. O narrador é moralmente condenado, num tribunal, porque um dia depois da morte da mãe  faz sexo com Marie. A condenação moral vai levar a outra bem mais drástica.

Camus disse que se O Estrangeiro tivesse que ser resumido numa linha seria mais ou menos assim: quem não chora na morte da mãe está frito.

Bem, o que eu queria colocar na mesa para debater: há algo de errado em fazer sexo um dia depois da morte da mãe? Visto filosoficamente, o sexo é uma celebração desesperada da vida, ou da possibilidade de vida. É uma resposta à morte, em certo sentido.

O que o narrador de Camus fez foi responder com vida à perplexidade nascida da morte da mãe. Ele estava dizendo: “Estou vivo, por incrível que pareça. E vou seguir adiante. Tenho que seguir. Não existe alternativa.”

Só que a justiça dos homens é hipócrita, não filosófica, e você sabe como termina o narrador.

Sexo é vida, não pecado, não indiferença. Quando a morte de alguém nos esmaga, pode ser a melhor forma de consolação e resignação.

Às vezes, a única.

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“A negra dá de dez na branca” segundo meu amigo Thunder, um especialista

28/05/2010

A deusa de Thunder

MEU AMIGO THUNDER, dono de uma das vozes mais poderosas do mundo, é tarado pela Venus Williams. Thunder foi casado com uma quase sósia de Venus, e num momento de indiscrição alcoólica disse, descaradamente,  que a mulher negra “dá de dez” na branca no sexo. “Elas são mais atléticas e  quando suam os hormônios liberam uma fragrância …” Thunder ingressou numa confusa explicação pseudocientífica que fiz questão de interromper brutalmente.

Ele poderia se arrepender, sóbrio, do que me relataria bêbado.

a madame

Madame

Ontem Thunder me telefonou de seu iPhone, esbaforido, e pediu que eu ligasse a talevisão. Mandou, na verdade. Um canal de esportes. Liguei. Venus Williams estava jogando, na França, de lingerie preta, com rendas vermelhas. O decote lembrava os de Madame de Pompadour. Ou pelo menos pareceu lingerie a mim e muita gente. Uma jornalista disse que era um traje mais apropriado para a alcova que para uma quadra. Thunder tinha opinião diferente.

“Hernandez. Hernandez.”  É assim que ele me chama com seu vozeirão de trovoada, que ganha ainda mais ressonância graças à barba hemingwaiana que ele passou a cultivar nos últimos tempos. Thunder, com a barba, tem mais ares de escritor do quase todos os escritores de verdade. Ele costuma repetir meu sobrenome nas nossas conversas. “A Venus já é a campeã na França mesmo que perca. Pescou?”

Pescar, para Thunder, é entender.

Pesquei, mas Thunder não esperou minha resposta. Desligou ainda mais apressado que de hábito, ávido por ver sua deusa negra de lingerie preta desfilar na quadra vermelha de Paris. Não queria reproduzir aqui sua última fala, mas eu seria desonesto se a omitisse. “Hernandez, Hernandez. Cadê o Hombre?”

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Os jovens estão ocupados demais em fazer sexo para estudar sexo

25/05/2010

Uma obra de Jeff Koons quando jovem e casado com Ciciollina

Há um tempo para fazer sexo e há um tempo para estudar sexo.

Este aforismo sexual me ocorreu ao me inteirar sobre um livro recente de uma escritora americana chamada Mary Roach: A Curiosa União Entre Ciência E Sexo. É uma autora respeitada: este livro mereceu uma resenha do New York Times. Roach é verbete na Wikipédia.

Roach, uma velhota cheia de energia, não economizou nada ao fazer as pesquisas. Com o marido Ed, por exemplo, para finalidades de estudo, copulou num espaço limitado, sob a observação de um especialista em sexo que ia fazendo sugestões. Depois de um tempo, Ed recebeu a ordem: “Pode ejacular.”

Roach, no levantamento do material, conta a história de uma mulher que tinha orgasmo ao escovar os dentes. A massagem nas gengivas, o movimento com os braços, tudo isso poderia explicar o estranho fenômeno, segundo Roach.

Ela também foi atrás de um aparelho usado numa experiência cientísica nos anos 50. Um pênis artificial com uma câmara. Ele era introduzido em mulheres que se voluntariavam para um estudo sobre os movimentos dos músculos da vagina durante a penetração.

Num vídeo em que ela fala do livro, alguém nota num comentário escrito o seguinte: “Por que os estudiosos de sexo são sempre mais velhos, e não gente na casa dos 30?” Alguém responde: “Porque os jovens estão ocupados demais em fazer sexo para estudar sexo.”

Pense nisso.

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Dez coisas que provavelmente você não saiba sobre sexo

23/05/2010

Rent-a-Rasta

Rent-a-Rasta

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Devido ao avassalador sucesso de listas anteriores de curiosidades sexuais, volto ao tema hoje.  A visita ao blog aumentou simplesmente 20 vezes. Parecia que eu tinha escrito para o Maracanã. Depois, é verdade, a platéia retornou aos poucos e valorosos de sempre, capazes de se acomodar num ônibus.

Gratidão eterna a estes.

Para ser sincero, não sei exatamente o quanto são confiáveis as informações no lugar em que as colhi, o consagrado site Freak Facts. O que tenho certeza é que são, em geral, divertidas. Rendem conversas de bar. O que mais se pode esperar da mídia além de proporcionar conversas de bar? Que resolva os problemas da humanidade? Isso está provado que não dá.

Bem, aos fatos, ou melhor, supostos fatos.

1) 60% dos adultos da Índia não têm relações sexuais antes de casar.

2) Em tempos antigos, as tribos da África do Sul acreditavam que beber suco da vagina de uma mulher durante a gravidez aumentava o seu sistema imunológico.

3) 80 mil mulheres americanas e européias visitam a  Jamaica cada ano apenas para encontros sexuais.

4) As chances de gravidez aumentam em 75% se ambos os parceiros ejacularem juntos.

5) 40% das mulheres têm medo de sexo durante o dia ou com as luzes acesas.

6) Num namoro, 40% dos homens tendem a se gabar de seu talento sexual antes ou do terceiro encontro. A maioria está mentindo.

7) 65% dos homens mentem sobre o tamanho do pênis.

8 ) De 10% a 15% dos homens quebram seu pênis a cada ano em tentativas inábeis de novas posições sexuais.

9) 35% dos homens dormem dentro de cinco minutos depois da relação sexual.

10) Na Grécia antiga, as mulheres expunham a sua vagina para afastar as tempestades no mar, mas isso nunca funcionou.

Toda mulher precisa de um tapa na hora certa?

21/05/2010

Já viram Jules e Jim, do Truffaut?

Eu não. Quer dizer, vi trechos. Mas não vi inteiro. Vou ver.

Mas acabei de ler o livro. Não sei ainda como avaliá-lo, mas há uma passagem que me chamou demais a atenção. Queria compartilhar e abrir, assim, uma discussão.

A personagem principal feminina, Kate, conta uma passegem sexual de sua vida a Jim, seu amante. O outro homem, diz ela, a pegou com as mãos “pelos dois lados”.

Pelos dois lados.

Jim até ali dividia Kate com Jules, seu melhor amigo, e outros homens. Quer dizer, não era um cara essencialmente ciumento.

Só que.

Ao ouvir a histórias das mãos dos dois lados vibrou uma bofetada em Kate. E ela, triunfal: “Finalmente encontrei um homem que me dá um tapa na hora certa.”

Por algums instantes me passou pela cabeça a hipótese de que o drama supremo de muitas mulheres é passarem uma vida inteira sem encontrar o homem que haverá de desferir uma bofetada no momento preciso, justo.

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Tá certo você fazer a Rainha esperar apenas porque está na cama com a Carla Bruni?

16/05/2010

Vale um atraso

Vale um atraso

Hmmm.

O Sarkozy parece não ter dúvida que sim: tá certo você fazer a Rainha esperar apenas porque está dentro da Carla Bruni. Um livro novo de um jornalista americano conta essa história. Numa conversa com Michelle Obama, Carla contou que ela e o marido chegaram atrasados a uma  recepção oferecida por alguém importante, muito importante, porque estavam em plena fornicação. (Bonita palavra essa, fornicação.)

Tudo indica que foi a Rainha da Inglaterra.

Michelle foi fofoqueira. Mas se Carla não quisesse que o mundo não soubesse seu triunfo sobre a Rainha, não falava dele para a primeira dama americana. Não basta dar um chá de cadeira na Rainha em nome de um orgasmo: você tem que publicar isso.

Quando contei ontem à noite pelo telefone a história para Thunder, que estava claramente já além da quarta dose de scotch, ele me disse a verdade mais pura: “Hombre, se a Rainha está esperando a vida inteira a Inglaterra voltar a ser um império, pode esperar alguns minutos a Carla Bruni!”

Batata. Batatíssima.

É preciso considerar também uma coisa. O Sarkozy não casou com a Carla Bruni para discutir arte, filosofia e questões políticas. Para isso, ele continuava com a mulher très savante com quem estava casado antes.

Thunder teve a frase definitiva, em sua bebedeira descarada: “Não sei quanto tempo a Rainha esperou, Hombre. Mas foi pouco. Comigo ela tava esperando até agora.”

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Ela acha “muito style” seu piercing na vagina. E você, o que pensa disso?

11/05/2010

Nu de Picasso

Nu de Picasso

LEIA ESTE comentário, por favor.

Tenho e acho muito style!
O meu é argolinha e não pus nos lábios, pus acima do clitóris.
Nunca deu infecção porque sempre fui ciudadosa.
As pessoas ficam falando que infecciona e não sei o que, mas se você pensar bem, se a pessoa não for higiênica até o buraco do brinco na orelha vira infecção.
Basta tomar cuidado e ter higiene!”

Quem assina é uma misteriosa Ice Girl, que de gelada nada parece ter. Como você percebeu, o que ela tem e acha muito style é um piercing na vagina. O comentário foi colocado num texto antigo. Achei que ele merecia o centro do palco, para o assunto ser debatido.

Demorei a ver o óbvio, aliás. Uma leitora escreveu na época, diante das palavras de Ice Girl: “Nenhum homem vai comentar?” Instado, coloquei um link para sei lá o que, para cumprir tabela e não fazer papelão. Fiz.

Perdón.

Dia após dia, ao ver as estatísticas do blog, reparo que as pessoas continuam a ler o texto que tratava do piercing na vagina. É, evidentemente, um assunto que fascina os homens e intriga as mulheres.

Intriga as mulheres porque  parece vulgar ou até perigoso e, ao mesmo tempo,  deixa no ar a idéia de que de posso dele os homens serão enfeitiçados. Fascina os homens porque sugere atrevimento, ousadia sexual. Na fantasia mais secreta masculina, o simples ato de colocá-los cria cenas absurdamente eróticas. Que mãos tocaram aquela região? Como foi? Doeu ou …

Desde que não tenha finalidades exibicionistas, acho que é um dos enfeites mais poderosos que uma mulher pode adquirir. Se eu fosse mulher colocaria? Não sei. Não gosto de dor, mas gosto menos ainda da banalidade repetitiva e enfadonha das coisas da vida.

Bem. Sei lá. Graças a deus, ou ao diabo,  não sou mulher. Seria uma tragédia, neste mundo já tão sombrio, ser privado das alegrias proporcionadas por uma mulher.  Na hipótese extrema de que eu fosse mulher, com certeza seria lésbica. Batata. Batatíssima.

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Aqui e Agora: 11 aforismos incontestáveis do Sexo Zen

10/05/2010

Matisse, Nudez Cor de Rosa

Matisse, Nudez Cor de Rosa

1) A melhor xota é a que você está comendo aqui e agora;

2) Não existem seios mais lindos do que os que estão em sua boca sôfrega e gulosa aqui e agora;

3) Os lábios mais convidativos são os que você está beijando insanamente como se não houvesse amanhã aqui e agora;

4) O pescoço mais suave é aquele em que você está deixando sua marca de proprietário aqui e agora;

5) Os pelos púbicos mais macios são os que seus dedos estão percorrendo suavemente aqui e agora;

7) O umbigo mais bem desenhado é o que você está mirando aqui e agora;

8 ) O melhor perfume íntimo de mulher é a fragrância agridoce que você tem em suas narinas aqui e agora;

9) As nádegas mais belas são as que você estapeou com suas mãos justas aqui e agora;

10) A tatuagem mais interessante do mundo é a que você está contemplando como um pequeno milagre da arte no corpo dela nu e aberto a você aqui e agora;

11) Os lábios íntimos mais plásticos são os que você está separando com os dedos lambuzados  em busca do ponto exato, aqui e agora.

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El Hombre decide matar o criador da Trilogia Millennium: capítulo 2

08/05/2010

El Hombre decidido a exterminar o escritor rival

O primeiro capítulo da empolgante saga de vingança de El Hombre pode ser lido ou relido aqui.

CAPÍTULO 2:  NA SUA REVOLTA INSANA CONTRA LARSSON E CONTRA O MUNDO, EL HOMBRE CHEGA A PENSAR EM ENTRAR NA AL-QAEDA DE BIN LADEN

El Hombre tinha um objetivo na vida ao terminar de ler a trilogia de Stieg Larsson: exterminar o autor. Ele sabia que sua morte tinha sido uma farsa. Larsson e seu velho amigo Olaf, chefe da polícia sueca, tinham montado um plano perfeito pelo qual ele não apenas se livraria dos homens que queriam matá-lo como alavancaria violentamente as vendas.

Autor morto vende.

Antes de se decidir pela eliminação de Larsson — agora de verdade — El Hombre considerara a hipótese de repetir sua estratégia. Escreveria, também ele, uma trilogia de livros de suspense ambientados no Brasil. Em São Paulo. Se ele posso, por que não eu?

Lisbeth parece mais paulistana que sueca.

El Hombre refletiu sobre isso. Começava que Lisbeth era morena, e não loira como as suecas. Tinha o corpo miúdo, ao contrário das potrancas de Estolcomo. Era raivosa, vingativa, sendo que as suecas segundo alguns estudos são as mulheres mais felizes do mundo.

E não ligava para sexo.

Ora, até a neve de Estolcomo é familiarizada com a disposição das suecas para a fornicação, como se não houvesse amanhã.

Com tantas incongruências, Lisbeth virou um fenômeno. El Hombre criaria a sua versão, muito mais factível. Uma brasileira típica. Mulata com decotes imensos para destacar seus seios siliconados. Na faixa dos 20 anos, fanática por Bob Marley e Lady Gaga. Repórter de um jornal sensacionalista, Centennium. Sexualmente desinibida, e pronta para usar seu descomunal poder de sedução para conseguir entrevistas que ninguém conseguia. Olhos verdes, por conta de lentes de contato. Especializada em coberturas policiais. Mais de uma vez desvendou crimes em que a polícia boiou.

Que tal?

Ia ser uma consagração igual à de Lisbeth. Um nome. Tudo que El Hombre precisava era um nome para sua heroína. Lizabete? Não, muito parecido. Bebete? Não, lembrava uma música de Jorge Benjor. Salete? Não, poderiam tratá-la como Salada.

Sem um nome não dava para começar. Mas que nome? El Hombre chegou ao extremo de convocar as pessoas que frequentavam seu blog a mandar sugestões. O nome escolhido renderia a quem sugerisse um exemplar autografado do livro encalhado de El Hombre.

Mercedes aguarda El Hombre

Sonhando com El Hombre

Choque. Decepção. Tristeza.

Não apareceu um único nome que prestasse. Depois que acertasse as contas com Larsson, talvez tivesse que promover um extermínio em massa.

Sangue jorrando como uma fonte de catchup no meio de uma praça.

El Hombre fechou os olhos e, num desvario, viu à sua frente um monte de pessoas transformadas em cadáveres por sua AK 47 igual á de bin Laden. Quando a revolta explodiu em seu peito com a mistura fatal do sucesso de Larsson e seu próprio fracasso, ele chegara a pensar em viajar para o Paquistão e se juntar ao Al-Qaeda na condição de homem-bomba. Faria a sua Jihad pessoal, moveria a sua guerra santa contra tudo e contra todos.

Contra o mundo.

Mas desistiu quando se deu conta de que não acreditava numa só palavra de Maomé. Isso poderia lhe trazer problemas sérios entre os militantes do Al-Qaeda.

Não é por aí.

“Hombre?”, ele subitamente ouviu ali na quitinete. Era uma voz doce, sussurrada, um portunhol que cativava pela cadência malemolente.

Mercedes, a arubenha que dedara involuntariamente Larsson.

“Hombre?”, ela insistiu. Acordara ávida pelo sexo incomparável de El Hombre. Tivera sonhos libidinosos e agora queria transformá-los em realidade. Desde que passara a morar com ele aposentara El Niño, seu vibrador em forma de banana.

Seu melhor amigo por muitos anos.

Mercedes queria provocá-lo. Empurrou o lençol para o lado com displicência estudada e abriu ligeiramente as pernas. Como que ronronou, tamanha a suavidade de um suspiro cuidadosamente estudado para excitar o homem irresistível que estava de pé, na sua frente. Com o controle remoto pôs para tocar um bolero próprio para a fusão tórrida entre dois corpos em chamas. Mi vuelves louca …

Você pode fazer de mim o que quiser.

Era essa a mensagem dos olhos suplicantes de Mercedes, tão úmidos quanto seu sexo faminto. El Hombre ia agir por instinto, mas a razão o deteve. Foi até o banheiro e voltou com algo na mão direita. Aproximou-se em suas passadas de felino de Mercedes e pediu a ela que fechasse os olhos e abrisse os lábios que pareciam palpitar, tamanho o desejo de sua dona. Antes de fechar os olhos ela percebeu o elevado grau de excitação de El Hombre.

Um cavalo. Parece um cavalo. Esse é o cara.

El Hombre se aproximou do rosto de Mercedes. Os lábios escancarados esperavam alguma supresa altamente erótica, digna de figurar nas Mil e Uma Noites.

Ela apertou forte os olhos fechados, na expectativa de mais um gesto sensacional de seu homem.

Já bem próximo dela, El Hombre acionou o spray de Listerine de menta que guardava, como uma relíquia,  no armário do banheiro.

Uma borrifada justa, santa.

Mesmo Mercedes, com seu hálito perfumado de dama da noite, precisava dele ao acordar.

Feito o serviço, ele mirou aquele corpo espetacular, que fazia latejar sua intimidade viril. Tudo pronto para a festa.

Exceto por um detalhe.

(continua)

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