Archive for the ‘Fabio Hernandez – O Homem Sincero’ Category

Once Upon a Time in London

04/04/2011

O Violino de Man Ray

“Eu adoraria tocar violino”, Peter falou. “Um tio meu dizia que se você toca um instrumento nunca está sozinho.”

Ele estava passando os dedos pelas costas de Tania. Parecia hipnotizado pela tatuagem, reproduzida de uma foto de Man Ray de 1924 que foi uma das primeiras imagens surrealistas, “O Violino de Ingres’. Man Ray homenageara ao mesmo tempo o corpo feminino, comparado à beleza de um violino, e Ingres. Sua foto remetia à “Banhista de Valpinçon”, de Ingres, uma de cujas paixões era tocar violino.

Estavam na cama do apartamento de Peter em Londres. Tania estava suada, e Peter gostava de seu cheiro assim. Tinham acabado de dar uma volta de bicicleta pelo Bishops Park. O Bishops tinha este nome porque os bispos de Londres ficavam hospedados num palácio ali. Foram margeando o Tâmisa até o final do parque, no ponto em que aparece o estádio do Fulham. Quando estava só, Peter parava ali e se sentava no banco para ler. Sempre ficava por uns instantes também vendo um carvalho de mais de 500 anos do parque, um formidável desafio ao conceito budista de impermanência. Ao chegarem do passeio de bicicleta, Tania quis tomar banho, mas Peter não deixou.

“Peter?”

“Hmmm.”

“E se eu estiver grávida?”

“Vai ser uma festa. Uma festa de nove meses, Tania.”

Peter fora tomado, nos últimos meses, pelo impulso de espalhar sua semente pelo mundo. Dissera isso a seu amigo Claudio, que respondera que era uma resposta infantil e imatura ao sentimento de mortalidade que fatalmente ataca um homem de meia idade.

“Você não vai esquecer que eu sou mulher, Peter?”

Não era a primeira vez que Tania falava nisso. Ela tinha medo de que um filho levasse o pai da criança a tratá-la não mais como mulher mas como mãe.

“Como eu poderia esquecer?”, pensou Peter, os olhos ainda fixados na tatuagem.

Virou-a então para si e se dedicou mais uma vez à tentativa — imatura e infantil, segundo Claudio, mas absurdamente agradável — de espalhar sua semente.

O mito da felicidade

26/03/2011

Ninguém é feliz no casamento.
Ninguém é feliz no adultério.
Ninguém é feliz na solidão.
Logo, ninguém é feliz.

Schoppenhauer escreveu: “A pior coisa que pode acontecer a alguém a nascer”. A essência do budismo: a vida é sofrimento.

Dá para discordar?

Diferenças

26/03/2011

A questão amorosa me traz muitas dúvidas e poucas certezas. Melhor: cada vez mais dúvidas e cada vez menos certezas. Uma dessas é que, para dar certo com uma mulher, você tem que amar basicamente as mesmas coisas. Vou adiante. O ideal é que os dois também detestem basicamente as mesas coisas. O resto é fantasia. Pensar que quando duas pessoas diferentes se juntam uma vai acabar mudando a outra é de uma ingenuidade comovente.

Sobre o casamento

23/03/2011

 

De um grande amigo meu, trago a discussão abaixo.

 

Casar é ruim para os artistas. Cerceia a criatividade. Faz a arte ceder espaço a trivialidades domésticas, como pagar as contas.

Este é um conceito universalmente aceito.

Emile Zola, o grande romancista francês de “Germinal”, se insurgiu contra. Assim como se rebelara, como jornalista, contra a má vontade com que o mundo empoeirado das artes em Paris recebera a inovação de pintores como Manet, Monet e Cezzane.

Em “A Obra” Zola aparece como Sandoz, um jovem jornalista. É o romance em que ele mais se coloca pessoalmente. Numa conversa com Claude, um pintor que está tentando viabilizar a carreira, Sandoz o critica por não casar com a mulher por quem era apaixonado. Ele próprio, Sandoz, avisa ao amigo que em breve vai casar.

Por Sandoz, Zola faz o elogio do casamento. A mulher, afirma ele, traz a disciplina, o equilíbrio necessário para que o artista possa se concentrar em seu trabalho.

Claude acaba se casando. Mas, paradoxalmente, dadas as opiniões de Zola, vive um casamento trágico. O pintor criado por Zolá tem um filho com problemas mentais e jamais se acerta na vida dentro de uma família. Acaba se enforcando.

Isso mostra que Zola talvez não estivesse tão convencido assim das virtudes matrimoniais. Ele próprio se casou formalmente, mas acabaria tendo dois filhos fora do lar.

Manet foi, segundo a maior parte das interpretações, a fonte de inspiração de Zola para o personagem de Claude. Mas também Cezanne, amigo de infância de Zola, é citado.

O que é inegável é que Cezanne não gostou nem um pouco do romance do amigo. A amizade entre os dois terminou nele.

Para a posteridade, talvez por obra de mulheres casamenteiras, não ficou o casamento miserável de Claude. Ficou o elogio conjugal de Zola, cujas palavras você encontra espalhadas em muitos lugares na internet.

Quanto a mim, minha opinião é que, bem, minha opinião não vem ao caso.

Who knows when we shall meet again?

11/03/2011

João estava em seu Smart. Decidiu ligar o rádio ao acaso e ouvir a música que aparecesse.

Fazia isso de vez em quando, nos momentos de angústia e desalento, como se esperasse um sinal.

E então tocou uma música que ele ouvira loucamente anos antes.

Aquele refrão.

Who knows when we shall meet again, if ever.

Quem sabe quando nos veremos outra vez, se é que nos veremos?

Pensou nele mesmo, pensou nela, pensou nos dois, pensou nos sonhos que sonharam e no pesadelo que viveram.

E então o cantor cantou um trecho de despedida poético. Goodbye my love. The stars wait for me.

Aí João acelerou, porque tinha que seguir adiante.

A maior dor

06/03/2011

“Sabe o que mais me doeu no nosso final de caso?”, Lúcio perguntou a Alice.

“Hmm?”

“Foi o sentimento de ter sido tratado como um idiota. Aquelas suas histórias, aquelas suas explicações, aquelas suas desculpas. Aquelas suas mentiras todas. Se você achou que eu ia acreditar, que eu ia engolir tudo, é porque tinha uma opinião realmente ruim sobre mim. Esta é a maior dor que vou levar das nossas ruínas.”

 

 

‘Fiz por amor, não por submissão’

04/03/2011

Ela quer saber o que vcs acham

Nossa Desesperada do Piercing parece que gostou da conversa, como se pode ver no relato abaixo. Ah, sim. Me chamou a atenção uma frase da Desesperada: “O amor diz sim.”

“Fabio, os comentários são muito bons. Mas eu queria esclarecer que fiz o que fiz por amor, e não por submissão. Se X, meu amado, me pedir que transe com outro, transarei. Se me pedir que vá com ele a uma casa de sexo em grupo, irei. Se quiser me sodomizar, deixarei. Isso se chama amor. O amor diz sim. O amor nunca diz não. Antes que me recomendem um analista, vou avisando que eu sou própria sou psicóloga. De consultório lotado. Quanto ao piercing, cada vez gosto mais dele. Curiosamente, não vi ninguém dar uma opinião estética sobre meu seio com o piercing.”

‘Uma decisão tinha que ser tomada’

03/03/2011

 

Recebi  da nossa amiga desesperada uma mensagem que gostaria de compartilhar com vocês.

“Fabio, li todas as opiniões das pessoas de seu blog. Agradeço a cada uma delas, mas uma decisão tinha que ser tomada. E tomei. Neste exato momento, um piercing enfeita meu mamilo esquerdo. Ou, se você preferir, meu coração. Não vou dizer que não senti dor. Mas foi uma dor boa. Meu namorado está feliz comigo. E eu mesma estou mais feliz ainda. Me sinto mais mulher, se você entende. Não melhor que as outras, mas diferente.

Uma mulher desesperada pede conselho

01/03/2011

 

De vez em quando me confundem com um consultório sentimental.
Uma leitora, por exemplo, me conta que o homem que ama pede uma prova de amor. Não uma qualquer. Ele exige um piercing no seio esquerdo.
Por que no esquerdo?
“Porque é o coração”, explica a leitora.
Ela está indecisa e desepesrada. Me pede um conselho. Tem medo da dor. Tem mede de infecções. Tem medo de depois ter problemas de amamentação.
Mas também tem medo de perder o ser amado.
Não sei o que responder. Como homem, tendo a achar que as mulheres deveriam atender todas as solicitações de seus maridos, namorados ou amantes, desde que não sejam absurdas. No fim elas acabam se beneficiando, porque terão um sexo melhor. Mas pode ser uma visão masculina, apenas.
Por isso peço a ajuda de vocês.

Pergunta do Dia

25/02/2011

Me diga uma coisa.

Você se sente, como eu, no meio de lugar nenhum, como eu? Planos desfeitos, sonhos ruídos? Amigos desleais, inimigos desonestos, chefes idiotas?

Se sim, junte-se como eu ao coro da música abaixo.

Silicone

21/02/2011

Juliana me liga. Eufórica.

“Vou colocar silicone, Fabio.”

Juliana tem seios lindos, aos 30 e poucos. Firmes, delicados. Por que acabar com eles e virar uma a mais da multidão das mulheres artificialmente infladas? Ela me conta o preço: 7 000 reais. Pigarreio ao ouvir, mesmo sem ter pigarro.

Dá para passar uma semana em Paris.

“Não aguento mais viver sob o terror de que um dia meus peitos vão cair, Fabio.”

Será que toda mulher vive sob esse terror? É o que me pergunto. Tia Iracema, a maior filósofa sexual que conheci, dizia que a maior vantagem do homem sobre a mulher é que nosso peito não cai.

Hmmm.

Há uma beleza esquisita, penso, nos seios já não tão firmes assim. É como se eles olhassem para nós e dissessem, “meninos, eu vivi”.

Mas este é um argumento que não vai dissuadir Juliana.

 

 

Sobre o ciúme

16/02/2011

Reproduzo aqui um texto de um amigo que mora em Londres. O debate serve para nós.

“Segunda às 10 da noite é dia de tevê em casa.

Passa na BBC 2 Epidodes, a nova série de Matt Leblanc, o Joey de Friends. Ele faz o papel dele mesmo numa série de tevê.

Uma série dentro de uma série, assim como A Noite Americana, de Truffaut, é cinema dentro do cinema.

A história gira em torno dele, Matt,  e do casal inglês que criou a série.

A mulher tem ciúmes ferozes do marido. Dele com Matt, porque viram grandes amigos. Dele com a atriz loira da série, por motivos óbvios.

Há uma situação curiosa que conta muito sobre ciúme obsessivo.

Ele, o marido, submetido a uma situação limite, resiste. Não sai com a atriz.

Ela, a ciumenta, submetida também a uma situação limite, não resiste.  Cede.

A psicologia do ciúme é fascinante. O ciumento em geral enxerga a si mesmo no outro – sua fragilidade e vulnerabilidade diante de tentações. Acha que o outro vai fazer exatamente o que ele faria.

E então agride o parceiro porque a si próprio não dá.”

Pensamento do Dia

13/02/2011

Sábias palavras de Tio Fabio, ditas no seu leito de morte para mim em tom de testamento: “Enquanto há ereção, há esperança.”

O psicólogo e a Senhorita MM

11/02/2011

Há momentos em que tenho vontade de esganar os psicólogos. Este é um deles. Recebi e repasso essa carta, de uma leitora que se assina Senhorita MM.

Na Suécia, o vigarista seria acusado de estupro.  Fazer sexo com uma paciente jovem e fragilizada não é estupro?

Gostaria de ouvi-los.

Fabio

Queria ouvir das pessoas de seu grupo meu dilema.

Que é o seguinte.

Tenho 18 anos. Tive uma pane mental. Depressão, pânico, tudo ao mesmo tempo.

Acabei num psicólogo.

E depois acabei no divã dele. Que é casado. E tem idade para ser meu pai.

Sei que é errado. Mas tenho medo de abandoná-lo e minha crise retornar. Além do mais, é o melhor sexo de minha vida.

E então. Que faço?

O amor e a desconfiança

10/02/2011

“Tínhamos que ter terminado ali”, diz João para Rita. “Naquele dia.”

Ele estava se referindo a quando, no começo do namoro, dera a ela a senha de seu correio eletrônico. Fora um gesto de amor e, sobretudo, de confiança. Ela retribuíra com um gesto de desamor e de superlativa desconfiança.  Invadiu a correspondência. Encontrou mensagens antigas, mandadas para mulheres do passado de João, e teve um acesso de ódio.

“A partir dali não tínhamos mais chance”, ele disse. “O amor suporta muita coisa, mas não a desconfiança doentia. Me arrependo de cada palavra que disse naquela ocasião para acalmar você, de cada explicação que tive que dar ao ser — eu, não você — agredido.”

A beleza excitante da mulher que chora

08/02/2011

 

Algumas pesquisas são simplesmente lastimáveis.

Uma recente mereceu repercussão mundial, e não podia ser mais obtusa. Segundo a pesquisa, o choro feminino tira o ímpeto do homem. Desanima. A explicação científica seria o cheiro da lágrima.

Como a ciência ou pseudociência  pode ser estúpida.

A mulher que chora é a mulher mais atraente que pode existir. Ela está em sua condição mais pura, Frágil, dependente, vulnerável.

Ávida pelos braços protetores  de seu homem e depois pela penetração redentora.

Se o cheiro da lágrima tem alguma coisa que pode não ser excitante, o gosto salgado compensa amplamente. Você beija a mulher chorosa e é como se estivesse no mar, com aquela sensação de sal libertadora.

A lágrima do homem seca a minha porque é sinal de covardia, como disse Sêneca.

O homem fica muito feio ao chorar. Fato.

Mas a lágrima da mulher é um afrodisíaco infalível, não importa o que a ciência possa dizer em sua ilustre, petulante ignorância.

Tudo que um homem quer

05/02/2011

Tudo que um homem quer é uma mulher que o faça se sentir único.

Que ouça quando ele está falando.

Que ache legais as coisas que ele faz.

Que olhe nos olhos quando estão conversando.

Que o prefira a todas as outras companhias do mundo.

Que não o corrija quando ele errar uma concordância.

Que não minta porque a mentira destrói qualquer relação.

Um homem não quer muito, como se vê.

Thunder vai ser pai

02/02/2011

E então Thunder, em sua voz estentórea de Fred Flintstone e com sua neobarba de Hemingway, me liga. Quando Thunder está ansioso, o que acontece basicamente sempre, come as sílabas. Parece estar bêbado, mas não é verdade. Ele só começa a beber quando o sol se põe, embora antes possa tomar bem antes disso um ou dois ou mesmo três uísques para tornar as pessoas e o mundo mais divertidos, ou pelo menos aumentar sua própria capacidade de tolerar a miséria humana.

“Hernandez?”

Ele me chama sempre de Hernandez. Jamais fui Fabio para ele.

“Tá sentado?”

Nem respondi. Apenas sentei em minha poltrona vermelha na qual leio, escrevo, medito e falo ao telefone.

“Vou ser …”

“Hmmm”

Thunder gosta de suspense.

“…pai!”

E então Thunder cumpriu a promessa, ou a ameaça, que vinha fazendo há alguns meses. Pai de umThunderzinho ou uma Thunderzinha. Sinceramente, não sei se dou parabéns ou pêsames quando alguém me diz que vai ter filho. Oficialmente, dou parabéns. Intimamente, hesito. Criança nenhuma merece enfrentar os sofrimentos que a vida inevitavelmente traz. Você nasce e um dia vai ter que enterrar seus pais, por exemplo.

“A mãe é a …”, digo, tentando lembrar da namorada de Thunder.

“Sim, a Malu. Aquela que você disse que é a cara da Ana Paula Arósio.”

É verdade. Quando Thunder me apresentou, logo pensei em Ana Paula Arósio. As sobrancelhas grossas, os traços delicados, os zigomas salientes como os de Lênin, mas mais formosos e rosados.

“Temos que beber, Hernandez. Para comemorar.”

Thunder claramente já tinha feito sua parte na proposta de bebida. Dava para sentir o cheiro da bebida pelo telefone.

“Nomes, Thunder. Já escolheram?”

“Se for menino, Fabio.  Por você, Hernandez. Que vai ser o padrinho. E depois o tutor literário do menino. Só não pode dar aqueles livros de sacanagem para ele ler antes dos 18.”

Bem, Thunder me envolveu em seu projeto de paternidade.

E então torço que seja um menino. Quero experimentar o desafio de ser padrinho. Já me vejo com o garoto no colo, lendo para ele trechos de Rubem Braga, Machado de Assis e Montaigne.

“Thunder?”

“Hernandez?”

“Embora você devesse escolher um padrinho melhor para o Fabito, eu … eu estou … sei lá, comovido.”

Terminada a conversa, penso que vou fazer o máximo para proteger meu afilhado dos males do mundo. E penso por uma fração de segundo que talvez ele mereça um grande amigo com quem dividir as alegrias e os sofrimentos.

Pai eu?

Não. Não. Não.

Ou sim?

João e Rita

31/01/2011

“Você pensou que eu ficaria disponível para sempre?”, João disse para Rita. “Quer dizer. A sua disposição?”

João era médico psiquiatra. Rita, advogada criminalista. Ele moreno como um índio, ela loira com uma cabeleira clara que se esparramava por suas costas como uma capa de super-herói. Ambos na casa dos 30. João era três anos mais novo que Rita. Ela preferia homens mais jovens. Achava mais fácil controlá-los.

João e Rita tinham feito o percurso de todo casal da paixão e dos sorrisos ao ódio e aos insultos. Tinham já se separado fazia algum tempo quando Rita soube que João estava saindo com outra mulher. Rita cobrou-lhe satisfações como se ainda estivessem juntos.

Ela própria estava saindo com outro homem, mas negava isso a João para ter mais força em suas recriminações inoportunas. Era, como todos os advogados, uma mentirosa compulsiva e incorrigível. Num determinado momento, João já não sabia se a conhecia de fato ou se só conhecia a versão falsificada que a própria Rita apresentava.

João se perguntou como pudera fazer tantos planos com ela. Casar. Ter filhos. Viver numa casa de frente para o mar. Como ter uma vida com uma pessoa em quem você simplesmente não acredita?

Você pode até ficar uma vida inteira com alguém a quem não ama. Mas não é possível criar uma aliança com alguém em quem você não acredita.

“Você acabou com a minha vida”, Rita disse.

Mulheres que se autovitimizam não costumam ser boas parceiras. Sempre colocam o homem na posição de devedor. Desprezam o que receberam e supervalorizam o que deram. Rita era assim. Jamais dissera obrigado por nada. E cobrava frequentemente o que dizia ter dado.

Exigia a verdade mas vivia de mentiras. Num determinado momento, João se deu conta de que Rita o tratava como um idiota. Era o fim do romance.  Homem nenhum suporta ser tratado como um idiota. Só idiotas poderiam engolir tantas mentiras.

João de repente se deu conta de que, para começar uma nova etapa na vida, tinha que esquecer a velha. Romper com o passado irrevogavelmente.

“Rita, olha para mim”, ele disse subitamente.

Ela olhou.

“É a última vez que você me vê. Guarde essa minha imagem caso queira. Que você realize todos os seus sonhos. Que case com um princípe europeu de olhos verdes. Que tenha filhos lindos como você. Que faça uma carreira maravilhosa porque tem talento para isso. Que viva perto dos amigos que tanto ama. Mas tudo isso longe de mim.”

E então levantou e foi embora para nunca mais, nunca mais, nunca mais.

Por que Assange não se dá bem com as mulheres

29/01/2011

Parece que o problema é quando tira o tênis

Descobri por que Julian Assange não se dá bem com mulheres.

Segundo o relato de um jornalista americano que o encontrou em Londres, ele cheira “como se não tivesse tomado banho há dias”. As meias e os tênis pareciam estar sendo usados desde a fundação do Wikileaks, disse o jornalista.

Como dizia Tia Iracema, o amor sobrevive a tudo — menos a um tênis que não sai jamais do pé do homem ou da mulher.