El Hombre e Stieg Larsson enfim cara a cara


 

A alegre dança das concubinas de Larsson

 

E a saga de El Hombre se aproxima do climax eletrizante …

A madrugada avançava morna em Aruba, marcada pelo som suave do mar e pela brisa tépida que varria a ilha. Todos pareciam dormir, exceto dois homens, um caçado e outro caçador, Larsson e El Hombre. El Hombre estava em seu traje de Mr Walker, capa e chapéu. Naquela noite se libertaria de uma obsessão que o vinha matando na sanidade.

Mataria a obsessão. Atiraria a causa dela ponte abaixo. O mar levaria o corpo para longe. Um crime simples e perfeito. Não um crime, na mente enlouquecida de El Hombre. Um acerto de contas. Um ato de justiça.

El Hombre estava certo de que a humanidade ganha cada vez que um mau escritor é morto.

Escondido atrás de uma árvore da qual tinha uma visão perfeita da ponte pela qual Larsson passaria, e na qual morreria, El Hombre emitiu um sorrso maligno semelhante aos das bruxas de Macbeth. Alguma coisa aconteceu com seu corpo. Um olhar mostraria o que era. A perspectiva de matar em instantes Larsson lhe dera uma ereção notável.

Parado ali na madrugada arubiana, fez o que um homem solitário deve fazer em estado altamente erétil. Em poucos instantes mais uma gargalhada maligna vibraria em Aruba.

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Larsson estava na porta de seu apartamento, prestes a ir para seu rotineiro passeio na madrugada. Já na porta, Anirak, uma de suas três concuninas arubenhas, pediu que ele não saísse aquela noite. Anirak vestia apenas uma calcinha azul da cor do mar de Aruba. Ela parecia perturbada. Tivera uma premonição em que seu homem terminava morto.

Anirak atirou-se aos pés de Larsson. “Não, não”, dizia, em lágrimas. As duas outras concubinas acharam que ela queria apenas a atenção do mestre, e então se retiraram para dormir, com risos furtivos de quem mulheres que entendem manobras femininas.

Larsson era ateu. Não acreditava em premonições, não acreditava em nada que não pudesse tocar. Mas ficou tocado com Anirak a seus pés, desesperada.

Tocado e excitado. Uma segunda ereção formidável invadia Aruba naquela madrugada.

Larsson fez então o que um homemdeve fazer quando está acompanhado de uma jovem seminua e entra em estado erétil pulsante.

“Oui, Oui”, falava ela sob o sueco. Ele, no adestramento, as ensinara a gemer em francês, a língua do sexo.

Sob as estocadas poderosas de Larsson, Anirak desmaiou de prazer. Larsson aproveitou o momento de calma para dar, enfim, sua caminhada.

A caminhada mortal.

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Larsson acendeu um cigarro no outro quando se aproximou da ponte. Ainda não esava no campo de visão de El Hombre, que no entanto podia ouvir  já seus passos. Mais alguns minutos e tudo estaria resolvido.

Larsson pensava em como a vida era bela longe do frio da Suíça e de sua mulher velha que reclamava, ao ler seus originais, dos erros de concordância que cometia. Ela se tomara de ciúmes de Lisbeth Salander. Achava que era inspirada numa mulher real, e queria que Larsson a suprimisse da trilogia.

A Suécia é o melhor país do mundo a 10 000 km de distância, ruminou Larsson.

Ele começou a atravessar a ponte. Chegara a hora. El Hombre saiu do lugar em que se escondera e foi se aproximando do sueco pelas costas. O barulho do mar neutralizava o som de suas passadas. A escuridão fazia com que o caçador divisasse apenas o vulto do caçado. Larsson já estava a poucos metros, entretido em longas tragadas e em suas reflexões da vida pós-Suécia. Apenas quando sentiu lhe tocarem os ombros é que olhou para trás.

El Hombre levou o maior susto de sua vida.

Parecia que estava se vendo no espelho. Mesmo tamanho, mesma compleição. E as mesmas vestes de Mr Walker.

Além de tudo, as mesmas marcas de êxtase sexual na calça.

Os dois iguais se encararam mudamente por segundos que pareciam intermináveis numa Aruba que jamais vira e nem voltaria a ver uma situação daquelas.

(A seguir: o capítulo final. Quem acertar o final inacertável ganha um ingresso gratuito para o filme sobre o encontro épico de El Hombre com Larsson, caso seja realizado.)

7 Respostas to “El Hombre e Stieg Larsson enfim cara a cara”

  1. Karina Says:

    Assombrado, El Hombre imediatamente transferiu seus pensamentos para o dia em que concluíra as páginas do último volume da trilogia. Imagens se confundiam em sua mente atordoada que tentava, sem sucesso, abafar uma figura que se ia formando em contornos nítidos e desafiadores. Era Anirak, a garota arubenha de Larsson.
    El Hombre se recordava de tê-la ao lado quando, já inundado de ódio, fechara o livro.
    Lembrava-se de tê-la feito sentir toda sua virilidade ao descontar a fúria testosterônica no furor do sexo. Lembrava-se de ouvi-la arfante e de admirá-la rubra. Lembrava-se de tudo. Mas não se lembrava de onde surgiu Anirak. Até… Até que, subitamente, veio-lhe à consciência a semelhança física e impulsiva entre Anirak e Lisbeth Salander. Então um arrepio aterrorizante lhe tomou o corpo. Voltou a atenção para o homem parado diante de si, aquele que lançaria exangue ao mar arubenho, e viu novamente seus mesmos traços e sua mesma calça manchada. Era ele. Era ela. Eram eles.

    El Hombre tinha ódio não de Larsson, que era ele próprio, mas da mediocridade humana que tornava seu livro um best seller. Ele sabia que nenhum daqueles leitores seria capaz de compreender a dignidade submersa nas linhas agora lidas por tantos indivíduos vis e indignos de suas palavras. Seu desejo era exterminar aqueles homens. Não podia. Não devia. Lembrou-se de Anirak e de Lisbeth. De si e de si mesmo. Assumiu que o mundo é abjeto mas pode ser divertido. Fez sinal para seu camarada e seguiram para a casa de Larsson, d’El Hombre, dos dois em um. Anirak-Lisbeth lhes abriu a porta, agora vestida com uma calcinha delicada e amarela como o sol de Aruba, e seguiu calada em direção à cama. Eram duas em uma. A calculada docilidade submissa de Anirak misturada ao ímpeto carnal de Lisbeth. A criatura perfeita disposta a apagar do coração d’El Hombre o ódio mortal que o consumia.

    Naquele pequeno espaço a existência gritou seu valor em sussurros incontidos. Ali estavam… quatro gozando em dois e dois gozando por quatro, numa harmonia cúmplice que só uma suruba em Aruba é capaz de oferecer.

  2. Alice Barros Says:

    Ai ai ai… eu pensando que agora ia ter sangue na história, vejo que Larsson e El Hombre são a mesma pessoa? Como assim, FH?
    Estou ansiosa pelo desfecho!

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