Uma risada diabólica


El Hombre segue sorrateiro Larsson, em seu traje de Mr Walker

Como vimos nos capítulos da saga insana de El Hombre, ele foi possuído pelo desejo homicida de extinguir Stieg Larsson. Larsson simulara a própria morte na Suécia e fora desfrutar da vida nova em Aruba, onde arranjou uma identidade falsa e, logo, três jovens mulheres deslumbrantes e devotadas apenas a satisfazê-lo. El Hombre, que soubera da manobra de Larsson pela indiscreção de uma arubenha que fora ganhar a vida em São Paulo, estava agora na última etapa de seu plano. Subira finalmente no avião que o levaria ao destino final …

A caminho de Aruba, El Hombre sabia que estava destruindo todas as pontes com seu passado. Como um terrorista islâmico, estava disposto a matar para morrer. Aquela era sua jihad, sua guerra santa.

A galáxia era pequena para ele e Stieg Larsson. O sueco escrevera um livro que ele desprezara e no qual encontrara todos os clichês dos bestseller, e virara uma celebridade mundial. Astutamente,  simulara ter morrido para escapar de seus inimigos na Suécia e vivia incógnito e cheio de dinheiro em Aruba, com três mulheres deslumbrantes dedicadas apenas a dar-lhe prazer. A idade das três, somada, não dava a dele.

Um golpe perfeito.

Não fosse a indiscrição de uma arubenha que se apaixonara em São Paulo por El Hombre. Sem se dar conta de que estava assinando a execução de Larsson, ela contou a mirabolante história da nova vida que o sueco levava em Aruba.

Em Hombre sabia que era um escritor muito acima de Larsson. Mais literato, mais culto, mais refinado. Tinha todas as virtudes que um escritor deveria ter, apenas não vendia. Foi se amargurando cada vez mais até chegar à insanidade homicida.

O plano de El Hombre era chegar a Aruba infiiltrado num grupo de turistas. Iria examinar, lá, o melhor caminho a seguir para a eliminação física de Stieg Larsson.

Já em Aruba El Hombre tratou de se dirigir ao endereço que lhe fora dado pela mulher que lhe contara de Larsson. Era um prédio novo e luxuoso, de frente para o mar, na forma de uma pirâmide. Cada apartamento custava 2 milhões de dólares. O de Larsson era a cobertura. Ao se ver miserável diante da construção majestosa, El Hombre deixou escapar um grito de desespero.

Feito o desabafo, ele se lançou ao trabalho. Subornou o porteiro do prédio para que ele contasse detalhes da rotina do morador da cobertura. Disse que era um corretor querendo vender um imóvel para o morador em questão.

Batata.

Soube que Larsson tinha o hábito de dar uma caminhada no começo da madrugada. Era, na verdade, uma exigência de suas três mulheres, umas nativas que pareciam saídas em sua beleza primitiva dos quadros de Gauguin no Taiti. Preocupadas com a saúde de seu homem, abalada por uma vida dedicada ao trabalho, à bebida e ao cigarro, elas convenceram Larsson a adotar um estilo de vida melhor.  A maneira que elas acharam de vencer sua resistência foi oferecer, depois das caminhadas, sessões incríveis de sexo.

"As três mulheres de Larsson pareciam saídas dos quadros de Gauguin no Taiti"

Naquela mesma madrugada, El Hombre seguiu meticulosamente Larsson em sua andança noturna por Aruba.  Viu, astuto e maligno, que em seu trajeto Larsson passava por uma ponte. A grande era baixa. Uma queda e …

Um cérebro envenenado faz rapidamente as piores conexões possíveis.

El Hombre logo viu mentalmente a cena. Um simples esbarrão em Larsson e sua missão secreta em Aruba estaria cumprida. Um toque apenas, mas um toque que mata.

Uma risada plena de ódio ecoou na madrugada de Aruba naquele instante.

Era El Hombre, vestido em seu traje de Mr Walker.

Sem saber que suas horas poderiam estar contadas, o sueco retornou a seu apartamento, onde foi recebido por suas três mulheres, uma com camisola branca, outra vermelha, a terceira azul, todas curtas e transparentes.

Deitado apenas com sua cueca das cores da bandeira sueca, Larsson sorriu para a vida e para si mesmo.  A seu lado, uma de suas mulheres pôs um cigarro em sua boca, uma outra o acendeu e a terceira começou a fazer em seu homem uma massagem tailandesa.

Larsson não demorou a ficar túrgido como o mastro de seu veleiro arubenho. Como de hábito, entrou graciosamente e rapidamente, como para dar saudações, numa, depois noutra e enfim na terceira. A festa apenas começava.

Não longe dali, El Hombre tinha uma ereção diabólica, fruto não de pensamentos lúbricos, mas da constatação de que Larsson não viveria além da próxima caminhada.

Para não perder a viagem, uma vez que seu instrumento pulsava como um mouse desgovernado, levou a mão direita a ele e fez o que um homem tinha que fazer.

13 Respostas to “Uma risada diabólica”

  1. Manu Says:

    “e fez o que um homem tinha que fazer”.

    Clap, clap, clap.

    Fantástico.

  2. Pê Sousa Says:

    Eu, hein, essa saga está ficando cada vez mais virulenta…
    E El Hombre é mesmo patético!

  3. Karina Says:

    hummm….agora está começando a ficar erótico.
    mas a metáfora do mouse desgovernado me distraiu a imaginação.

    e desconstruiu minha imagem d’El Hombre. o meu era canhoto.

  4. Alice Barros Says:

    Hahaha A-DO-RAN-DOOOO essa história! E a sutileza da frase “e fez o que um homem tinha que fazer” foi excelente! A espera do próximo episódio! =D

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