A orquestra de vuvuzelas de Stieg Larsson e suas três mulheres


O trio ternura do sueco maldito

O trio ternura do sueco maldito

E então chegamos a mais um capítulo da saga de El Hombre. Enquanto ele dá os últimos retoques em sua missão de exterminar fisicamente Stieg Larsson em Aruba, onde o falso morto vive na companhia de três jovens belíssima, o sueco ensaia com sua Vuvu Orchestra Millennium e pensa quanto a vida é boa.

Mal sabe ele que um homem, que conhece seu disfarce, vive apenas para matá-lo. Seu nome: El Hombre …


Larsson estava em seu monumental apartamento de Aruba acompanhando a Copa do Mundo. Ele torcia pelo Brasil. Era menino quando o Brasil ganhou sua primeira Copa em 1958, na Suécia. Lembrava da imagem de Pelé, aos 17 anos, chorando nos ombros de Gilmar. Desde então se apaixonara pelo futebol brasileiro.

Larsson assistia em sua Samsung de alta definição Brasil e Portugal. Estava deitado no sofá coberto por uma manta verde-amarela, acompanhado de suas três namoradas arubenhas. Ele vestia um roupão cor de rosa, sem nada por baixo a não ser o balanço de sua virlidade escandinava. As três beldades estavam nuas, devido ao absurdo calor de 41 graus que nem o ar condicionado aplacava. Anirak, a mais dedicada das três, abanava Larsson com um leque catalão. Larsson estalou os dedos e ela entendeu. Foi correndo renovar a cerveja do copázia do sueco sedento.

Os quatro estavam fascinados pela vuvuzela. Larsson via nelas uma manifestação sonora da negritude africana, e torcia para que elas derrotassem a guitarra burguesa.  Eles não sopravam a vuvuzela apenas nas partidas. Por idéia de Larsson, tinham montado a Vuvu  Orchestra Millennium , ou VOM. Larsson já acalentava um plano de gravar um cd.

Ele gostou de não ver Kaka na seleção contra os Estados Unidos. Embora  suas namoradas considerassem Kaka bonito, Larsson o tinha na conta de um bocomoco.  Esticar os braços para os céus para quê? Deus tem coisas mais importantes para fazer do que retribuir acenos de jogadores de futebol. O massacre americano no Oriente Médio. Que Deus estava fazendo para que os americanos caíssem fora de uma região que eles pilham há tantos anos?

Larsson também ficou com a ausência de Robinho. Lera, num site sueco, a piada que corria sobre Robinho, agora com uma esquisita barba que lembrava os jovens jihadistas. Corre, pedala e nada. Quando Robinho surgiu, Larsson viu nele uma segunda volta de Pelé. Parecia a reencarnação do menino negro e magro que ele vira se tornar rei em Estolcomo em 1958. Mas logo Robinho mostrou que sua verdadeira paixão não era o futebol, como Pelé, mas o dinheiro.

Um  skrävlare. Um fanfarrão.

Dunga não. Larsson gostava de sua atitude. Vira o vídeo em que ele xingava um jornalista e pensou que, como todo jornalista, aquele provavelmente merecera ser xingado. Outro skrävlare, com certeza.

Larsson tomou um gole de cerveja em que secou meio copo. Bocejou porque o jogo estava monótono como o inverno sueco. Fez um gesto para suas namoradas que foi mal interpretado. Elas imaginaram que ele queria, como era comum, que elas coçassem sua virilha delicadamente. Mas não. Era um sinal de que a Vuvu Orchestra Millennium iria ensaiar no quarto acústico do apartamento, antes mesmo que o jogo terminasse. Com um cabeceio, Larsson deixou claro que queria que as três se vestissem.  A orquestra era séria demais para que fosse aceitável a tríplice nudez.

A caminho do ensaio, Larsson pensou  que vida podia ser realmente boa. Bastava estar em Aruba com três mulheres jovens devotadas a seu bem estar, e mais o dinheiro para sustentar essa situação. Antes de fechar a porta do quarto para o ensaio, lançou um último olhar para a tela  gigantesca  em que Portugal e Brasil se enfrentavam. Cristiano Ronaldo dera um chute que fora parar na arquibancada.

Skrävlare, ele gritou. As três companheiras da orquestra levaram um susto. Pensaram que Larsson poderia estar estressado. E então o cobriram de beijinhos para acalmá-lo.

“Como eu sou feliz”, pensou ele, a vuvuzela na mão.

… o que ele  não podia saber é que, a 10 000 quilômetros dali, um homem gritava de ódios múltiplos. Das vuvuzelas da África do Sul. Do jogo horrível entre Brasil e Portugal. Do Galvão. Mas, acima de tudo, dele, Stieg Larsson.  El Hombre, é como o conheciam. Sempre enfiado em sobretudos que remetiam ao Mr Walker do Fantasma.

El Hombre

Quase tão sinistro quanto um cugano búlgaro

Quando o juiz apitou o final do jogo, El Hombre foi tomado por um pensamento único que fazia já tempo que monopolizava seu cérebro privilegiado por um QI de cerca de 200, mas atormentado.

Em Hombre só pensava no extermínio físico de Stieg Larsson.

Era hora de sair do planejamento para a ação.

9 Respostas to “A orquestra de vuvuzelas de Stieg Larsson e suas três mulheres”

  1. Gueixa Says:

    Ufa!!!!
    Bem vindo El Hombre!

  2. R. M. Gonçalves Says:

    El Hombre é um Skrävlare. Deveria ter pego Larsson no meio da monotonia daquele jogo sem gols. Assim, haveria motivo para — pelo menos ele — comemorar. 😉

  3. Mariana Meirelles Says:

    Sr. Hernandez, questões difíceis no texto de hoje, heim?!

    “Que Deus estava fazendo para que os americanos caíssem fora de uma região que eles pilham há tantos anos?”

    Talvez esteja ocupado demais soprando criatividade nalguma cachola… mas
    esse Larson… reclamando da presença americana no oriente médio, quando sua própria vida com as três beldades testificam a verdade universal que ‘quem pode manda e quem tem juízo obedece’. rsrsrs

    Se o cd da VOM sair, quero um. rsrsrsrs

    Bjs.

  4. Karina Says:

    Ahhhh… disse e repito: Larsson deve ter balacobaco! Cervejinha na mão??? muuuuito balacobaco.

    Mas, mas, mas… o “balanço de sua virlidade escandinava” não há de ser páreo para o balanço da virilidade africana. E o africano lá PER-DEU uma mulher pro guarda-costas kkkkkkkkk
    Olhos bem abertos, Larsson…

    • Fabio Hernandez Says:

      … as três beldades arubenhas enxergam em larsson um deus … não há homem na terra que possa roubá-las desse deus … exceto talvez el hombre

  5. Pê Sousa Says:

    Estou ansioso pelo embate entre Larsson e Hombre. Acho que será mais emocionante do que a luta entre Superman e Apokalipsis.

  6. Alice Barros Says:

    Agora estou ainda mais ansiosa pela ação de El Hombre… Tomara que esse encontro aconteça em breve!
    Mas eu nunca mais vou ouvir a palavra “vuvuzela” sem me lembrar do Larson com a vuvuzela na mão! kkkkkkkkk

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