Deixe o sol entrar


Esqueci de perguntar: o que vocês acharam do prêmio dado a The Hurt Locker no Oscar?
Torciam por Avatar?
Gostei. O filme de Kathryn Bigelow me remeteu a Hair. Por isso o vídeo acima.
Cada qual do seu jeito, são dois manifestos antiguerra.
A coroa bonita e alegre mostrou o que é uma guerra. Hair gritou chega para o Vietnã nos anos 60.
Confesso.
Fico arrepiado com a apoteose de Hair. Let the sunshine in. Deixe o sol entrar.

Singing our space songs on a spider web sitar. Cantando nossas canções espaciais com uma cítara de teia de aranha. Que mistura estranha e linda de palavras.

De volta ao chão.

Hair nasceu da guerra e voltou agora por causa da guerra.  Era o Vietnã, agora é o Iraque e o Afeganistão.

Mas o grande hino à vida que é Let the sunshine in vale para todas as situações.

Para todos nós.  Nos queixamos muito, nos lamentamos muito, nos amarguramos muito. Fofocamos muito, maldizemos muito, invejamos muito.

E por isso tudo sofremos muito.

Quer dizer que ficamos engaiolados numa borrasca emocional contínua. Que tem efeitos malévolos em todas as esferas de nossa vida. Incluída — vocês são obcecados com isso, não são?  — a vida amorosa. E sexual.

Não deixamos o sol entrar.

Que tal ver o vídeo de novo e deixar entrar hoje, amanhã, sempre?

Tive a convicção, ao ver Bigelow em várias situações, que ela costuma deixar. Quase aos 60, ela parece um personagem da peça que viu na adolescência. O cabelo longo, o sorriso fácil. Por isso é uma quase velhota tão bonita.

Tava na draga. Seus filmes eram elogiados pelos críticos e ignorados pelo público. Quando fez o último filme antes de The Hurt Locker, tinha passado dos 50 e mais uma vez foi um fracasso de bilheteria. Parecia o final de uma carreira obscura, mas ela acreditou que podia falar alguma coisa sobre a guerra na sua linguagem, a do cinema.

O resto é história.

Como Hair, Bigelow é também uma inspiração.

40 Respostas to “Deixe o sol entrar”

  1. Petite Poupée Says:

    Puuxa Fábio, eu sempre quis saber o que ficava entre a mulher linda e a velhota…agora eu sei: coroa bonita, thanks!

    Tenho uma tradição, meio tola, como qualquer uma, confesso: não ver filmes que ganham Oscar! quase sinto certo orgulho disso…

    Quer mudar o disco? Que tal esse vídeo?

    • Fabio Hernandez Says:

      tinha visto, Petite, nossa “Coroa Bonita”, e gostei muito. sou louco pelo john. a mesma campanha tem um outro filme com a brigitte bardot, tão linda que dói de pensar que é hoje uma velhota.

  2. Anarcoplayba Says:

    Positivamente surpreendente.

  3. Anarcoplayba Says:

    Btw, antes que eu me esqueça: Avatar não tem mérito nenhum como história, no entanto, pra indústria cinematográfica é perfeito: agora temos um motivo novo pra ir no cinema (os filmes 3d), o que vai dar uma refreada na pirataria.

    • Fabio Hernandez Says:

      vi alice no país das maravilhas com aqueles óculos, é um barato, muito legal. uma hora um personagem atirou uma bola para a frente e levei um puta susto.

  4. Grace Olsson Says:

    Fábio, AVAtar é o quê?Uma novidade apenas. Mas o vencedor do Oscar ficará apra a história como um grito NOSSO contra o TERROR!E seria bom se todos o a ssistissem e refletissem sobre o rumo que quer dar á própria vida.Afinal de cotnas, a vida de todos depende das atitudes de cada UM.
    dias felzies

  5. Uila Gabriela Says:

    Sem dúvida alguma o Óscar desse ano foi merecido, como há muito tempo não era. O filme é genial.

  6. Jana Says:

    Assisti este filme com um casal de amigos às 14 horas de um sábado e até as 5:30 da manhã de domingo – depois de duas garrafas de champanhe – ainda voltávamos a ele. Concordávamos em dois pontos. Que a “coroa bonita” conseguiu manter o ritmo do filme o tempo inteiro e a imbecilidade que é uma guerra.
    Gostei do resultado. Avatar perto do ganhador é um filme menor.
    Quanto a deixar o sol entrar, me lembrei de O Guardador de Rebanhos de Alberto Caieiro…
    (…)Quem está ao sol e fecha os olhos,
    Começa a não saber o que é o sol
    E a pensar em muitas cousas cheias de calor.
    Mas abre os olhos e vê o sol,
    E já não pode pensar em nada,
    Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
    De todos os filósofos e de todos os poetas.
    A luz do sol não sabe o que faz
    E por isso não erra e é comum e boa.

    • Fabio Hernandez Says:

      que versos bonitos, Jana. Copiei, colei e guardei. Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos/
      De todos os filósofos e de todos os poetas.
      Obrigado por compartilhar.

  7. Karina Says:

    Não vi o filme, ainda vou ver. Mas não preciso assistir a (mais) um filme para reafirmar o que sempre pensei: guerras são uma coisa estúpida. Uma dentre tantas dos quais o homem é capaz. Mas é mais estúpida quando pensamos na quantidade de cabeças que está por trás das decisões que levam a elas. É estúpida na medida em que há muito tempo já não é mais bárbara, mas racional. É isso que me intriga e sempre vai intrigar. A que ponto somos capazes de chegar. E em nome de quê? Mesmo com toda capacidade de verbalizar, dialogar e refletir, ainda hoje a força é um recurso. Não por acaso, a guerra já foi definida no séc. XIX como “a continuação da politica por outros meios”. Meios difíceis de assimilar esses.

    Na Primeira Guerra, houve um fato curioso e conhecido, quando no Natal de 1914 ingleses e alemães estabeleceram trégua de alguns dias. Depois, aqueles mesmos que cantaram e riram juntos, foram mortos uns pelos outros.
    Essa humanidade é que é cortante. Não são soldados de chumbo, são pessoas. E então volta a pergunta: em nome de quê? Não faz sentido.

    • R. M. Gonçalves Says:

      Karina, se minha capacidade mnemêutica não estiver me enganando, creio ter visto cena parecida com este armistício em Bastardos Inglórios. Mas não tenho certeza… não, acho que não! talvez tenha sido em algum documentário…

      A guerra tem vários propósitos, mas a motivação é uma só: A “GANÂNCIA” DO HOMEM!

      • Karina Says:

        Não vi Bastardos Inglórios, Robson, mas se quiser um filme que gira exatamente em torno disso, assista a “Feliz Natal”. É francês, se não me engano.

      • Fabio Hernandez Says:

        Larga de ser preguiçosa e dá informações mais precisas, K.
        Bastardos Inglórios é para ver, como todo Tarantino.

      • Karina Says:

        Bastardos eu vou ver, Fabio Hernandez, ja me comprometi, apesar de Tarantino.

        quanto à preguiça, o trailler compensa? : )

    • Anarcoplayba Says:

      Meio desnecessário, mas já que o tema “filmes de guerra” surgiu: Apocalypse Now e Soldado Anônimo (Jarhead, em inglês) são uma contraposição excelente.

    • Fabio Hernandez Says:

      Na primeira guerra ainda eram poupados alvos civis. Na segunda, crianças, mulheres, velhos, a destruição pegou a todos. qdo as bombas começaram a ser atiradas de aviões, em cidades, foi o “fim da civilização”, nas palavras de um grande escritor americano.

  8. Nina Says:

    Precious é um grande filme que mostra como podemos “deixar o sol entrar”, mesmo no caos. E, de certo modo, mostra a monstruosidade e estupidez de uma “guerra”. A guerra interna, familiar, quando aquele que devia te amar é o que mais te agride, violenta, mata sua alma.

    E isso é belo: estar no meio do caos e conseguir emanar sua própria luz. O sol não está lá fora. Ninguém pode dar essa luz para vc. Gritar por vc. Ser por vc.

    Talvez eu mudaria para “let your sunshine out”. =D

  9. Rafa Says:

    Hurt Locker ainda a ver, junto com Educação, Ilha do Medo e Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos. Bônus? Zumbilândia. heh

    • R. M. Gonçalves Says:

      Me senti altamente atraído por “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos” só de ver o trailer!

      • Fabio Hernandez Says:

        putz, tou completamente por fora. nem sabia que existia esse filme. muito godard dá nisso …

      • Rafa Says:

        Atraído pelo coito entre as fêmeas, eu presumo!

      • Karina Says:

        huahuahuahua juntando lé com tré, agora que me dei conta de que filme vcs estão falando.

  10. R. M. Gonçalves Says:

    O prêmio foi devidamente merecido para um filme que visa tratar uma triste realidade, além de ensinar e mostrar o que a mídia quase não ensina e não mostra: o terror da guerra!

    A Nina comentou sobre a guerra interna, familiar, e “Lembranças”, além de Precious, também se encaixa perfeitamente nesse tema.

  11. Gueixa Says:

    Oi Fabio.
    Não vi o filme ainda. Também tenho certa resistência aos filmes que ganham o “OSCAR”…bobeira né?
    Mas verei este com certeza. Pois todos os que eu respeito falam muito bem dele.
    Quanto ao Hair….Eu tb me arrepio…Me sinto meio boba, mas é incontrolável.
    Guerra é algo tão sem sentido que me causa mal estar pensar em qq uma delas….
    Há uma cena no filme Nós Que Aqui Estamos Que Por Vós Esperamos, do Marcelo Masagão, que me bateu com um machado. É aquela em que ele mostra varios corpos de soldados sendo ensacados para “sepultamento” e a camera pára em um deles e entra a legenda:… “Numa guerra se mata alguém que gostava de espaguete…”….Dentre as várias coisas maravilhosas que o filme mostra, essa cena para mim foi uma das mais marcantes.
    Bem o filme todo é maravilhoso.
    Assim que eu encontrar a cena no youtube eu posto, se vc me permitir…
    Let the sunshine in…let the sunshine in….let the sunshine in…
    Jai Guru Deva Ommmmm

    • Karina Says:

      “Numa guerra se mata alguém que gostava de espaguete…”

      Hitler disse que quando uma pessoa morre é uma tragédia, mas quando milhões morrem é estatística.

      Mas números não gostam de espaguete nem têm uma história.

    • Gueixa Says:

      Essa é a cena….
      Gente …É um dos mais belos filmes que eu ja vi…

      • Fabio Hernandez Says:

        Bacana, Gueixa, exceto no título. Obrigado por compartilhar.

    • Fabio Hernandez Says:

      que bom que vc achou e postou, Gueixa. sugiro que veja Guerra ao Terror, é um grande filme, com ou sem Oscar.

  12. Jorge Gustavo Says:

    Eu acho que devemos ir devagar com o andor acerca de Guerra ao Terror. De certa maneira, ao procurar dar uma humanizada nos protagonistas do conflito, não deixa de ser um pouco ufanista em relação ao papel dos EUA nele.

    Fica então a discussão – dar o Oscar a um filme que nitidamente criticava o imperialismo ocidental (mas que era um lixo enquanto cinema revisitando Pocahontas mesclada aos smurfs) ou a outro que, de certa maneira, humaniza e heroiciza os protagonistas do conflito?

    Creio que é mais válido reconhecer em Guerra ao Terror o mérito de ter trazido a primeira estatueta a uma diretora. Ainda não é o reconhecimento que as mulheres merecem, pois Guerra ao Terror não é um filme apresentado por uma ótica feminina.

    Mas já é um começo.

    • Fabio Hernandez Says:

      JG, não concordo que o filme seja favorável aos americanos. Mostra um bando de soldados ocidentais aterrorizados, desconfiados de todo mundo, e fazendo absurdos. Para mim, é um filme que é simplesmente contra a guerra.

    • Heleno Says:

      Concordo Fábio,

      O filme é devastador – mostra o terror dos soldados americanos que não podem confiar nem em crianças no Iraque. É tensão do início ao fim do filme.

      Aquelas bombas montadas em estilo “cadeado”(dai o porque nome do filme) mataram milhares de soldados na ocupação nas cidades do Iraque até o momento. Aquela divisão anti-bombas é que evita mais mortes, indo antes e desarmando aquelas bombas improvisadas com mísseis para que os comboios de soldados possam transitar nas capitais ocupadas.

      O filme é sim, um aviso aos pais, eleitores americanos e ao próprio presidente Baraka Obama sobre o que acontece na guerra. Milhares de soldados que morreram não em confrontos, mas em explosões sob a forma armadilhas com bombas detonadas por “insurgentes” (os iraquianos que não são terroristas, mas apóiam os terroristas contra os soldados americanos).

      Bigelow e equipe tiveram total mérito por trazer isto para as telas e gerar discussão sobre isso. Um filme barato e contundente.

      Esse foi o grande mérito do filme: tentar mostrar a realidade, a tensão e o terror que é ser soldado americano Iraque.

      Foi a realidade contra a fantasia. Ganhou a realidade.

      A academia foi feliz em premiar isso.

  13. Heleno Says:

    Isso me lembra a maior de todas as injustiças do Oscar: 1999 Oscar de Melhor filme para Shakespeare Apaixonado, enquanto o magistral “O Resgate do Soldado Ryan (Private Saving Ryan) amargou aquela derrota.

    A cena em que os soldados chegam a praia no Dia D e alguns morrem com saraivada de balas e tiros de canhão, e um deles partido ao meio por uma granada diz “mamãe” é a cena devastadora de filmes de guerra, porque é baseada em relato de veteranos da II Guerra Mundial.

    Aquilo eu nunca vou esquecer. Quem lembra de Shakespeare apaixonado? agora que não lembra de “O Resgate do Soldado Ryan”? ganhou 5 oscars (incluindo o de melhor diretor para Spielberg) e entrou pra história do cinema como um dos cincos filmes mais influentes de todos os tempos.

  14. Filippo Contini Says:

    Filmes de excelente qualidade foram citados aqui, com exceção de Avatar que achei uma tremenda porcaria, “com exceção” dos efeitos especiais em 3D que me deixaram embasbacado!

  15. Filippo Contini Says:

    Filmes de excelente qualidade foram citados aqui, com exceção de Avatar que achei uma tremenda porcaria, “com exceção” dos efeitos especiais em 3D que, não obstante ao enjoo causado, me deixaram embasbacado!

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