A Grande Arte da Bota: Parte II


Já chegamos a uma conclusão no Guia da Bota. Existe a hora errada. Mas chamo a atenção para mais uma coisa. Existem também as palavras erradas.
É o que mostra a instrutiva cena desta filme, Strange Days. Gritar “acabou”, sobretudo quando o outro quer sinceramente ajudar você, é um erro. Se você terminou de refrescar os seios na frente dele depois de uma dança e música lascivas, é quase um crime.
É o que faz Juliette Lewis neste filme. A vítima é Ralph Fiennes, vocês devem ter visto.
Uma curiosidade é que é um filme de Kathryn Bigelow, a diretora de A Guerra do Terror. É dos anos 90, num período em que ela era casada com James Cameron. Ele é o roteirista do filme.
A crítica é mais ou menos unânime em considerar que Strange Days foi injustiçado pelo público. Me lembra uma tirada do Oscar Wilde. Depois da estréia de uma peça sua, perguntaram a ele como tinham ido as coisas. “A peça foi muito bem, mas o público foi muito mal.”
Podíamos travar uma conversa cinematográfica aqui, mas o objetivo é a utilização de uma cena para darmos mais um passo na elaboração da etiqueta da bota.
Gritar “acabou” não. Não gritar, aliás. Nem sussurrar, como a garota do texto anterior.
Falar num tom adequado as palavras certas com a doçura possível, como um chefe numa empresa moderna como o Google que tem que demitir alguém.
Nosso anarquista favorito falou em deixar morrer. Acho cruel. Prolonga uma situação desagradável, e a vida é curta.
Juliette Lewis foi na lata naquela cena. Não deu tempo sequer para o mocinho chegar até a porta. Não foi bem.
Como Aristóteles pregava, deve existir um meio termo.

59 Respostas to “A Grande Arte da Bota: Parte II”

  1. Anarcoplayba Says:

    Não sei e eu diria que deixar morrer de falta de água é uma crueldade desnecessária. Podemos pensar que é uma câmara de aclimatação.

    O término brusco amputa um relacionamento com um pedacinho de vida ainda. Dói.

    Deixar morrer de falta de atenção faz com que a pessoa termine pensando que “já não andava lá aquelas coisas mesmo…”

    • Nina Says:

      E vc acha que isso não dói?

      Não tem como evitar a dor da bota. Mas a dor prorrogada por vc fingir ser quem não é considero pior. Pois aumenta a probabilidade da pessoa começar a ter milhões de idéias equivocadas a respeito dela mesma, e de ficar se debatendo, tentando reanimar aquilo que já está morto, mas se faz de vivo.

      É um altruísmo falso.

  2. Gabriela Says:

    Já estive dos 2 lados, com 2 pessoas de quem eu gostava mto. Doeu nos 2, mas como esse post é sobre como terminar… Vamos a ele.

    Devo discordar totalmente do comentarista acima. Em minha humilde opinião (e por favor, sem ofensas) acho “deixar morrer de falta de atenção” uma grande prova de covardia e falta de respeito pelo pessoa q algum tempo antes vc escolheu para dividir sua vida.

    • Anarcoplayba Says:

      Comentei isso no texto anterior, Gabriela:

      “É covardia.” Foda-se.

      “Vc devia falar na cara que n quer mais nada.” Pra ela chorar ou brigar ou discutir ou debater? No, thanks.

      “Ela vai te odiar.” Come on! I want you to hate me as hard as you can!

      Acho ridícula essa coisa de “espero que a gente possa ser amigo…”.

      Não, não espero. Espero nunca mais te ver, e, talvez, no máximo, daqui a alguns anos saber que vc casou, teve filhos, e está feliz.

      “Quer dizer que vc não consegue manter a amizade com as suas ex?” Ao contrário, mantenho com a maioria, mas o fato é: eu não termino pra manter a amizade. Eu TERMINO. Ponto. SE depois disso vai ficar uma amizade ou não, depende dos dois e de como cada um se sente e se comporta.

      Relacionamentos morrem (como tudo o mais). Vamos cremá-lo, jogar as cinzas ao vento, negar, se enfurecer, barganhar, se deprimir e superar. Depois, move on.

      E ainda citando mais um trecho dos comentários no outro post: Eu não quero sair bem eu quero que as coisas terminem fácil. Se eu estou passando por covarde, não tem problema: prefiro que ela me odeie a ficar pensando em mim como um cara legal.

      • Gabriela Says:

        Eu tinha visto sim. Mas por ser a segunda vez n resisti de comentar o comentário.

        Ainda sou do tipo de pessoa q prefiro n ser odiada por alguém q amei.

        Respeito, consideração, sinceridade, coragem, delicadeza são necessários durante o relacionamente, pq n no fim?

      • Anarcoplayba Says:

        porque às vezes se deixar ser odiado é um ato de bondade. Cauteriza a sangira desatada.

      • Nina Says:

        Ainda considero um falso altruísmo.

        Vc está sendo dicotômico. Não precisa nem ir matando aos poucos, nem servir chá e dizer “vamos ser amigos”?

        Até porque, na grande maioria das vezes, quando um decide terminar é pq o relacionamento já não está bom. E se a contraparte não viu isso, é cego. Não há cumplicidade genuína.

        Para dar a bota é necessário o binômio o que falar + como falar. Muita doçura eu acho complicado Fábio, porque vc estará sofrendo tb. Isso é importante ressaltar: sempre dói. Qualquer término de qualquer coisa dói. Sair da casa dos pais dói. Terminar a facul, se despedir e não ver os amigos, dói. Terminar aquele livro maravilhoso tb dói. Com relacionamentos não poderia ser diferente.

        Pq fugir da dor? Pq nao aprender com ela? Torná-la nobre, honrosa?

    • R. M. Gonçalves Says:

      Concordo integralmente com vc, Gabi!
      Protelar não é a melhor solução, principalmente pra quem está recebendo o “desprezo”, fruto de um autoengano que só piora o que ainda resta de convivência.

  3. Gueixa Says:

    Palavras certas? Não creio que haja. Gentileza e consideração sempre, claro.
    Agora eu tb ja vi gentileza e educação serem imterpretados de forma absolutamente partcular. Ou seja, quando o outro não quer aceitar o fim, não ha muito o que se fazer. E acho que nunca queremos aceitar o fim.
    A Karina disse : Se não tenho fígado para suportar tudo que um relacionamento implica, do começo ao fim, então n tenho condições de começar um relacionamento. Mas isso é exceção. A regra é que é muito dificil lidar com sentimentos, sejam os nosos ou o dos outros.
    Eu continuo com o “nosso” anarquista favorito. Acho péssimo ter que terminar…Sinceramente prefiro tomar o pé…

    • Karina Says:

      Muito difícil sim, Gueixa. Mas lidar com meus sentimentos é um problema meu comigo. A partir do momento em que envolvo alguém, parte do que aquela pessoa sente n é só responsabilidade dela, é minha tb. Ter respeito, inclusive qd a gente vê que a coisa n está mais legal, é o mínimo.

      Isso n quer dizer que eu n entenda e concorde qd vc diz que gentileza e educação podem ser interpretados de forma particular. É verdade. Mas terei feito minha parte. Dali em diante, é com ele. Se se tornar chato a ponto de provocar um reação muito pior, aí sim: dane-se.

      • Nina Says:

        Perfeito. Nós não temos controle nenhum sobre como o outro vai interpretar qualquer coisa que a gente faça. Muito menos a bota.
        Mas temos controle no que a gente fala, faz. Na nossa ética. Na nossa consciência tranquila.

        Se o outro interpreta isso de forma equivocada, talvez com os olhos embaçados pela dor, o que podemos fazer? Manter um relacionamento que já morreu por medo de magoar é magoar. É não ser verdadeiro. E o pior: ambos sofrem. Escondidos.

        Ninguém se junta para viver assim né? Mas é impressionante como a maioria assim o vive.

        Por medo de sofrer, já sofrem.

  4. Karina Says:

    Mas o que eu queria mesmo é reproduzir uma frase que li hoje, muito oportuna por sinal. Vcs paulistanos vão poder comprová-la:

    “Relacionamento é como a Av. Paulista: começa no Paraíso e termina da Consolação”

    hein? =)

  5. Gueixa Says:

    Olhe Fabio, eu gostaria que fosse tudo tranquilo e calmo como nessa musica que vou postar aí embaixo.

  6. Filippo Contini Says:

    Independentemente das “palavras” usadas o que importa é a verdade, a educação, a sinceridade, a coragem e a honradez que a pessoa deve ter em respeito a outra.
    Essa história de deixar morrer aos poucos de forma a fazer com que a outra pessoa termine a relação é um ato de covardia e indignidade. O desprezo machuca muito mais do que um fim súbito!!! Além de desperdiçar o tempo de ambos.

  7. Anarcoplayba Says:

    Ok, reiterando um texto muito velho e antigo:

    Não existem valores absolutos. Coragem, em si, não significa nada. Coragem só serve para levar a cabo uma idéia. O valor está na idéia em si.

    Verdade? Qual verdade? A natureza mente. A tentativa de sinceridade é mero orgulho. Uma tentativa vã de se colocar acima do mundo. Olha, eu te machuquei, mas fui sincero!

    Honra? Honra é coerência. É identidade entre discurso e atos. A honra de um samurai é morrer pelo seu suserano. A du um Shinobi, cumpri a missão, doa a quem doer.

    Nunca vai ser fácil pôr um relacionamento a cabo. A pergunta é: você vai fazer o que é melhor para você ou para o outro? E o que é o melhor para o outro? Cada um é uma pessoa diferente, e cada um tem uma verdade.

    “Não se esqueça por favor que você é um ancião de 500 anos no vício de uma ideologia. Pra abrir caminho, pra se justificar diante de si mesmo, diante da vida e de Deus, você tem de abrir é estrada larga, franca. E no seu caso, o seu maior perigo é ser sincero. A tal de “sinceridade” que você invoca é o seu maior perigo. E que sinceridade se você não é você? A sua sinceridade por enquanto é a sua espontaneidade. E a sua espontaneidade são dez milhões de anos de crimes humanos, dois mil anos de traição ao Cristo, duzentos anos de burguesia capitalista, vinte e um anos de filhinho de papai, quinze anos de aluno de escola e professores que ensinaram de acordo com tudo isso. Isso é sua “sinceridade”. E você sabe que ela não vale um tostão. Porque até agora escolheram por você. Agora é que você vai escolher.” Mário de Andrade em carta a Fernando Sabino

    • Filippo Contini Says:

      Eu espero que minha esposa jamais tenha um comportamento assim comigo caso ela deixe de me amar.
      Espero que meus filhos não ajam desta forma mesquinha com as pessoas aos seus redores, nem com minha família, nem com seus professores.
      Espero que meu chefe, meus amigos, enfim, pessoas que convivo não se comportem desta forma degradante com o subterfúgio de culpar o passado e a natureza humana em conceitos obsoletos e antiquados.
      Andrade era um bom escritor, mas não por isso tomo para mim as suas ideias, nem falo pela sua boca, pois se assim o fosse eu jamais poderia ser eu mesmo.

      • Anarcoplayba Says:

        E foi exatamente por isso que eu citei Mario de Andrade: Pq ele colocou de uma forma bem clara e simples: Sua sinceridade nada mais é que sua espontaneidade. E ser espontâneo não significa ser você mesmo (nem significa não ser).

        Inúmeros preconceitos passam por “sinceridade”.

      • Filippo Contini Says:

        Tais como?

      • Anarcoplayba Says:

        Várias coisas, que passam por besteira ou não.

        Pessoas que geram atrito porque “são sinceras”, pessoas que “não levam desaforo pra casa”, pessoas que “são ciumentas porque gostam”, pessoas que “falam o que pensam”, pessoas contra o aborto porque Deus não quer, pessoas que falam que a vida é intocável, etc, etc.

        Se não me engano Kant falava do imperativo categórico, sobre as regras morais de comportamento. Não mate porque Deus não quer. Se você coloca uma solução estanque e parada, você está se abstendo de refletir a respeito, o que é uma abstenção do exercício da Razão.

      • Filippo Contini Says:

        Sim, concordo que a pluralidade indivíduo-comportamental nem sempre se embasa na sinceridade impoluta sem os preconceitos inerentes a qualquer discordância de pensamentos.

        Mas busco não levar isso como regra generalizada e me atenho precipuamente ao senso-comum, ou seja, àquilo que faz bem a mim e ao outro o mais equitativamente possível, à revelia do sofrimento que possa recair sobre minha atitude.

        São maneiras distintas de exercitar a razão.

    • Karina Says:

      Anarco, vc tocou num ponto que eu ia abordar qd li seu comentário anterior, mas fiquei quieta pra n entrar em mais esse debate. Algumas discussões são muito pouco produtivas e cansam à toa. No final das contas, vc vai ficar com seu pensamento e eu com o meu, e isso n muda nada nossas vidas pq nossos comportamentos só vão afetar mesmo a quem estiver conosco. Mas enfim… lá vai…

      Vc disse antes: “às vezes se deixar ser odiado é um ato de bondade”
      E agora: “A pergunta é: você vai fazer o que é melhor para você ou para o outro? E o que é o melhor para o outro?”

      Eu te pergunto, então: é um ato de bondade para quem?

      Para vc, é claro. Pq ser odiado é mais cômodo do que discutir, mais cômodo do que se dispor a escutar aquela pessoa que vc quer mais é ver pelas costas.

      Mas, do lado oposto, vc acha mesmo que a pessoa que ainda está com vc pq gosta de vc vai preferir odiá-lo?? Acha mesmo que ela prefere se sentir enganada, uma trouxa que amou um cara que depois n mostrou um pingo de consideração por ela, a ouvir de vc que não dá mais? Juro que n acredito nisso. Não como regra. Sabe pq? Pq n é simplesmente ódio que isso vai gerar, é decepção. E a dor da decepção é muito mais profunda do que a dor do ódio. Então, em último caso, mesmo que a “amputação” gere uma dor imensa, é uma dor que passa; mas deixar que o relacioamento morra exangue, como vc defende, gera uma dor que desce fundo, uma decepção que vai além daquele relacionamento e pode se instalar como uma descrença nas pessoas de um modo geral: “Se dele em quem confiava tanto recebi uma facada dessas…”

      • Karina Says:

        bom, eu ainda ia concluir, mas apertei sem querer e foi, o que significa que n revisei nem sei se está compreensível, mas é basicamente isso mesmo.

      • Karina Says:

        Então, Anarco, concluindo, pq n vou sossegar se n concluir… seja exatamente como vc é. E quem é cada um aqui para pretender negar isso? Mas seja assim desde o início, desde sempre, seja claro assim para as pessoas que o rodeiam, como está sendo claro para nós, pq aí sim vai estar seguindo seu ideal de honra, no qual tb acredito.

      • Anarcoplayba Says:

        O conceito de facada é que precisa ser revisto, Nê.

        Tem gente que acha que “olha, não vai rolar mais” é mais facada do que deixar as coisas esfriando.

        Pense em termos de choque: o que é pior “estava tudo tão bom, mas ele quis acabar” ou “Já não andava lá essas coisas mesmo…”

        Gera decepção? O que não gera? “Olha, conheci outra pessoa”, “Olha, não é com você, é comigo”, “Não tenho apetite por você”, “Quero uma pessoa mais madura do meu lado”, “Virei gay”?

        É mais fácil pra mim deixar esfriar e morrer? É. Prefiro isso a ter que responder ao inevitável “Por que?”. Como você explica pra uma pessoa da qual vc gostou que agora não gosta mais? Ou melhor, explica por que não gosta mais?

        E se ela fala a pior coisa que existe pra se ouvir: “Me dá mais uma chance?”

        E eu reitero (como você já imaginava) prefiro mil vezes passar por um babaca a passar por um cara legal “que quer coisa melhor”.

        Por sinal: colocando as coisas no terreno empírico: eu ainda converso com as mulheres que um dia me acharam um babaca.

        A raiva passou, o ódio passou e no fim o resultado foi: ele é um cara gente fina, mas é péssimo namorado.

        Vai saber: talvez elas estejam certas.

      • Filippo Contini Says:

        E quantos anos de sua vida, Anarco, serão desperdiçados nessa tática?

        E se a mulher te amar tanto que mesmo com o seu desprezo ela permaneça ao seu lado?

        Você consegue estar ao lado de uma pessoa desta forma por um, dois, três, dez anos? Até que ELA se canse?

        Última questão: é casado, ou já foi? você tem filhos?

      • Anarcoplayba Says:

        Solteiro e sem filhos.

        Quantos anos? Meses, no máximo.

        Eu já não estava satisfeito, a partir do instante em que ela ficou insatisfeita, o que mantinha a nós dois juntos acabou.

        “E se a mulher te amar tanto que mesmo com o seu desprezo ela permaneça ao seu lado?”

        Eu nunca começaria nada com uma mulher dessa, for starters.

      • Filippo Contini Says:

        Nunca começaria nada com uma mulher dessa?

        Como então, à luz de Kant e fundamentando-se no imperativo categórico você consegue saber sobre o “comportamento futuro” de uma pessoa?

      • Karina Says:

        resumindo: é mesmo uma questão de o que é melhor para vc. ponto. ok, entendo mesmo. Mas esse lustre de “generosidade”, de “estar fazendo o melhor para o outro”, isso n dá.

      • Anarcoplayba Says:

        Como eu consigo saber sobre o comportamento futuro de uma pessoa?

        Sabendo.

        Eu treinei pra entender pessoas, prever e pressupor. Na maior parte das vezes eu acerto.

        “Ah, mas e se você estiver errado?”

        Se eu estiver errado, oras, eu joguei o meu Jogo onde as probabilidades indicavam o melhor resultado.

        E acredite: o livre-arbítrio é muito mais arbítrio do que livre. É tudo uma questão de entender onde estão as correntes.

      • Nina Says:

        Advogado é foda. A arte da retórica sempre se faz presente.

        Alguns pontos: vc não precisa explicar pq nao gosta mais. Vc precisou explicar pq gostava dela? Aliás, outro equívoco muito comum: a tal das justificativas. Não tem muita justificativa. Talvez haja uma incompatibilidade entre os dois. Não é que um está certo e o outro errado. Simplesmente não são mais compatíveis. Ou vc percebeu que não é mais isso que quer e continuar isso agora só geraria mais sofrimento para ambas as partes. E se a contraparte começar mas pq pq pq pq ou “e se”, corte, gentilmente. Não dá mais. Simples assim. Dolorido assim.

        Eu espero encontrar alguém com o qual possa ter esse nível de conversa. Caso contrário é mais uma prova de que estava com a pessoa errada. Imatura demais, talvez. Sem consonância.

        b) Anarco, vc preve comportamentos de pessoas plenamente previsíveis. Quero ver prever cptos de forma tão acurada daqueles que vão para a ilha.
        Um nível básico de previsão é possível. Mas cuidado para não sufocar a pessoa no rótulo que vc criou. Aí vc não consegue ver nada além do seu próprio pré-conceito.

        c) hmmm… deixa para lá

        d) concordo qdo vc diz que há muito preconceito na palavra sinceridade. Mas eu ainda acredito que a verdade vos libertará. E acho que Darwin concordaria com sua discípula.

  8. Gueixa Says:

    Bem eu li certa vez que q gente deve fazer pelo e para o outro aquilo que a gente quer fazer e pronto.
    Essa historia de não fazer ao outro o que não queremos pra nós, é um raciocinio simplista, acomodado, e descompromissado.
    Devemos fazer aquilo que queremos fazer de fato. E arcar com as consequencias do ato.
    Eu continuo achando que é muito dificil terminar um caso/namoro/casamento.
    Continuo achando que o meu Anarquista Favorito tem razão, O tempo ajuda na aceitação e a dor fica menor pra ambos.
    Eu fui casada quase que minha vida inteira rsrs, e não passei por essa situação.
    Mas concordo de novo com o Anarco, tb não começaria nada com um homem que fosse carente a esse ponto.

  9. Filippo Contini Says:

    De acordo que seja difícil terminar um relacionamento!

    Mas, se fosse o inverso, ou seja, (hipoteticamente falando) se o seu amado um belo dia não a amasse mais, o que você preferiria?

    1. que ELE fosse direto ao ponto e dissesse logo a verdade inevitável, independente da dor que possa causar a ambos?
    ou,
    2. que ELE ficasse te enrolando e pisando nos seus sentimentos, causando aborrecimentos, constrangimentos, vergonha, traição(!) durante dias, meses ou até anos, pelo simples medo de ser direto e sincero sobre o amor que se desfez?

    É só uma pergunta reflexiva, não uma crítica ( :

    • Gueixa Says:

      Bem eu nem pensei em pisar nos sentimentos de ninguem. Muito menos causar qualquer tipo de constrangimento/aborreecimento ou vergonha.
      E sinceridade pode e deve ser demonstrada na medida em que o outro suporte.
      Eu penso em esfriar, jamais pisar, constranger…enfim.
      Não ha necessidade disso eu te garanto.
      Acho que vc está vendo as coisas sempre pelos extremos…e eu penso que no meio está o equilibrio sempre.

      • Filippo Contini Says:

        Hum, então “como” se faz para “esfriar” uma relação depois de anos de convívio sem praticar atos de negligência?

      • Gueixa Says:

        Ora, é uma questão de postura e conduta.
        Não vejo necessidade de negligenciar a outra pessoa.
        Vc pode até parecer mais frio. Porém frieza não pode e nem deve ser confundido com grosseria, falta de respeito, de consideração…
        Frieza…Há carinho, e não carícias….e por aí vai.

    • Anarcoplayba Says:

      Não creio que seja esse o ponto, Filippo, mas, para fins de debate: já passei por ambos, e deixar matar de falta de água foi melhor pra ambos.

  10. Gueixa Says:

    Ah sim, e respondendo a sua questão: hipoteticamente falando, se fosse o meu amado quem quisesse por um fim em nossa relação, eu acho que ele deveria fazer da forma que ele julgasse melhor. Porque que vai conviver com a atitude tomada é quem tomou.

  11. Filippo Contini Says:

    E a “frieza”, que é uma forma de “indiferença” e de “desprezo”, não machuca tanto quanto?
    Por que não terminar logo de uma vez ao invés de roubar o tempo daquela pessoa que não mais lhe apraz?
    Não seria um autoengano doloroso?

    Fazendo uma analogia absurda porém ilustrativa:
    quando se sacrifica um animal o que é melhor fazer? matá-lo aos poucos e deixá-lo agonizando ou evitar o sofrimento e causar-lhe uma morte súbita?

  12. Gueixa Says:

    Depende. Por que vc está sacridficando?
    Perceba que a justificativa e o argumento que vc usa sao os mesmos usados pelo Anarquista. Voces dois alegam que fazem da forma que fazem, porque acham que é melhor para o outro.
    Então eu volto a afirmar, tomda a atitude, quem terá que conviver com as consequencias dela é quem a tomou. Então cada uma faça o que acha mais correto, menos agressivo.

    • Filippo Contini Says:

      São perguntas Socráticas Gueixa.
      Estou apenas perquirindo e levantando reflexões, sem ofensas, please rs.

      Também refleti sobre a opinião do Anarco desta forma, ao qual respeito.
      A verdade é que cada um tem a sua opinião, e o belo de tudo isso é podermos debater, tal como o título do post sugere:
      ( um debate sobre como terminar um relacionamento )

      • Gueixa Says:

        Eu sei e tb gosto de reflexão. E não me ofendi não. Pareci ofendida? Se sim, esclareço : não me ofendi mesmo. Gosto de debates. Fazem bem .

      • Filippo Contini Says:

        Muito bem! mente vazia é oficina do diabo, dizem rs.

  13. Gueixa Says:

    Rsrsrsrs É isso mesmo.
    Bem ja ficamos de bem, vou dormir…
    Boa noite.
    bj

  14. Karina Says:

    legal é que aqui as discussões sempre acabam na santa paz dos homens.

    gente civilizada é outra coisa.
    =)

  15. Nina Says:

    Ahehaehaehae… quero ver esses debates lá no O’malleys!! =D

  16. anarcoplayba Says:

    nina, soh dois detalhes:

    “Eu espero encontrar alguém com o qual possa ter esse nível de conversa. Caso contrário é mais uma prova de que estava com a pessoa errada. Imatura demais, talvez. Sem consonância.” vc vai achar q eh a pessoa errda? Maravilha: mais facil terminar. I proved my point.

    A frase correta eh CONHECEI A VERDADE e a verdade vos libertará. E isso eh muito maior q “falar a verdade”.

    De resto, concordo: eh o q eu acho melhor p mim. prefiro ser odiado a ser admirado. e acho q eh melhor pra ex tbm.

    • Nina Says:

      Anarcozinhu kiriduu

      Não estou refutando o ponto “mais fácil terminar”. Todos procuram isso. Acho que ninguém aqui procura a forma mais dolorida, difícil, louca, psicopática para terminar uma relação e pirar a contraparte.

      O ponto de discórdia está em como fazer isso. Em definir o que é “melhor”. Definir o que é “fácil”.

      Também não disse que a frase refere-se a falar a verdade. Mas, evitá-la, persuadi-la, maquiá-la, enfim, não acho isso lá muito libertador. Nem muito amoroso.

      Oferecer a sua verdade (ou o que vc acredita que seja, pq até onde eu sei não tem nenhum iluminado por aqui) de forma mais ética e gentil possível é , para mim, a melhor forma de dar uma bota.

      E implica dor.

  17. anarcoplayba Says:

    Consciencia tranquila? Consciencia… ah, aquee troço q eu perdi na faculdade! 😉

    Ok, acho q eh hora de escrever sobre brave new world!

    • Nina Says:

      Oh god, eu esqueço que converso com um advogado/filósofo.

      Vou ter que ter mais cuidado / precisão ao utilizar determinadas expressões.

  18. anarcoplayba Says:

    “Também não disse que a frase refere-se a falar a verdade. Mas, evitá-la, persuadi-la, maquiá-la, enfim, não acho isso lá muito libertador. Nem muito amoroso.” Agora a conversa fica longa, mas eh libertador p caramba. Verdade, mentira, n importa. Tem um filme q assim q eu lembrar o nome te falo.

  19. anarcoplayba Says:

    Nina, eu sou bom de debates: foram anos treinando a lingua.

    • Nina Says:

      Nhé nhé nhé (prefiro apelar para a manha do que continuar ad infinitum esse debate… foram anos afiando o cérebro para lidar com um prof. de retórica, kantiano, wittgenstaniano)

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