A Grande Arte da Bota: um debate sobre como terminar um relacionamento


Mais uma sessão de cinema. Um curta. Tenho achado os longas tão chatos que estou passando para os curtas.
Bem.
Como se vê, levar bota não é fácil.
Tio Fabio, falecido homem sábio do interior, dizia: “A única coisa pior do que dar bota é levar.”
Não eram exatamente estas as palavras, mas era este o significado.
Outro dia, num de nossos debates, houve uma confissão expressiva. Um homem ouviu o seguinte na hora de levar bota. “Você não me dá apetite.”
Sua força mental terá que ser grande para que ele supere o trauma desse diagnóstico amoroso que o transformou numa garrafa de água sem gás. Sentir que ele pode ser cobiçado como uma latinha de Coca gelada por outra mulher vai exigir muita determinação dele.
Há uma hora certa para a bota, e existem também as palavras certas. É uma quase ciência.
Vou apenas iniciar o debate. A hora errada está neste curta ilustrativo.
Luz baixa, olho no olho, a expectativa enorme dele em torno de uma cópula espetacular.
E então a bota.
Mesmo que fosse essa a intenção dela antes do encontro. Naquelas circunstâncias, a ética amorosa sugeria que ela satisfizesse o namorado. Se fosse surpreendentemente bom o desempenho dele, talvez até ela pensasse uma segunda vez sobre a bota. Se não, no dia seguinte, ela poderia delicadamente dar a bota numa situação menos extrema para o apaixonado.
A ética amorosa, e aqui encerro por ora minha participação, sugere também que você, homem ou mulher, dê a bota antes de arrumar alguém, como no vídeo. É mais justo.
Tenho a sensação de que muita gente retarda a bota até encontrar um substituto ou uma substituta.
Não é justo. A frase final também é dura como um cigano búlgaro. “Espero que ainda sejamos amigos”. Mas como? Será que ela não percebeu que, como Lady Macbeth, suas mãos estão manchadas de sangue?
Enfim.
Minha expectativa é que será estabelecida aqui, por consenso, a GAB — Grande Arte da Bota.

13 Respostas to “A Grande Arte da Bota: um debate sobre como terminar um relacionamento”

  1. Gueixa Says:

    Não há momento certo pra se dar a bota.
    Mas momentos errados há aos montes. Esse aí do filme, sem comentários, Péssimo!
    Nem sei o que é pior levar ou dar a bota.
    Acho menos ruim levar. Dá para pagar de vitima.
    Sei lá..preciso pensar. rsrsrs

  2. Anarcoplayba Says:

    Não há momento certo, mas com certeza há o errado.

    Pós sexo, por exemplo.

    Eu defendo abertamente a covardia de deixar o amor morrer de falta de água. Dar menos atenção, n responder telefonemas e recados, ir criando uma sensação de incômodo até o outro decidir terminar.

    “É covardia.” Foda-se.

    “Vc devia falar na cara que n quer mais nada.” Pra ela chorar ou brigar ou discutir ou debater? No, thanks.

    “Ela vai te odiar.” Come on! I want you to hate me as hard as you can!

    Acho ridícula essa coisa de “espero que a gente possa ser amigo…”.

    Não, não espero. Espero nunca mais te ver, e, talvez, no máximo, daqui a alguns anos saber que vc casou, teve filhos, e está feliz.

    “Quer dizer que vc não consegue manter a amizade com as suas ex?” Ao contrário, mantenho com a maioria, mas o fato é: eu não termino pra manter a amizade. Eu TERMINO. Ponto. SE depois disso vai ficar uma amizade ou não, depende dos dois e de como cada um se sente e se comporta.

    Relacionamentos morrem (como tudo o mais). Vamos cremá-lo, jogar as cinzas ao vento, negar, se enfurecer, barganhar, se deprimir e superar. Depois, move on.

    Adendo 1: Ela é feia.

    Adendo 2: Eu vi no You tube mas n sei mais onde está outro curta, maravilhoso (na minha opinião, melhor) o casal está numa lanchonete bem estilo norte americano, e ela termina com ele. Ele pega a faca, arranca o próprio coração e coloca no prato dela. Ela fica chocada e pergunta o que é aquilo, a resposta dele é, algo do gênero: “É meu coração. Eu sei que você não liga pra ele, e mesmo que não quer, mas agora ele é seu, e eu não posso fazer nada. Eu também sei que você não quer me ver mais, e não verá, mas agora, ele é seu. Você pode fazer o que quiser com ele, jogar fora, comer, jogar futebol com ele, dar pra outra pessoa, whatever. Ele não é mais meu. E sabe o interessante? Agora que eu não tenho mais um coração, eu nem ligo mais que você não ligue pra ele. Na verdade, ele nem dói mais. Bom, com licença, vou sair e arruinar algumas vidas. Bom apetite.”

    • Gueixa Says:

      Olha eu tb sou pela covardia…

      • Petite Poupée Says:

        Ahhhh Anarco, se eu fosse sua namorada pediria clemência por uma morte rápida! ver o amor definhar ou agonizar é terrível..depois a Gueixa diz q eu sou cruel…do Anarco ela não diz nada né? sei…

  3. Robson Says:

    É inevitável que minha opinião seja unilateral. A maioria dos meus relacionamentos foram longos (3, 2, 3, 3 e 5 anos). Em todos eles foi eu quem dei o primeiro passo para o rompimento, ou seja, a bota!
    Nunca levei bota num momento em que o amor estivesse aos píncaros!
    Não sei como dói…

    Mas sei como faz doer!
    Não faz diferença você querer deixar que o amor de desfaça aos poucos ignorando a pessoa; é pior assim, pois o sofrimento se delonga…

    Em suma, creio que quando chega a hora do fim cabe uma preparação:
    Primeiro tenha certeza de que quer mesmo terminar; depois planeje um encontro (FÍSICO, não virtual) para terem uma conversa; seja sincero e explique, primeiro, os “seus” sentimentos, as suas angústias e os motivos de você estar tomando tal decisão; por fim, abrace e permança presente nos primeiros momentos, caso a outra parte assim o queira.

    Não culpe e não se faça de culpado. Na realidade não existem culpados. O amor às vezes acaba simplesmente por que acaba.

    Diplomaticamente, com um diálogo maduro e muita cortesia, tudo se resolve. Pelo menos foi assim pra mim…

  4. Jana Says:

    Ah…o fim do amor!
    Acho que levar bota é mais fácil. O outro decidiu, ponto! Você nem teve que pensar como fazer isso. Cabe nessa hora somente catar o que restou de você e seguir em frente. Alguns dias de lamentações, de questionamentos, e depois tudo pronto para uma nova relação
    Agora, dar o fora é mais complicado… está em suas mãos. E se ele fizer aquela cara de o mundo acabou? Socorro!
    Deixar ir acabando me dá a sensação de indiferença, e isso me incomoda mais do que ter que tomar atitude e colocar um ponto final.
    Não existe jeito bom de fazer isso. Mas acho que deve ser claro, direto e cuidadoso.

  5. Regina Says:

    Pois é Robson, nem queira saber o quanto dói…
    Acho que não existe momento certo ou errado para se dá uma bota, nada é para sempre, porque o amor seria?
    Infelizmente, o amor não acaba para os dois, um sempre acaba sofrendo com a bota…….

    • R. M. Gonçalves Says:

      Me contento em saber que somos altamente (re)adaptáveis!
      Posso afirmar que fazer sofrer também me causou sofrimentos… todo rompimento deixa cicatrizes.
      Mas passa 🙂

  6. Marcelo Says:

    Eu estou numa dúvida cruel, se dou a bota, antes de levar bota, rs
    Por que, meu relacionamente está naufragando, está q nem o titanic…não sei se deixo em stand by, ou termino de vez, oh dúvida!

  7. taisanto Says:

    Eu já dei bota e também já levei.
    Apesar de, quando você dá uma bota, você também sofre, pensando como falar, como agir para que aquela pessoa não se “machuque” tanto, o pior mesmo é levar a bota.
    Pois como a Regina disse, o amor não acaba para os dois. Logo, como aconteceu comigo, eu amava e ele não estava nem aí. Claro ainda conversávamos e tudo mais, mas eu pensava que queria voltar e ainda tinha esperanças, porém não aconteceu. Que bom!! rsrsrsrs
    Mas o mais estranho de tudo, eles sempre terminavam quando eu ia falar que os amava e que estava muito feliz! 😦

    Bem, a vida é assim, né? Ou não…rsrsrs

    Beijos!!

    T.

  8. Karina Says:

    Não há hora nem palavras certas, o que há é respeito por alguém que vc permitiu que entrasse na sua vida. Pessoas n são objetos que vc rejeita gradualmente à medida que vai se cansando deles.

    Se não tenho fígado para suportar tudo que um relacionamento implica, do começo ao fim, então n tenho condições de começar um relacionamento.

  9. Marcelo Says:

    Como já disse em outro texto do Fábio, alias citei alexandre Dumas :
    “O amor é doce nas cançoes,mas, na realidade, o seu começo é o temor, o seu meio é a inquietação, e o seu fim é sofrimento”.
    Infelizmente é isso q ocorre na maioria das vezes.
    Eu estou neste dilema, apesar de eu e minha namorada ainda nos amarmos, o fim da relação é inevitavel, pois há mtas brigas, ciúmes de ambos os lados, tudo é motivo p brigar, e confiança não existe mais. A questão é quem vai terminar…eu nao consigo.

  10. Petite Poupée Says:

    Meu problema nunca foi a bota e sim o pós-bota!
    Sempre namorei, estrategicamente, mancebos cuja a possibilidade de encontros fortuitos era remota. Uma fez encontrei um na rua, de longe eu o reconheci. Meu coração tolo disparou. Ele? fingiu q não me viu. A única coisa q pensei na hora foi: Há! ainda bem que eu estou linda hj, bobão!

    Eu sempre soube q se sobrevivesse os três primeiros dias depois da bota, o quarto seria moleza… sempre foi. Só tinha q ficar longe do telefone rss

    Uma ciência, uma arte…concordo!

    Acho q com o tempo a gente aprende a lidar com certas coisas do relacionamento e com certos discursos também… embora o ser apaixonado seja burro e cego! Bom seria um manual, né Fábio? rss

    Quem já vislumbra outro enquanto não termina, erra duas vezes. Na primeira por fazer o parceiro de idiota, na segunda por tratar a iminência como moleta. O primeiro é pior!

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