O amor tem que ser divertido


Tá vendo a mulher do vídeo?
Ela compôs essa música, que talvez você conheça, um clássico. E também cantou. Ela era parte do Fleetwood Mac, uma banda angloamericana que nos anos 70 e 80 fez muito sucesso. Rumours, o álbum ao qual pertence essa música, é um dos campeões de vendas de todos os tempos.
Christine Mcvie.
Bonita, charmosa, talentosa, atirada e chega.
Não vou mostrar foto recente dela. Uma velhota. Pena. Eu não devia usar aquela palavra, mas não há outra que defina melhor.
Uma velhota.  Melhor que fiquemos com sua imagem jovem e bela.
Christine compôs este hino do amor alegre, ideal. O título define a atmosfera. You Make Loving Fun. Você torna divertido o amor.
Acho que todo casal devia ouvi-la pelo menos uma vez por semana. E se empenhar genuinamente por adotar seu princípio básico: o amor tem que ser alegre, tem que sorrir.
Amor emburrado é chato como uma sessão de citara.
Uma relação de alimenta de sorrisos. A vida lá fora já é suficientemente dura para que também no amor você fique triste.
Não é tão difícil. É uma questão de atitude. Grandes filósofos compararam o comportamento de dois homens, Heráclito e Demócrito. Um chorava com a miséria humana, o outro ria. Melhor rir, disseram com base nessa comparação Sêneca, Montaigne e, se não me engano, Nietzche. Até eu umas duas ou três vezes já falei nos dois gregos.
Nossa velhota.
Causou no passado. Era casada com o baixista da banda, mas fez esta música, de 1977, para um cara com quem estava tendo um caso. Mas o muso não durou muito. O Fleetwood Mac queria comprar o estúdio dos Beach Boys em Los Angeles. Quem tomava conta do estúdio era Dennis Wilson, o baterista, o real beach boy, surfista, aventureiro, carismático.  As mulheres gritavam por ele. Faziam fila na porta do quarto do hotel nas excursões do Beach Boys. Christine foi com a banda visitar o estúdio e no dia seguinte já tinha sido finalizada por Dennis. Foi um romance curto e complicado: muita bebida, muita droga. Dennis botou fogo sem querer na casa de Christine, numa noite em que quis criar um clima romântico à base de velas,  e uma vez mandou o jardineiro fazer um coração enorme no jardim. Só depois ela soube que, quebrado, ele dera um jeito de colocar a conta do coração florido para ela mesma pagar.

Ele pagou esse arranjo com dinheiro dela

Ele pagou esse arranjo com dinheiro dela

O romance não durou muito. Dennis estava afundado em bebida e drogas, entregue à autodestruição clássica do rock’n roll, e morreria logo depois, afogado numa marina, logo ele, que crescera no ar. Tinha 39 anos.  Christine, gênio da música e do sexo desregrado, também abusou. Cometeu muita besteira.
Mas fez um hino do amor que sobreviveu. E que deve inspirar todo casal são, ou em busca da sanidade.
Se você olha para o ser amado e conclui que ele faz o amor ser divertido, cuide direito do romance porque você está com um, dois, vários bilhetes premiados.

32 Respostas to “O amor tem que ser divertido”

  1. laufranco Says:

    🙂 quem dera se isso dependesse só de um dos lados…

    • Fabio Says:

      laufranco, os risos dependem dos dois, claro.
      mas quando um quer risos e batalha por isso, e o outro não, basta criar coragem e cair fora.

  2. Karina Says:

    Concordar com isso me soa até redundante. É praticamente uma condição sine qua non.
    O pior da falta de humor no relacionamento é que geralmente a parte que peca nesse aspecto tb tem o grave defeito de se melindrar por coisa pequena. Então além de vc não estar com alguém que torna sua vida mais viva, ainda tem que se policiar para não passar da conta com a pessoa =// Não tem como ser bom viver a dois assim, né.

  3. Grace Olsson Says:

    Fábio, toda vez que eu estou para baixo, meu marido ouve essa música. E diz: “Veja, Grace, como é divertido viver contigo…”
    E todas as nuvens pretas que pairam sobre nossas cabecas, se desfazem. E, por incrível que possa parecer, tenho achado bem divertido viver com ele. Que é, ao meu ver, um homem espirituoso. Talvez, Fábio, ele seja um BILHETE PREMIADO. Mas, só vim descobrir depois de ler suas crônicas. Que têm, de longe ou de perto, me ajudado a visualizar a vida a dois de outra forma. Com olhos lúdicos de quem vive com um homem que acorda dizendo JAG ÄLSKAR DIG, GRACE e dorme falando a mesma frase.
    E tenho por ele, uma admiracao sincera, de quem NUNCA conviveu com alguém igual a ele. E olhe que, anos atrás me disseram que os escandinavos sao frios. Pura lenda, Fábio.
    Dias felizes

    • Karina Says:

      =D

      espero que ele saiba disso.

      • Grace Olsson Says:

        Sabe, Karina. E por incrivel que pareca, depois de termos vivido um dos maiores vendavais de nossas vidas – quando eu perdi a memoria por 3 meses, fruto de um avc e de um remédio errado que um médico sueco passou – o nosso casamento sobreviveu. E, até dois meses atrás, eu me sentia muito, muito confusa. Por que eu, de fato, nao sabia o que eu estava vivendo.
        Ainda nao me sinto 100% como eu era. Pois estou reaprendendo mutias regras gramaticais do português, espanhol, inglês, sueco.e outros idiomas que aprendi, até 2 meses avc, foi apagado. E, se nao nos separamos nessa fase, nao creio que isso vá se dar mais.
        Acho que meu MARIDO É UM BILHETE PREMIADO.Ou, como ele mesmo diz: SE EU TIVESSE QUE CASAR DE NOVO, MESMO COM TUDO O QUANTO VIVEMOS JUNTOS, MESMO COM TODO DINHEIRO QUE GASTEI PARA TE DAR A SAÚDE DE VOLTA, EU AINDA CASARIA COM VC.

      • Karina Says:

        Que bonito, Grace.
        : )

        As incertezas nos impulsionam, os mistérios nos mobilizam, mas sempre acreditei que é atrás dessa convicção de estar com a pessoa certa que corremos, embora muitos se autoenganem durante a vida.

        Muitas felicidades e saúde pra vcs!

    • Fabio Says:

      puxa, Grace, fiquei feliz por ter de alguma forma ajudado vc a enxergar o ‘bilhete premiado’. dias felizes para vc tb!

  4. R. M. Gonçalves Says:

    Os sorrisos são o termômetro do amor: quanto maior o amor, mais sorrisos fluem naturalmente. Creio!

    Penso que a grande questão é saber como fazer os sorrisos e os divertimentos durarem depois de anos e anos de convivência (?)
    No começo as gargalhadas tomam conta. Qualquer frase dita num tom de comicidade já é motivo para risos. Depois… nem sempre…

    • Filippo Contini Says:

      Nossa Robson, que pessimismo!!!

      Eu acredito que é possível manter um relacionamento sempre divertido, mas a diversão nunca é constante, ela vem, fica, vai, depois volta….
      o importante é buscá-la sempre!!!

      • R. M. Gonçalves Says:

        Eu sei, Contini… eu sei!
        são as cicatrizes falando por mim…

      • Fabio Says:

        isso, Felippo: o importante é buscá-la sempre.
        bingo!

      • Grace Olsson Says:

        Sim..Nao é constante. tem dias em que páro, penso e vejo névoa ao meu redor. Mas, UM tem que ser firme nos atos e acoes a dois, quando o outroe stiver caido. Senao, nao sobrevive.
        tem dias em que quero arrancar os cabelos do meu marido. Mas, depois passa. E eu, fico analisando que a vida ao lado de outro, seria um cais, total. nao daria certo.

    • Alice Barros Says:

      Concordo com o Robson. A convivência torna difícil fazer o outro sorrir… Vejo meus pais que casados a 26 anos, tem dias que não trocam sorrisos.
      Mas claro que esses são dias raros, mas eles precisam de muita criatividade para mudar isso.
      A convivência é uma espécie de veneno… ele mata algumas coisas lentamente, sorte que a criatividade surge como um antídoto, ou algo que retarda esse processo.

      • R. M. Gonçalves Says:

        De fato, Alice!
        É tudo culpa da vulnerabilidade do próprio indivíduo que permite que a rotina se enraíze no seu cotidiano.

        Isso me fez pensar que — como somos movidos por ações do cérebro — isso poderia ser uma espécie de “falta de execício mental”. (?)

        Precisamos de psicologia para desmistificar essa questão!
        Nina? estás aí? 🙂

  5. Karina Cabral Says:

    Me lembrei de um pedaço de canção… “Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem… Então, o que resta é chorar.”.
    Eu, quando amo, não consigo parar de rir. Pior do que a dor da complicação, é o marasmo da chatice. Amor chato é triste.

  6. Nina Says:

    Concordo plenamente.. a relação precisa ser bem gozada! (rááá…não resisti!!!)

    Não sobrevivo sem o bom humor, o riso, a piada. Levo isso para a vida profissional, pessoal, afetiva, até na hora de resmungar problemas, sempre sai uma piada..

    E desconfio que o riso seja mais contagiante que um bocejo.

  7. Heleno Says:

    Ás vezes, o bom humor é o que sobra de uma apaixonada relação amorosa fracassada, ou de um casamento quase perfeito que não deu certo.

    Tristezas á parte, Fleetwood Mac é um dos grandes grupos da música nos anos 70 e 80 (e porque não dizer, dos 90 também?). Seu legado musical é impecável. Uma de minhas bandas favoritas e suas músicas ganharam versões de dezenas de outros artistas famosos.

    Essa música é demais! Fleetwood Mac – Seven Wonders: http://blip.fm/~kq4zx

    Voltando ao assunto. Ainda há pouco, minha atual namorada me manda um sms dizendo “acho o seu sorriso lindo” e eu respondo “te adoro” e solto o mesmo sorriso que tenho em sua companhia… instigante e divertida companhia. O amor tem que ser divertido, sem essa de cara feia, de chilique por algum contratempo ou por um problema de comunicação, quem ama sorri e o espirito se “eleva”. E realmente, o verdadeiro amor é divertido.

    Parabéns pelo espirituoso e divertido post! 😀 e pela valiosa dica no último parágrafo do mesmo!

    • Fabio Says:

      legal compartilhar conosco, Heleno. bonita a música mesmo.
      tenho achado rica e abrangente essa troca de links. meu repertório se amplia com eles, e acho que tb o de mta gente.

  8. Fabio Says:

    A letra:

    Sweet wonderful you,
    You make me happy with the things you do,
    Oh, can it be so,
    This feeling follows me wherever I go.

    I never did believe in miracles,
    But I’ve a feeling it’s time to try.
    I never did believe in the ways of magic,
    But I’m beginning to wonder why.

    Don’t, don’t break the spell,
    It would be different and you know it will,
    You, you make loving fun,
    And I don’t have to tell you but you’re the only one.

    You make loving fun
    (It’s all I wanna do)
    You make loving fun
    (It’s all I wanna do)
    You make loving fun
    (It’s all I wanna do)
    You make loving fun
    (It’s all I wanna do)

  9. L.L Says:

    Será que é pedir muito aos céus um amor divertido e eterno??? eu quero um assim

    • Fabio Hernandez Says:

      Se é pedir muito aos céus um amor divertido e eterno, LL? É.

      • Gueixa Says:

        Se oamor deve ser divertido? Não sei.
        Sei que é bom quando nos divertimos com o amado.
        A capacidade de nos divertirmos, especialmente em circunstancias ruins, faz o relacionamento muito melhor.

  10. MulherNaoPresta Says:

    Bom post, vou colocar no meu blog.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: