“Para o homem, o amor é uma das atividades da vida. Para a mulher, é a vida em si.”


Byron não era mole

Byron não era mole

BYRON, NÃO é segredo para ninguém, foi um grande poeta e um aventureiro sexual infatigável. Era celebrado como um semideus na Londres da primeira metade do século XIX, mas rumores de que gostava também de homens e de que tinha um fraco pela meia irmã fizeram com que ele saísse de circulação.
Mas é para uma afirmação dele que quero chamar a atenção.
Ei-la. “Para o homem, o amor é uma das atividades da vida. Para a mulher, é a vida em si.”
Hmmm.
Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo (quem não leu deve, sobretudo sendo mulher), reafirmou a tese byroniana, no final da década de 40.
Quanto a mim, acho uma frase provocadora, mas obsoleta. A mulher contemporânea, tão ocupada em competir com o homem, fez também do amor uma entre várias atividades. Acho até que muitas delas preferem a carreira ao sexo, a promoção ao orgasmo.
Sinto, e não sei se vocês concordam, que a frase de Byron mofou.

41 Respostas to ““Para o homem, o amor é uma das atividades da vida. Para a mulher, é a vida em si.””

  1. Gustavo Gitti Says:

    Ainda não acho que mofou. Tomara que mofe, pois às vezes é triste ver o quanto as mulheres colocam sua felicidade na dependência de um relacionamento.

  2. R. M. Gonçalves Says:

    Além de não ter mofado, a frase ainda pode ser lida invertendo os sexos, pois existem muitos homens que tratam o amor como a própria vida em si, e colocam-no acima de tudo. Haja vista os tão recentes crimes passionais de homens, até então considerados normais, que assassinaram suas “ex” brutalmente, pelo simples fato de não mais os quererem!

    Para muitos — tanto homens, como mulheres — o amor é mesmo considerado uma mera atividade da vida; mas para tantos outros, ainda não.

    Há que se simplificar tal sentimento. Ora, é tão simples: “se você me quer e eu te quero, caminharemos juntos por um período indefinido; agora, se um dos dois não mais querer o outro, tudo bem, caminharemos da mesma forma, porém separados por diferentes trajetórias”. É como pegar um desvio numa estrada, na qual quem antes lhe seguia, não mais seguirá. E desta forma, que (re)iniciem caminhos diferentes e simplesmente agradeçam um ao outro pelos quilômetros percorridos até então.

    Demos um “viva” para os novos horizonetes lol

  3. Nina Says:

    Talvez as mulheres estejam descobrindo novas formas de expressar/experienciar o amor.

    • Fabio Hernandez Says:

      é só ver o kama sutra para ver que não existem mtas maneiras novas de fazer amor, Nina.

  4. Alice Barros Says:

    Não acho que mofou, só que as mulheres estão camuflando essa preocupação no meio de outras coisas que precisam conquistar hoje em dia.
    Na verdade, acho que algumas mulheres fingem que não estão muito preocupadas com o amor… Mas no fundo continuam com a essência romântica e ingênua de que encontrãrão o amor de suas vidas, assim como as mulheres dos tempos de Byron.

  5. Says:

    O comentário da Nina diz tudo. Seria meio machista neste mundo achar que a mulher somente se apaixona pelo homem, e não pela própria vida e trabalho.

    • Ana Says:

      è, pela perspectiva de que o amor é mais amplo do que um casal somente, não acho que mofe. Mas também acho que para a mulher o “viver para o amor” é mais socialmente tolerável e muito fomentado.

      Essa é uma daquelas discussões intermináveis e sem uma resposta. E talvez nem estejamos a busca de uma, apenas

  6. Grace Olsson Says:

    Fábio, para mim, o amor é uma das atividaddes da vida. Nao é tudo. Por que, para ser feliz, preciso de vária<s coisas que se complementam.E um homem nao me faz feliz, por si mesmo. E sim o que me une a ele.Mas, contanto que, esse ME UNE venha rec heado de outras coisitas mais…

  7. Nicky Says:

    O amor não existe.

    O amor é uma ilusão.

    Fim.

  8. Leo Nascimento Says:

    Já nasceu mofado, para mim parece claro que ele chama de amor a afinidade entre duas pessoas e que na maioria dos casos, homens vêm de uma maneira(não prioritária) e mulhers de outra(não sei como elas veem!!!)
    Mas amor não tem nada a ver com isso, amor não é direcional, não tem alvo nem objetivo, o amor é igual, pra tudo e pra todos.
    Esse Byron , me parece, é um depravado, e a Simone tomou uma bota!!

  9. Karina Says:

    O amor em si não tem como competir com qualquer outra atividade. Não é algo que vc escolha, divida, não é um caminho que vc resolve trilhar ou não. O amor é. Mas, ok, essa é minha visão de amor, aquela coisa suprema, impalpável e nem por isso impossível.
    Se falamos do amor que envolve seus muitos poréns cotidianos, o “amor” que permite e muitas vezes exige(!) escolhas, bem, com certeza ele, para mim, não é a vida em si.

    • Heleno Says:

      O amor talvez seja o máximo da realização para algumas culturas, e em alguns casos – o grande motivo para estudar, batalhar e vivemos a vida. Uma vida se “amar” ninguém é uma vida vazia, desprovida de alegria e de “sentido”…

      O amor é caótico e divino. Acontece quando você menos espera (ou até espera e deseja ansiosamente por ele)… quanto mais diferente e espontâneo, mais forte e envolvendo é…

      Eu sumi uns dias, linda Karina – mas porque o trabalho requereu mais tempo e dedicação que o necessário… flores? aceita?

  10. Renan de Dijon Says:

    Substituir a ilusão do amor romântico pela ilusão da busca sem tréguas do sucesso profissional, significa continuar insistindo numa ludicidade, porém apenas mudando de objeto.

    O que a maioria das pessoas não consegue fazer é viver de acordo com realidade, ou seja, viver sem ideologismos ou mitos impregnados na cultura da sociedade.

    O amor romântico tem a espessura de uma ilusão, sendo que o feminismo, que molda a mentalidade das mulheres atuais, trouxe mais prejuízos do que benefícios a elas, pois para se livrar do alegado patriarcado opressor, passaram a ser vítimas de horários, chefes, metas profissionais, estresse, bromazepam e alvo deboche de muitos homens.

    A mulher operária, ainda, sonha com o amor romântico, mas, claro, desde que ele passe pelo crivo de suas idéias modernas. Ai o que sobra eu não sei, talvez balzaquianas com critérios hollydianos de seleção, indo a baladas e se comportando como adolescentes e de quebra sonhando com o antiquado príncipe encantado montado em um cavalo branco.

    A mente de uma mulher é uma verborragia tóxica plasmada entre ideários do passado e do futuro, que jamais terão correlação com a realidade. Em outras palavras, sãos feministas na forma, mas Amélia no conteúdo.

    • Karina Says:

      É, pode ser. ou não. Essas considerações todas de tempos modernos não ajudam muito pq são conflitos que atingem tanto homens quanto mulheres, e esses extremos fazem parte do processo. Até que a coisa assente e se consiga chegar a um meio-termo (se é que chegaremos), ainda tem muita estrada pela frente. Por enquanto, o que acontece é semelhante ao filho que sai de casa e se vê diante de mil alternativas… quer de tudo e acaba metendo os pés pelas mãos.

      À parte isso, o que realmente interessa é que a mulher hoje tem autonomia sobre si e suas escolhas. Se isso signifca se manter num mundo de ilusão, que seja. Cada um que carregue a própria cruz, e não aquela que lhe colocaram sobre os ombros. Melhor cair no próprio erro do que ser forçada a viver uma vida de escolhas alheias a nós.

    • Ana Says:

      Mas de qualquer forma dou muita risada da resposta do Renan. As mulheres sempre admitem a confusão universal em que vivemos. Mas os homens, esses sempre enfatizam a certeza de que têm, pq, a maioria, vive nas normas de séculos passados. E a culpa está sempre no feminismo. Mas as mulheres vivem o nosso tempo, de transição. Os homens, alguns, ainda vivem no fundamentalismo, no atirar de pedras, no homem provedor.

      Sim, prefiro o século XXI.

      • Jorge Gustavo Says:

        Com exceção do último parágrafo, até compreendo o comentário do Renan.

        Então, o seriado Sex and the City, seria uma representação ou um crítica à mulher moderna?

      • Fabio Hernandez Says:

        acho que sex and the city é uma representação da mulher dos anos 90. mofou.

      • Jorge Gustavo Says:

        Prezado Fabio,

        Então, como vc descreveria a mulher do novo milênio?

        Abraço!

      • Camila Alves Says:

        Fábio,
        discordo disso também.
        Para mim, Sex and the City é o retrato – muito caricato, por sinal – de estereótipos adotados pelas várias Ms. I’m So Enough to Myself que vemos hoje em dia.
        Todas as personagens, cada uma com suas características pesssoais muito bem demarcadas e destacadas, sofrem, no fundo, de muita solidão. O que todas elas perseguem? Felicidade, cada uma do seu jeito. Até mesmo a Charlotte, poderia ser apontada com uma caricatura moderna da mulher dos tempos de Byron.

      • Nicky Says:

        Acho que Sex and the City é mais como uma crítica à representaçaõ da mulher “moderna”.

  11. Srta. O Says:

    Nunca haverá de mofar. O amor é o mesmo desde a década em que Byron escreveu isso. O sentimento não mudou, o que mudou foram as circunstâncias, o momento. Por mais workaholic que seja uma mulher, ela sempre precisará de amor. E amor, pra ela, é a mesma coisa que a mãe dela a ensinou..Agora sexo, é ooooutra história.

    • Fabio Hernandez Says:

      como assim, O?

    • Heleno Says:

      A mulher dos tempos de Byron, mudou. O contexto é outro, e acho que ele não se “criaria” nos tempos de hoje.. historicamente é bacana de analisar, porém… ele não teria o mesmo impacto em nossos tempos…

      • Camila Alves Says:

        Discordo, Heleno.
        Em As Time Goes By tem um trechinho que diz “fundamental things apply as time goes by”. As coisas fundamentais, ou básicas, se aplicam, com o passar do tempo, através do tempo.
        A natureza feminina, querido, por exemplo. Essa não muda, não importa o tempo.

  12. Nina Says:

    Não sei se amor se ensina. Assim como o sexo. Culturas moldam formas de se expressar o amor (e o sexo). Norteiam o que deve ou não deve ser amado. Mas o amor é, tantas e tantas vezes, rebelde. Não está nem aí para nossas regras ditadas, intelectualizadas. Ele surge. Motiva_a_ação. Causa um brilho quase ofuscante nos olhos. E sorrisos. Ah, o sorriso do amor, mais contagiante que um honesto bocejo.
    Não sei quanto a vocês, mas já senti esse amor no trabalho, na família, nos relacionamentos afetivos, na boa notícia de amigos, em lindas flores encontradas no meio de uma caminhada. Da mesma forma que já odiei e entristeci em todas essas esferas.
    Feliz daquele que faz todas as suas atividades com amor. E do amor, todas as suas atividades.

  13. Pê Sousa Says:

    Eu concordo com vc, Srta. O!
    Por mais moderno que seja o momento, o amor será sempre algo importante e ansiosamente esperado. Talvez não seja o tudo o que se precisa, mas com certeza é parte indispensável para que tudo esteja bem nas nossas vidas.

    Meio romântico. Mas vá lá…

    Abs

  14. Pê Sousa Says:

    Belas e inspiradoras palavras, Nina. Pelo visto, vc tem permitido que este nobre sentimento seja uma máxima na sua vida. Admiro isso. Especialmente neste nosso hoje, tão permeado por frivolidades e atitudes superficiais, que tornam o ato de amar uma característica para fracos, o que não é verdade.

    Ab.

  15. Rafael Says:

    Concordo, mofou.

    Agora, amor romântico não passa de instinto de procriação.

    O que o tio Schopenhauer tem a dizer sobre amor é interessante:

    http://video.google.com/videoplay?docid=8358646220672429933

  16. Jonathan Says:

    A modernidade deixou a frase de Byron arcaica. Hoje a mulher tem o mesmo pensamento masculino do homem antigo e pásmem, quase os mesmos defeitos.

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