O desejo da mulher que veste burca


Tá certo proibir o uso?

Tá certo proibir o uso?

PEÇO UM instante da atenção de vocês para iniciar, ou reiniciar, uma discussão. A questão da burca, o véu islâmico. O governo francês quer proibir o uso em locais públicos. Alega que é um símbolo da opressão feminina. Um ministro francês disse que a intenção é aplicar uma multa na islâmica encapuzada. Um outro político disse que se sente “estigmatizado” porque não consegue ver a mulher com burca. (Como disse o Duque de Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.)

Pois bem. Vi, em vídeos, depoimentos de mulheres francesas que usam burca. Uma delas diz que ao usá-la se sentiu livre do machismo dos homens, que olham para a mulher como um objeto e, quando ela envelhece, viram o rosto.

É um ponto.

A Naomi Wolf, a escritora neofeminista, disse uma coisa interessante. Ela falou que viajou para países islâmicos e conversou com mulheres em rodas fechadas. Basicamente, o que ela disse é que a burca não suprime a sexualidade, ao contrário do que muitos ocidentais pensam. Apenas estabelece uma divisão entre o público e o privado, e canaliza a sexualidade da mulher para o marido e o casamento. (A  burca é para a mulher casada, e ela é usada fora de casa. Isso, claro, para as muçulmanas adeptas. Não são todas.)

Alguém disse também não ver muita diferença entre o hábito de uma freira católica e os véus muçulmanos.

Nenhuma discussão que envolva a mulher. no mundo de hoje, é tão intensa como esta travada em torno da burca.

Vou fazer uma pergunta para iniciar a sessão. Que mulher é mais objeto de um homem: a que veste burca ou a que não veste nada, como esta abaixo?

A mulher de cima ou esta aqui é objeto?

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25 Respostas to “O desejo da mulher que veste burca”

  1. Alice Barros Says:

    Penso que a mulher foi educada para ser objeto. Em todas as culturas. A moda é um reflexo disso, a medicina estética e tantas outras coisas que transformam e impõem a mulher um padrão a ser seguido, a fim de agradar sempre. A mulher tem sido submissa, como algo a ser sempre exibido, explorado, melhorado, como se nunca fosse suficientemente boa.
    Usar a burca ou mostra-se completamente são formas extremas de se tornar objeto.
    Claro que nem todas as mulheres aceitam essa realidade e acatam as imposições que lhes são feitas, mas será que a maioria de nós não está se tornando objeto sem perceber?

  2. Camila Says:

    A resposta que deveria ser óbvia não é. As duas são escravas de um corpo, de uma imagem, de um símbolo que representa ser mulher. A mulher não-muçulmana é julgada pelo que veste também, é julgada pelo corpo que tem, é cobrada pela sua aparência. A mulher muçulmana também. A diferença é que essa cobrança vem apenas do marido, da religião, enquanto que a da mulher não muçulmana (digo, mulher ocidental, moderna) enfrenta uma cobrança maior, dos homens, de outras mulheres e da sociedade que infelizmente julga, absolve ou condena uma mulher baseado na sua aparência. (vida amorosa, vida profissional, vida social), tudo isso disfarçado num ambiente dito libertário. Sinceramente não sei o que é pior, nunca usei uma burca para comparar. A mulher só vai deixar de ser um objeto a partir do dia em que a sociedade parar de tratá-la como uma coisa. Quando para de ser comparada com cerveja e futebol. Independente se ela está coberta ou não.

  3. Heleno Says:

    Não há sociedade mais machista/injusta que as ortodoxas!

    Vou explicar:

    Mulheres diariamente são apedrejadas até a morte, enterradas vidas, pisoteadas, massacradas, chicoteadas em praça pública, privadas em algumas culturas de seu direito mais básico “ir e vir” como desejar…

    Hoje mesmo eu li: “garota foi enterrada viva por falar com garotos na Turquia”…

    O que é melhor, ser objeto mas ser alguém? ou ser considerada inferior ao homem, e sua vida não valer nada por simplesmente ser mulher (e considerada a personificação do pecado)? Em alguns países ortodoxos, se a mulher foi violentada a culpa é dela, por ser linda…

    Matam até pessoas que tem blog! que se rebelam contra o autoritarismo!

    O governo francês tem meu total apoio nesta questão!

    A frança apenas evoca o direito de cada país tem em cumprir sua constituição, cabe aos imigrantes aceitar ou não viver em solo estrangeiro.

  4. Anarcoplayba Says:

    Qual é mais objeto?

    Aquela que não faz o que tem vontade e/ou faz o que não tem vontade.

  5. Karina Says:

    Num primeiro momento, concordo com Alice e Camila; desenvolvendo mais o raciocínio, concordo com Heleno; sintetizando esse raciocínio ao extremo, concordo com Anarco.
    : ))

    (comentário mais curto que já publiquei hehe só assim mesmo)

    • R. M. Gonçalves Says:

      Seguindo a sintetização da Karina, concordo com ela! =D

      É difícil raciocinar numa manhã de sábado após uma noite de sexta regada a vinho barato e uma noite mal dormida…

  6. Márcia de Noriê Says:

    Acho que a burca é uma forma de repressão horrorosa, ponto! Deixando a hipocrisia de lado, qual é a mulher que não gosta ser de objeto do desejo masculino?! Este é um poder que a natureza nos deu. Agora o que cada uma faz disso é outra questão. Quanto às burcas, em terras estrangeiras, acho que devem ser abolidas sim, inclusive os véus, que vejo muito por aqui, na Nova Zelândia. Quando se opta por viver em uma outra cultura, você deve respeitá-la, você deve se integrar a ela e não viver em guetos. Do contrário, volte a viver em seu país.

    • Anarcoplayba Says:

      Love it or leave it.

      Ou ainda: Fuck you, Koreans! 10 years living in this fucking country and still “bo speak your language”?!?!

      Deixando a ironia de lado, discordo.

      Uma das coisas que eu amo em São Paulo é esse mosaico. Eu amo ir na Liberdade e ver uma feira japonesa, amor ir no Paraíso e comer comida árabe, amo ir em academias no Bom Retiro.

      Abolir burcas em países estrangeiros? Pq n abolir a opressão no mundo todo? Deixa quem gosta de burca usar.

      As leis não deveriam nunca se imiscuir nas crenças pessoais.

    • Heleno Says:

      Viva ao biquini! http://www.youtube.com/watch?v=xIw3Pd75Tec&feature=related

  7. Nicky Says:

    Pra mim, o erro já está aqui:
    O governo francês quer proibir o uso em locais públicos. Alega que é um símbolo da opressão feminina.

    Fighting fire with fire leaves only ashes…
    Pra “combater a opressão” eles querem usar de mais opressão?
    Acho meio patético.

    Seria como “combater o erotismo” proibindo o comércio de filmes pornô.
    Please, né!?

    A burca é o menor dos problemas, a questão de opressão/machismo/seiláoquê está nas nossas mentalidades.

    Respondendo à pergunta, só pra não fugir do assunto (como de costume):
    A mulher que é mais objeto de um homem é a que se submete a isso.
    (Claro, pensando em uma coisa mais “todos os dias”… Entre 4 paredes, pode acontecer uma brincadeirinha de objeto… Mas aí é outro papo.)

    Convenhamos: A mulher só é objeto se quiser! Homens são seres simples, não precisa de muito pra “controlá-los”… ainda mais quando você está sem roupa! Num grau mais elevado, a gente ainda faz com que ele pense que é ele que está no controle quando, na verdade, só está fazendo o que a gente quer que ele faça.

    Estou errada?

    • Anarcoplayba Says:

      Assino embaixo.

      Adendos cômicos:

      Essa história de proibir a burca me lembra o cara que sempre que voltava mais cedo encontrava a mulher transando com o melhor amigo no sofá. Cansado disso ele tomou uma atitude radical: vendeu o so´fá.

      Algumas amigas minha do Norte e Nordeste estão acostumadas a viver em uma sociedade machista na qual a mulher tem um papel literalmente servil. A frase que elas ouvem desde criança é: O homem é a cabeça do relacionamento.

      O complemento que elas aprendem na adolescência é: O homem é a cabeça da relação. A mulher é o pescoço.

    • Karina Says:

      Eu acho que está errada em parte, sim, Nicky.

      Quando só se vive uma realidade, em que esse erguer de voz da mulher é, sim, possível, fica tentador querer estendê-la às demais. Aqui os direitos das mulheres são protegidos, elas têm a quem recorrer, podem se sentir amparadas, bem ou mal. Mas numa cultura em que a mulher seja educada para ser submissa, e onde toda a sociedade considere isso natural, a coisa não há de ser simples assim.
      Não estou falando que necessariamente uma mulher que não tenha sua “liberdade” garantida se enxergue como objeto. Já discutimos essas questões culturais, pode ser até que elas n se sintam mesmo assim, a realidade delas é aquela, n conhecem outra possível. Se é uma forma bacana de não se sentir objeto? Não sei. Homens e mulheres deveriam ser iguais em seus direitos, somos apenas diferenciados no sexo. Então será que nesses países as mulheres têm direitos políticos garantidos? Elas foram ouvidas quando se decidiram seus caminhos políticos?
      É fácil, novamente, apelar para a cultura nesses casos. Mas e qd a cultura é determinada por só uma parcela daqueles que a integram, desde o início dos tempos? É justo?

      Apesar disso, tb acho que a burca seja o menor dos problemas. Eu mesma já disse que poderia me sentir muito bem andando “despercebida” de vez em quando. E acho tão bom poder escolher se quero ou não usar uma burca, se quero ou não usar um fio dental. Por isso, sim, a burca é o menor dos problemas, mas sintomática em muitas sociedades do maior deles: a desigualdade civil. E veja que nem falo em inferioridade, nem precisamos entrar nesse mérito, mas tão-somente(?) desigualdade.

  8. Nicky Says:

    Ka, concordo com você sobre a questão cultural.

    Acho que a pergunta do hombre sincero é injusta.
    Pra mim, à mulher educada pra ser submissa não resta muita escolha.
    À mulher educada na nossa cultura de igualdade (em termos, né?), resta não assumir o papel de objeto.
    Aliás, não acho que a mulher seja o objeto, mas sua imagem.
    Por exemplo, que homem não baba quando vê aquelas gostosas de lingerie na VIP?

    (linguística #modeON) A mulher é um signo, ou seja, significa um conjunto de partes menores (chamados de semas) que, reunidos, formam o todo. A Sheila Carvalho só de calcinha faz com que o sema “sexo” se sobreponha a todos os outros, logo, o signo linguístico perde sua complexidade e reduz o signo “mulher” à qualidade de objeto.
    Mas novamente, estamos falando simplesmente de uma imagem.
    A foto da mamãe cozinhando lasanha no Domingo ressalta outros semas e, com certeza, “sexo” não passa nem perto da imagem que criamos na cabeça, embora esteja lá, mesmo que em último lugar da listinha de semas.

    A mulher ocidental, por mais que se exponha e apesar de ter “sexo” estampado na testa algumas vezes, sabe que seu valor é maior que um só sema.

    Mas enfim. Questões culturais são realmente complicadas.

  9. Nicky Says:

    Aliás, conhece esse livro, Fabito (e todo mundo)?
    http://bit.ly/chZvvf

    Princesa – A História Real Da Vida Das Mulheres Árabes Por Trás De Seus Negros Véus
    Se não me engano, foi escrito por uma jornalista francesa e é o relato REAL de uma Princesa árabe sobre a vida de uma mulher muçulmana.
    Há 3 volumes escritos. Se vocês não lerem nenhum, pelo menos coloquem no Google pra saber do que se trata… Vale até wikipedia, só não dá pra perder.

    As poucas páginas que li me deixaram boquiaberta. A visão de uma mulher que vive isso é chocante e até esclarecedora.

    Altamente recomendado, fica a dica.

    🙂

    • Camila Says:

      Tenho esse livro, comprei para as aulas de Antropologia durante a faculdade. Ele é ótimo, mostra a bem a realidade da mulher muçulmana e mostra que é balela essa história que elas gostam dessa submissão (uso da burca, falta de direitos, etc,,,). É subjugar a inteligência das pessoas achar que só porque elas não viveram um vida um pouquinho mais “livre” que elas não sabem o que significa justiça, igualdade e direitos iguais. Qto ao modo de vida ocidental, acho que é diferente vc querer ser a pessoa de desejo de alguém do que o objeto de desejo de alguém. Nicky que manja de linguística que vc diz?

  10. Petite Poupée Says:

    Fábio, achei ambas lindas e misteriosas em suas distintas graças. Para um homem q sabe apreciar…

    Mulher ouve falar em ser objeto e logo dá um arrepio na coluna…rss
    Penso que sujeito e objeto se equivalem em sua interdependencia… o resto já foi bem falado por todos…Nicky, gostei da dica, acho intrigante e muy belas as muçulmanas.

    Agora, cá pra nós…deve ser um calor infernal debaixo dessa burca toda preta…certamente nao seria minha fantasia de carnaval rss

  11. Luana Says:

    Olá Fernando, parabéns pela sua reflexão. muito interessante.

    eu, acredito, que como prega a França “liberdade, igualdade e fraternidade” devem ser empregados em todos os momentos.

    além de parabenizá-lo, que dizer, que tomei a liberdade
    de emprestar suas palavras para usá-las no meu relatório.
    faço história da Universidade Integrada do Alto Urugai e das Missões, Santo Angelo RS, e utilizo-as como citação..

    bejo té a próxima

  12. Os véus islâmicos e a liberdade da mulher | From Lady Rasta Says:

    […] Sim, é opressão caso seu uso seja imposto  (e nem todas as mulheres gostariam de deixar de usá-lo). No entanto, não acredito que ela seja mais opressiva para as muçulmanas do que são para nós ocidentais  as revistas com mulheres irreais e a exigência cada vez mais premente e ridícula da mulher se manter bela e jovem como se tivesse 25 anos para sempre (esse artigo bárbaro nos explica isso muito bem – e o Fabio Hernandez o resumiu lindamente aqui). […]

  13. arthurdasilvaaraujo Says:

    as mulheres arabes tem que deixar de ser dominadas por esses tipos de homens antisocial explorador e se soltar mesmo creo eu quando elas ve uma mulhar livre ela tambem tem o mesmo desejo de ser livre poder amosrar o rosto o biquini fio dental no bumbum gigantee poder amostrar a marqinha do seu biquini nua usar jeans estamos vivendo numa era de liberdade de escolhas e não uma ditadura onde os grupos da raça arabes vão pela cultura religiosa isso não e religião isso e escravidão

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