Caso tome uma bota, lembre sempre dos defeitos de quem a desferiu em você


PERA, CALMA. Uma fêmea nervosa, aflita, não encontra resposta para um dos dramas mais cruéis da humanidade no capítulo amoroso. Ela assina uma carta com uma identidade misteriosa, M. Srta M, chamemos assim a missivista. É um lamento, um gemido, uma angústia que jorra incontrolada de sua alma desiludida de moça sonhadora: por que, cargas d’água, a gente só se lembra das coisas boas depois do adeus?

Normalmente eu suprimiria as cargas d’água, por ser uma expressão gasta, mas ali, da maneira que a Srta M a colocou, o velho clichê ganhou uma força nova, um vigor juvenil. Mantive-o, então.

A interrogação desesperada da Srta M é sinal de que provavelmente neste  instante ela  lamenta um amor perdido que em sua memória é belo como um poema de Bandeira e ensolarado como um dia de dezembro na Vila Mar, ali pertinho do Bira’s Bar,  onde passei os verões deslumbrantemente fugidios da adolescência.

Imagino a Srta M, braços elevados para os céus, os olhos úmidos, buscando uma resposta para um dos caprichos do amor que mais nos machucam: a sensação torturante, cruel como um cossaco russo e ríspida como um cigano búlgaro, de que perdemos de bobeira, por desleixo, algo que não soubemos valorizar e cuidar quando podíamos e devíamos.

Mas não dos céus, e sim da caixa de comentários, aparece uma resposta científica, objetiva, neurológica, quase que completamente inatacável. Anarcoplayba traz a luz da ciência e da razão onde antes havia a treva da emoção e da dor. Acode a Srta M com a voz da medicina. Um amigo médico lhe contou tudo.

Copio e colo, por mérito do autor:

As boas recordações são neurologicamente mais estáveis que as más recordações.

Ou seja, enquanto as coisas boas ficam ecoando na sua cabeça, as ruins vão “fading out”, ficando borradas, apagando, sumindo.

Não é que você “só lembra das coisas boas depois que acaba”, é que você, enquanto está próxima dos eventos, está num turbilhão de sentimentos bons e ruins. Quando a história acaba, os ruins vão sumindo e os bons ficam. Daí a ilusão de que “não era tão ruim assim”.

Era, mas você esqueceu.”

Graças a essa explicação, Anarco conta que evitou o risco de voltar para um amor mofado. Recolheu suas coisas no dia seguinte à ruptura, antes que fosse vítima do ritmo desigual das recordações.

Cética quase que no limite da descrença, ligeiramente mordaz como quem zomba elogiando, Karina questionou a neurologia do fracasso amoroso e se estabeleceu, então, um bonito duelo de palavras, argumentos e idéias. Encarnavam os dois o antigo combate entre a razão e a emoção. Rafa, provavelmente no intento de apagar memórias afetivas doídas, pediu prontamente mais informações, e recebeu-as de Anarco. Terminaram a conversa com promessas,  Anarco de trazer ainda mais ciência, Rafa de ir à Academia do Google, que eu não sabia existir. Karina, depois de quase proferir o hahaha ignominioso do Cafa, o que finaliza e some, se recolheu.

Quanto a mim.

Sempre terminei, sem conhecer a explicação científica que a neurologia ao que tudo indica oferece, vendo o passado sob lentes que evidentemente o tornavam mais azul do que era. A dor da despedida, assim, não raro ardeu em mim como as lenhas da inquisição, e se muitas vezes eu não gritei foi por autocontrole estóico e não por falta de vontade.

Até o dia em que li um sábio da Antiguidade.

Ele dava um conselho básico no amor perdido: fazer a lista dos defeitos de quem deu uma bota em você e olhá-la uma, duas, quantas vezes for necessário. Relembrar, nos detalhes sádicos, as agressões, as palavras ruins, as noites perdidas por conta das brigas. Mentalizar, para usar a terminologia neurológica, a mesquinharia, a patifaria, as mentiras, todas as decepções que levaram a relação ao crematório da Vila Alpina.

Pode demorar um pouco, mas esse método, se seguido disciplinadamente, neutraliza a explicação científica tão bem anotada por Anarco: a permanência teimosa das boas lembranças e o apagamento quase que instantâneo das más.

Foi ruim, e por isso acabou. Foi mais que ruim. Foi péssimo, um pesadelo. Ponto. Por isso acabou. Sorte sua.

42 Respostas to “Caso tome uma bota, lembre sempre dos defeitos de quem a desferiu em você”

  1. Anarcoplayba Says:

    Wow… pesado.

    Eu sei que não concordo.

    Não que não seja uma técnica eficiente, mas aos meus olhos é cultivar rancor. Faço referência ao meu último texto (ruim, por sinal): As pessoas oferecem pro mundo aquilo que elas têm de melhor. Seu/Sua ex foi um/uma escrota? É o melhor que ela tinha pra oferecer.

    Isso não é motivo pra guardar rancor: você não fica com raiva de alguém que prepara camarões no jantar e você é alérgico a camarões, fica? Pra mim, é a mesma coisa: a pessoa oferece algo que te faz mal. É o que ela pode fazer. Não vá mais jantar com ela e se mantenha limpo de sentimentos ruins. We should live and let live, forget and forgive.

    Óbvio que cada um lida da forma que acha melhor: se você tem uma infecção, você toma antibióticos, apesar dos efeitos colaterais. But no drug should last forever.

    Em um momento de confissão, no entanto, admito com certa vergonha que fui tomado pelo mais delicioso schadenfreud quando aquela ex me contou das brigas que ela anda tendo com o atual namorado.

    Ela não mudou nada, não é mais problema meu e, de quebra, eu estou razoavelmente de boa com ela. Embora a gente n tenha se encontrado pessoalmente (o que seria o teste de fogo, visto que pele, sons e cheiros são outros 500) conseguimos conversar sem traumas.

    • Fabio Hernandez Says:

      O link do texto a que se refere o Anarco.
      http://anarcoblog.wordpress.com/2009/12/01/brocolis/

    • Renata Says:

      é bem interessante isso que você mencionou sobre os neurônios… quanto mais o tempo passa, mais as memórias dolorosas se distanciam.

      Quanto ao fato de ser dispensado(a), Fabio, cada um tenta lidar com isso de uma maneira diferente, eu inventei um nome para este momento doloroso que passamos na vida: Logística do desapego! Sempre que passo por uma decepção começo a seguir essa cartilha que criei pra mim.

      Nunca é facil! Viver o luto de uma perda é uma merda, ainda mais quando os seus neurônios ficam te boicotando, sacanagem!

      Enfim, todo mundo pasta por causa de amores que viram desamores. São lições que necessárias para o crescimento pessoal e a vida que segue.

      Dica de leitura: Estou lendo um livro, que fala sobre um homem e a maneira que começou a levar a vida depois de ter “tomado uma bota” da esposa que o trocou por um outro homem, basicamente assim: ele vai pra irlanda e passa meses enchendo a cara, depois las vegas e tailandia. o livro chama “Beber, jogar e f@#er ” vem bem a calhar para esse debate sobre “botadas”

      • Fabio Hernandez Says:

        que livro é esse?
        acho sem ter lido pouco sábio. beber e jogar pela bota levada farão mal para a saúde e para o bolso. foxxer pensando na outra é desespero e não desfrute.
        ovídio sabia mais que esse autor, Renata.

  2. Rafael Says:

    Portanto: mentalizemos os defeitos – mas sem cultivar rancor – e exerçamos a indiferença para com a(o) dona(o) da bota.

  3. Karina Says:

    Fabio Hernandez, meu querido, sem querer desconstruir sua bem engendrada trama, vou repetir que n estava sendo irônica diante da oferta científica do personagem 1. Se há um duelo entre razão e emoção, sou a própria arena. Acredito no físico, no químico e no etéreo rsrs

    Agora, para desconstruir o raciocínio desde a raiz, deixa eu falar que comigo isso não acontece, n! rsrs Nem passo a enxergar só o lado positivo do relacionamento, nem, muito menos, procuro lembrar as coisas ruins para anular esse processo de beatificação. Sim, pq essa hipótese que vcs estão levantando é mais ou menos uma reprodução do que ocorre quando um indivíduo morre… logo ele assume ares de santo e é necessário um esforço danado para lembrar que os mortos tb são canalhas.
    Então, bem… acho que sou justa, pq reconheço o bom e o ruim da pessoa tanto durante quanto depois. Esse é meu lado racional que grita forte =p

  4. Karina Says:

    Ih, tás se valendo de um sofisma para me confundir!!!

    Seria emocional se deixasse o amor ou o ódio temperarem minhas impressões!
    O cérebro busca nos preservar, é um mecanismo de defesa excluir os registros negativos. No meu caso, possivelmente as más lembranças não representem um fardo assim tão pesado. Agora… vai saber o porquê! Coisas da alma, talvez. Ou uma mutação genética que influi diretamente nas minhas conexões cerebrais.
    (mas que papo de doido!!)

    • Fabio Hernandez Says:

      visto que o ódio é cultivado com o desiderado exclusivo de esquecer e eliminar assim cientificamente os distúrbios neurologicos que nos fazem lembrar o que é para esquecer e esquecer o que é para lembrar, vc está agindo com total e teimosa emoção, k, e o mais perigoso tipo de emoção, aquela que se apresenta para nós dusfarçada ladinamente, como uma bruxa má de conto de fadas, como razão.

  5. R Says:

    Fábio,
    Talvez seja um pouco radical o método do sábio antigo. Até porque memórias, boas e ruins, devem permanecer, tanto para crescimento como para conforto. Mas acredito que a técnica dele funcione.

    Sempre apliquei um método similiar, o qual eu chamava de “Mantra”; que é bem mais simples e com menos rancor que o do sábio. Consistia primeiro, em superar o que eu chamo “Síndrome da Casinha de Sapê” (cultura pop total) e tens que gostar somente de quem gosta de ti. O resto? Deixa viver a vida deles, não te interessam.

    Sabendo disso, só tens que mentalizar uma frase:

    “Srta (ou Sr) X não gosta de mim”.

    Fazendo isso, como um mantra, e sabendo que toda frase repetida a exaustão é aceita por nós como verdade (mesmo que não seja!), em algum tempo guardarás as recordações e não ficarás com nenhuma vontade de voltar. Sem rancor, sem mágoas, sem achar que o relacionamento foi um lixo ou um pesadelo. Até porque não foi! Simplesmente acabou. Foi bom durante o período que durou ou devia ter terminado antes. E agora, como aquela pessoa não gosta mais de ti, ela não te interessa.

    É isso, para mim funciona, não sei o que achas,
    Abraço

    PS: usei o termo “mantra” sem nenhuma ligação ou falta de respeito a qualquer religião ou crença. Melhor deixar bem claro.

    • Fabio Hernandez Says:

      R, bom tê-lo aqui. vistos os seus apuros sentimentais, a dor excruciante que sentiu ao tomar bota da Srta O, tenho receio de que seu método merece uma revisão. lembrar das coisas boas leva aos distúrbios neurológicos citados por Anarco; vc os amplia e subestima ou acaba esquecendo as coisas ruins; aí vc pode ser vítima da armadilha mental em que caiu o escritor da Renata, o que bebeu, jogou, foxxx e inexoravelmente se foxxx. pense a respeito.

      • R Says:

        Perspicaz Fábio. Claro que meu método tem falha! Longe de querer concorrer com Ovídio. Ambos requerem uma coisa, querer usar. Para mim a diferença fundamental dos dois é que ele prega o apego ao ruim e o meu, o desapego ou, como Nicky falou abaixo, a indiferença no final. E claro, os dois demoram para ter ser efeito. Mas entendo teu ponto.
        Quanto a dor maior que tive e tenho, não é pela bota, mas pela dúvida. Com certeza aliviada com a ajuda que tive para reencontrar o caminho.
        Quanto a idéia do livro, concordo contigo, sem dúvida. Pavorosa a idéia de beber e jogar para esquecer, talvez só não tanto quanto foxxx para este fim. Alias, qualquer atividade com objetivo exclusivo de esquecer o outro deveria ser abandonada; tens que fazer as coisas para ti, porque queres e não para desalojar quem quer que seja de tua mente.
        Valeu!

  6. Maísa Says:

    Hum. Acho que lembrar as coisas ruins dá mto certo. Eu há uns meses terminei um relacionamento e me valho mto dessa técnica. Por vezes, me pego dizendo em voz alta e em 3ª pessoa(saio de mim e assim me encaro): lembra que ele te fez isso e isso…? lembra os defeitos? lembra…etc. e assim na hora vai passando. Acredito no processo do esquecer e é comum recaídas – boas recordações. Porém é preciso ser forte e desejar sair do passado. Tarefa árdua, mas gratificante. 🙂

    • Fabio Hernandez Says:

      vc pode até acrescentar defeitos caso os legítimos não estejam sendo suficientes. lembre sempre os detalhes sinistros da bota, o episódio em si, Maísa. vc é uma fêmea sábia.

  7. Sand Says:

    Tem que amar, e tem que sofrer. Faz parte. Isso que vocês esta a fazer é uma baita sacanagem. Se for levado a serio, não tem como se lavar, o amor não tem graça alguma.

    • Fabio Hernandez Says:

      de um sabio amoroso: antes do amor, sonhar; durante o amor, desfrutar; depois do amor, em caso de bota súbita, odiar com o fito de esquecer; depois do esquecimento, abraçar um novo amor, e só percorrer o caminho anterior se outra vez a bota irromper.

  8. Nicky-san Says:

    Se você quer esquecer DE FATO, esqueça.

    Pensar nas “coisas ruins sobre a outra pessoa” ainda significa pensar na outra pessoa.
    Pensar “oq a gente teve foi bom ou ruim?” ainda é pensar na pessoa.

    O contrário do amor, insisto, não é o ódio, mas a indiferença.

    Nesses casos, sugiro um curso de velas artesanais… Ou um curso de tango… Um curso de tcheco!

    Qualquer coisa, meu Deus, menos pensar no ordinário que tanto me fez sofrer. Quando bater “aquela saudade”, esse exercício mental é uma lição de casa…
    Pensa que o Masp é de graça às terças, a Pinacoteca é de graça no sábado e brincar com o irmão de 3 anos da sua amiga é de graça SEMPRE.

    Um belo dia, vc não vai mais lembrar do que tanto te tirou o sono.
    Depois de muito tempo, vc vai lembrar daquela pessoa e pensar “ah…” com uma frieza que nem dá pra descrever.

    I can tell o quanto a gente sofre, fica sentimental, fica sofrendo, bla bla bla… Mas se o seu amor-próprio é menor que o “amor” que você sente (ou sentia… sei lá!) pela outra pessoa, então você precisa de ajuda profissional, não só de conselhos de amigos. OU precisa virar minha amiga! rs

    Quem vive de passado é museu… (E quem vive de futuro é cartomante!)
    A gente tem que abrir os olhos pro que tá acontecendo ao nosso redor e aproveitar! Nada melhor que isso pra move on de vez, como o outro fez há muito tempo.

    Quando decido que alguém me faz mal, simplesmente apago a pessoa do meu networking.
    Milhares de pessoas morando na mesma cidade caótica que eu moro e eu vou ficar me matando por causa de UMA que, além não me dar valor ainda não se importa comigo???
    [Cafa]hahahahahaha[/Cafa]
    Not likely!

    • Fabio Hernandez Says:

      Data venia, Srta N-san, a tese ovidiana é lembrar apenas para esquecer. A lista dos defeitos reais + 2 de bônus inventados é para apressar o esquecimento por meio do ódio cossaquiano. Todavia sem rancor, como sensatamente obtempera Rafa.

  9. Nicky-san Says:

    Ps, sr. fabio hernandez: senhorita M.????

    Esqueceu de mim!? 😥

  10. Vanessa Says:

    Estava com saudades de passar por aqui :)….
    Esses debates estão ficando cada fez + emocionantes e eu adoro…
    Sobre a Srta. M. posso dizer q sou igual a ela, sempre fico lembrando dos momentos bons e acabo caindo em recaídas e isso não é nada legal!!!
    Achei legal o comentário do Anarco, qdo falou que encontrou a ex e viu que ela tinha as mesmas brigas com o atual….

    Sobre o conselho do sábio: irei adotar, sem sombra de dúvidas e a listinha começarei a fazer já….

    Isso faz me lembrar uma amiga que sempre me dizia: como vc tem memoria curta para as coisas de ruins que ele faz para vc, logo esquece!!!

    Fábio quem será a próxima carta agora?? da Srta. A, B ou C …rs..rs..

    Vamos aguardar…

    beijos e um ótimo dia

  11. Re Says:

    Fabioooo… tomei uma bota impressionante há mais ou menos 2 meses.

    Deixei o atual de 5 anos pelo meu “O” e ele não me aquis mais por ter sofrido durante a espera pela minha bota no “T”.
    Falou horrores, e me desculpem gente, mas parecia que ele era uma “virgem” intocada… Isso tudo depois que eu já estava sozinha para ficar com ele! Esperou eu fazer tudo! Não foi facil para ele, eu sei, mas só tentávamos a 5 meses. E ele jogou a culpa em mim, mesmo sabendo sempre e na ítegra da minha situação, das tentativas, das dificuldades.
    Me disse que percebia o quanto eu gostava dele, mas que não passava confiança, mas eu não entendia muito bem, porque na verdade pensava que “eu” precisava confiar em primeiro lugar para tomar atitude, ele precisava me apoiar e estar do meu lado… e me deixou.

    Tomei a atitude e não me arrependo, eu precisava me libertar, mas já estava louca por ele, e passei apuros enormesss… noite sem sono, o desespero, o desamor… e todo aquele processo de abstinência que é uma m@#**.

    Agora dói menos, mas minhas pernas ainda tremem se eu ve-lo, meu coração não obedece… não posso ve-lo again… não por enquanto. Devo confessar que esse processo de lembrar dos defeitos e do fora funciona… sem rancores. Mas se ele quisesse voltar, ainda pensaria em negociar.
    sei que é A-B-S-U-R-D-O! but….

    [sorry pelo texto] 😉

    • Fabio Hernandez Says:

      Anote num caderninho os defeitos dele, que não são poucos, deu para perceber. Leia para vc mesma duas vezes por dia, como numa meditação ou num mantra, Re. Se vc não se libertar, é porque gosta de bota,

  12. Camila Says:

    Ah,, eu ainda tô na fase de só lembrar das patetices do ex. A listinha dos defeitos eu sei de cor e salteado. Mas é esperançoso saber que uma hora vai me restar as poucas e doces lembranças que estão neste momento apagadinhas da memória

    • Fabio Hernandez Says:

      Quando vc achar que era melhor do que foi, vc vai estar frita, Camila.

      • Camila Says:

        Mas guardar boas lembranças não significa que quero trazer à tona tudo de novo e revivê-las.. Doces memórias são comos sonhos, e não foi vc quem disse uma vez que sonho realizado é um sonho morto?

      • Fabio Hernandez Says:

        Não lembro, Camila. Já escrevi tanta coisa …

  13. Eliane Says:

    Tomei uma bota a pouco tempo, acredito até que ainda está a marca lá atrás… rs Enfim, a tática de lembrar das patifarias do ex ajuda sim, isso não alimenta o rancor, mas serve de alerta do pq você não deve ir atrás do ser, do pq ele não merece nossas lágrimas e etc… É claro que isso não faz com que o sentimento que temos pela pessoa acabe, mas é um empurrão para sermos fortes e seguirmos em frente!!!
    No meu caso sofri horrores e por ter em mente os defeitos dele, tive forças para seguir em frente… é verdade que tive recaídas, mas por pensar como a Maísa, estou conseguindo sair dessa!!!
    É como lí uma vez: Até um pé na bunda nos empurra para frente!!! 🙂

  14. Srta. O Says:

    Eu penso que, na verdade, que o amor só se esgota se você usá-lo até o final. Como uma espécie de frasco de amor. Se você deixá-lo pela metade, ainda terá amor para usar. Em contrapartida, quando você “gasta” todo o amor que deu a essa pessoa, é mais fácil esquecer. Por isso tanta gente sofre por amor.
    Nunca usei mantras, nem listinhas para esquecer. Tento apertar o off dos meus sentimentos e pensar em outras coisas. Tem funcionado.. Mas sei que na prática não é tão simples assim.

  15. Aline Says:

    Oi Fabio, isto é verdade, fazer uma lista e ficar lembrando depois que acabou, lembrar só das coisas ruins, pois aí o sentimento acaba uma hora, pq vc só lembra do que foi ruim… bem se foi ruim mesmo, te magoou e acabou o melhor seria fazer isso, sábio conselho… bjs.

  16. Anarcoplayba Says:

    Passando a informação do meu amigo, ele leu sobre o assunto no “Tratato de Fisiologia Médica do Guyton & Hall”, mas ficou de procurar coisas mais específicas.

  17. Nevermind Says:

    Ei, Fábio, olá!

    Legal encontrar esse blog, gostei muito das postagens e do nível dos comentários.

    Tomei uma bota coturno federal na ponta do cóccix há um mês exatamente e entrei em delírio. Primeiro, óbvio, por puro narcisismo – imaginem, abandonar um homem como eu etc. Segundo, por estar profundamente envolvido com a srta., muito inteligente, educada e cheia de curvas, que me encantou desde que a conheci, muitos anos antes de iniciarmos o relacionamento. Terceiro porque, por morar sozinho, muito longe da família, num lugar em que tenho pouquíssimos amigos, ela acabou ocupando todos os espaços (não contem para ninguém, mas meu telefone praticamente deixou de tocar depois que terminamos – vejam que lástima…). Quarto, porque fui pego de surpresa; eu sei que todos dizem isso, mas, mesmo sabendo que havia dificuldades, eu não tinha colocado essa solução no horizonte das possibilidades (digam: “sifu, otário, tá pensando que berimbau é gaita?”)

    Fui parar no psiquiatra, voltei para a análise, precisei pedir que minha mãe viesse ficar comigo aqui por uns tempos (hmmm… muito sintomático). Enfim, sofri um colapso emocional daqueles, sem comparativo na minha história. De quebra, desmontado como estava/estou, acabei revelando fragilidades minhas para a moça, que, sórdida como ser humano que é, deve ter se regozijado imensamente (“eu tinha razão!”), e me coloquei numa posição ainda mais difícil, pelo que mereço todo o ardor da naba.

    Agora começo a retomar o projeto Eu Mesmo, me esforçando para fazer com que a experiência adquira sentido, e o primeiro passo, penso eu, é a autodesconstrução. Para quem tiver curiosidade mórbida e estômago, e quiser saber o que isso significa concretamente, basta ler http://anticronologia.blogspot.com . Seja como, for vou percebendo, pelos meus próprios movimentos (criar um blog, voltar para a análise, buscar ocasiões para “troca de experiências” similares, começar a correr feito um ensandecido), que, entre outras coisas, fui usado como instrumento de superação da bota que a moça tomou antes de mim. Olhando retrospectivamente, me dou conta de que ela fez a mesma coisa que faço agora, e que o clímax desse processo foi a bota que ela me deu – deliciosa pimenta terapêutica no fiofó alheio.

    Tenho comigo que, entre lembrar para esquecer, seja qual for a modalidade praticada, e esforçar-se para ser indiferente, a segunda opção leva vantagem, e talvez por isso mesmo seja mais difícil, mais penosa, mais lenta. Dessensibilizar-se sem tornar-se insensível, quer dizer, dessensibilizar-se metódica e seletivamente, acho que é isso aí. Não dá para trocar de vida, de casa, de móveis, de livros, de corpo – ou ainda que desse: o negócio é colocar novos significados naquilo de que não podemos escapar. E perdoar, que não é enterrar, mas exumar, e tornar aquele significante repulsivo em insignificante, em menos ainda.

    É isso. Agora, as biscas.

    • Eliane Says:

      Espero que você supere!!!
      Mas não posso deixar de perguntar, o que seria “agora, as biscas”???

      • Nevermind Says:

        Coisa de nordestino: bisca é peteleco na orelha, cacholeta, como preferem outros…. É que achei que merecia/mereço, sei lá… Talvez não, não é? Sofrer enche o saco, e um pouco de condescendência, mesmo não merecida, às vezes faz bem.

        Obrigado! Abraços.

    • Eliane Says:

      Obrigada, não fazia idéia!!! rsrsrsrs
      às vezes precisamos de uma “bisca” pra acordar e seguir em frente….

    • Karina Says:

      Nevermind,

      Visitei seu blog. Gostei, muito, da forma como escreve. É quase uma poesia, tão fácil parece que as palavras escorrem. Poesia das boas, claro, não aquelas coisas truncadas sem quê nem porquê.

      Sobre seu momento: vai passar. Sempre passa. Tudo passa. Pode durar mais ou menos, mas passa.
      É só o que digo.
      =D

    • Fabio Hernandez Says:

      Nevermind, o nome vem do Nirvana? Gosto dessa expressão, embora tenha lido em algum lugar que é a mais detestada pelos americanos (ou ingleses).
      Vi seu blog, e concordo com a Karina. Parece poesia, tal a facilidade com que vc mexe com as palavras. Fundo preto dificulta a leitura, mas o conteúdo faz o leitor avançar.
      Botas, todos damos, todos levamos. Dar com magnanimidade qdo preciso, enfrentar com coragem qdo inevitável.
      Fuerza, brother!

      • Nevermind Says:

        Oi Fábio, que legal ter uma resposta sua!

        Obrigado pelo elogio, mas, sobretudo, obrigado pela força, que eu tenho precisado mesmo. Esse meu sentimento é talvez o mais trivial e patético dos sentimentos humanos, mas pode ser bem aproveitado, acredito, por quem se der ao trabalho de fazê-lo avesso. Além do mais, continua valendo (para mim ao menos) aquela idéia de que “o homem com uma dor é muito mais elegante.”

        Não, o Nevermind não vem do Nirvana… usei a palavra mesmo só pelo sentido, para querer dizer que pouco importa quem seja eu, exatamente por causa dessa mesma trivialidade a que me referi. E não sei dessa história de que “nevermind” seja uma expressão desgostada no contexto nativo, embora seja realmente possível que o uso dê ao termo uma conotação detestável. Em todo caso, nevermind… rsrs

        Visite sempre que puder e quiser – atualizarei as postagens com constância (e crueza), até achar que a coisa fez “clic”. No mais, há sempre alguma coisa de instrutivo em assistir um homem se “desfazer”, e não há verdadeiro sentido nisso se não houver um espectador, mesmo que involuntário ou forçado (o meu “querer porque querer que não…”)

        Um grande abraço do seu novo leitor fiel.

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