“Algo me diz que ainda posso ter esse homem em minha cama novamente”


Recebi da Senhorita Z um novo email. Ela me dizia que, por algum motivo tecnologicamente obscuro, não estava conseguindo deixar comentário aqui no blog. Queria responder às perguntas, muitas, que lhe foram feitas. Copiei e colei, no texto em que ela narra sua perturbadora história de amor com um professor que não apenas tinha idade para ser seu pai como, mais complicado ainda, carregava uma aliança na mãe esquerda. Mas ali, onde deixei a nova correspondência da Senhorita Z, as palavras ficam meio perdidas, percebi pelo silêncio ensurdecedor em torno delas. Mulheres são, por natureza, dispersivas, e um novo assunto vai matando o anterior com a crueldade de um cossaco russo e a sem cerimônia de um cigano búlgaro.

Por isso decidi trazer ao palco central outra vez a Senhorita Z. As respostas individuais estão onde as coloquei inicialmente, e recomendo que as leiam no conjunto. Percebi agora na Senhorita Z, que ousou quebrar um tabu e desafiar o conjunto de crenças sob o qual fora criada e educada, um desejo de vingança, que, até por ela mesma, reprovo.  Palavras do Mestre Yoda: “Raiva leva a ódio. Ódio leva a sofrimento.”  É sábio combater a raiva, dizia Tio Fabio.  Bem, de resto uma frase, em particular, me impressionou pelo tom semierótico, nostálgico e impetuoso: “Algo me diz que ainda posso ter esse homem em minha cama novamente”. Uma coisa é certa: eu não gostaria de estar na pele do noivo da Senhorita Z.

Com a palavra, outra vez,  a aluna que se entregou ao mestre Pecadinho nas terças e quintas da paixão:

Sobre sua pergunta … [Eu tinha perguntado a ela quais tinham sido os capítulos seguintes depois que a esposa de Pecadinho apareceu em sua porta.]

Assim que nosso acabou ele ficou silente por um tempo. Curto, mas ficou.

Comecei a receber e-mails de uma pessoa que não existia, eu não conhecia, mas com uma maneira muito parecida de escrever. Não demorou pra que eu descobrisse que era ele. Esse e-mail era necessário já que foi através do e-mail que ela nos descobriu… [Ela é a esposa do professor.]

De lá pra cá, semanalmente nos falávamos. Eu tinha crises, claro. Esperei por ele, alimentei esperanças, vim tocando a vida como quem sempre espera uma surpresa.

Até o dia em que cansei e fiquei sabendo que a reconstrução do casamento estava mais evoluída do que podia imaginar. Ele realmente estava arrumando a casa. E a intenção dele era acalmá-la e voltar pra mim, mas daquela mesma maneira: terças de manhã e quintas a tarde.

Foi um choque. Larguei o que eu tinha de concreto: emprego, início de carreira, a liberdade de quem mora longe de casa. Voltei pro interior.

É importante ressaltar, Fábio, que minha família é muito tradicional. Meus pais são muito novos (minha mãe não chega a ter 20 anos de diferença da minha idade) e muito religiosos. Fui criada dentro da igreja sabendo que família é uma instituição sagrada. A filosofia do casamento perfeito e para sempre é o que eu aprendi que é o certo. E o que Deus une, ninguém separa.

Quando terminamos, a ameaça do fim do casamento dele me fez sentir toda a culpa do mundo. Enlouqueci a ponto de passar 18h dentro de uma igreja, pedindo a Deus perdão, e que conservasse o matrimônio por mim abalado.

Voltei pra casa. Reencontrei um namoradinho de adolescência e estamos de casamento marcado. Ele, o atual, é um empresário. (…)

Não pense que estou quieta: não quero voltar pra ele. Não mesmo. Mas vou mexer com ele, como aqueles e-mails com codinome estranho mexeram comigo. Algo me diz que ainda posso ter esse homem em minha cama novamente. Essa idéia me assusta, mas ele não vai sair impune por mexer tão profundamente com um coração corajoso de mulher.


9 Respostas to ““Algo me diz que ainda posso ter esse homem em minha cama novamente””

  1. Ana Says:

    Querida Z,

    Você está me parecendo muito confusa. Pelos seus comentários anteriores entendi como uma pessoa fascinada pelo encanto da paixão, mas consciente de sua efemeridade. Agora, apesar de outras tantas coisas que você seja além disso, parece, a mim, uma mulher carente de um homem específico. Falava de como era morno (lembrando que o amor é morno mesmo. A paixão é quente demais.) seu relacionamento com o seu namorado (agora noivo?!). Vou metendo minha colher, sem querer, mas…vale a pena?

    O Pecadinho (imagino bizarrices tentando pensar em como seria esse seu professor. E nenhuma delas é minimamente erótica…) é sua paixão, e tu bem sabes, na resposta que deu aos meus comentários anteriores, que não duraria, esfriaria, e talvez/certamente ele deixasse de ser tããão fundamental assim.

    Tudo isso para dizer que: não vale a pena (ao meu ver, mas você, definitivamente, foge a minha compreensão) tentar nem provocar seu Pecadinho (e ainda é “inho”?). Também acho que não vale a pena continuar num noivado dessa forma, e digo isso não pelo tesão que você sente pelo professor, mas principalmente porque penso que você não deve sustentar algum modelo imposto por outrem.

    Agora já acho que você se envolveu com esse professor envolta numa vontade de ir contra os valores impostos a você.Não julgo. Todos fazemos ou faremos isso. Procure um psiquiatra, se você concordar comigo. Se não concordar, continue com seus planos. Em todas as alternativas, seja feliz. Mas lembre que felicidade não é alegria, não é momentânea, e sempre devemos algo a alguém.

  2. Alice Barros Says:

    A-D-O-R-E-I o final do texto “mas ele não vai sair impune por mexer tão profundamente com um coração corajoso de mulher.”
    Que srta decidida!!! Pelo que vejo, a srta. Z entrou pro time das mulheres que possuem paixões mal resolvidas… Seja bem-vinda, querida! E prepare-se para momentos de amor e ódio eternos!
    Concordo que a srta. Z parece confusa, mas é normal, uma vez que essas paixões antigas nos fazem perder totalmente o sentido e a razão.
    Boa sorte, corajosa e decidida srta. Z.

  3. Alice Barros Says:

    Ah! Sobre o q vc falou, Fábio, que a srta. Z não conseguia responder aos comentários, eu tbm não tava conseguindo. Qd clicava em responder fechava a página!!! Estranho!! =S

  4. Senhorita Z Says:

    Ana, minha querida: li tudinho e tenho sua resposta. Só preciso de tempo e domingo a noite não está fácil… Mas amanhã, ainda pela manhã, falo com vc, ok? A justificativa é longa!!!
    Só para vc não ficar curiosa: eu não queroa, não posso e não devo ficar com Pecadinho.
    Seria como acordar todas as manhãs ao lado d aminha sentença de morte.

  5. Senhorita Z Says:

    Alice!!!
    Vc é doce, sabia?!?
    PEcadinho me faz perder tudo. Inclusive a esperança de que um dia, poderei viver um sentimento normal, tranquilo.
    Desses que todas as mulheres merecem…

    • Alice Barros Says:

      Ah srta. Z! Sei exatamente o que é isso!!! E como sei…
      Mas a verdade é que a gente precisa de um homem que desperte em nós amor e paixão… Parece impossível, mas ele existe! E desse sentimento que precisamos!

      Obg por dizer que sou doce! rsrrs
      =*

  6. Nicky-san Says:

    Miss Z,
    Preciso ser sincera.
    Jamais gostei dessa coisa de vingança.
    Só pra você ter uma idéia, quando eu era criança, ficava metade do dia na casa da minha avó, então meu caráter meio que foi construído com ela.
    Essa menina doce e gentil citaria um filósofo muito importante do século passado, sempre presente nos tempos de vovó, e te diria solenemente
    – A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena.

    Acontece que eu cresci (ainda bem!), vi que o mundo da minha avó é lindo!
    …pra pessoas puras e angelicais como ela.

    Eu já passei pelos dois processos, ‘deixar quieto’ e ‘me vingar’.

    Como uma boa escorpiana, acredito em justiça. Na minha.
    E como boa professora, digo que NÃO é uma questão de fazer mal pro cara! Absolutamente…
    Mas qual o problema de usar meios didáticos – se é que vocês me entendem 😉 – para mostrar o quanto ele me fez mal?

    Se você precisa “get it out of your system” (não sei traduzir essa expressão, significa mais ou menos *se livrar desse sentimento/situação, geralmente algo ruim…*) pra poder enterrar isso de vez, eu não te acharia uma pessoa ruim se quisesse usar de meios didáticos.

    Quando eu sou boa, eu sou um amor, mas não brinca comigo, porque quando que sou ruim, eu sou melhor ainda!

    Se você quiser desencanar, miss Z, você tem nosso apoio.
    Se você quiser uma vingancinha didática, tem nosso apoio as well!

    Não tem, meninas?

    Beijo,
    M.

  7. Julia Duarte Says:

    “Algo me diz que ainda posso ter esse homem em minha cama novamente”. Sensacional! É a intuição feminina a todo vapor.

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