Vocês querem profundidade? Lá vai


Tio Fabio, falecido homem do interior, Deus o tenha, caso exista, dizia que a gente devia tomar cuidado com coisas muito profundas porque poderíamos morrer afogados. Mas percebo em algumas mensagens, boas aliás, que posso estar sendo frívolo ao falar de assuntos como o dramático dilema da Senhorita Y,  tratada com absurda frieza depois de ter se entregado com total calor a um homem no primeiro encontro. Também o drama da Senhorita X não parece ter comovido ninguém exceto ela mesma e eu, tocado com a ambiciosa executiva que baipassou o chefe e está tendo um caso com o chefe do chefe. Senti no ar, em nossa comunidade, algum receio de que eu pudesse percorrer o alfabeto todo numa louca cavalgada romântica letra a letra.
Então decidi me aprofundar, não tanto para não me afundar, é verdade, e fui buscar inspiração em meu passado filosófico. Por alguns momentos, troquemos Maddona, X e Y por oradores do passado. Preparados? Vou colocar em aspas, para dar mais solenidade ao texto.

“Houve dois grandes oradores na Antiguidade: Cícero, romano, e Demóstenes, grego. Cícero nasceu com o dom. Demóstenes (384-322 a.C.) é uma prova do extraordinário poder do esforço. Foi graças ao treinamento meticuloso, rígido, persistente que Demóstenes se elevou à imortalidade como um símbolo da força avassaladora das palavras. Demóstenes, natural de Atenas, era de uma família rica. Seu pai morreu quando ele tinha 8 anos. A herança opulenta foi dilapidada por seus tutores, parte por má fé, parte por inépcia. Garoto ainda,Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador chamado Calístrato teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredicto que parecia selado. (Orador, lá para trás, era uma espécie de advogado de hoje.)

Pronto. Demóstenes acabara de saber o que queria ser quando crescesse. Esse episódio foi assim narrado pelo historiador e filósofo grego Plutarco:“Demóstenes invejou a glória de Calístrato ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida”. Ele entrou numa escola de oratória.Assim que pôde, processou seus tutores. Ganhou a causa.Mas estava ainda longe de ser notável. Um dia, desanimado, desabafou com um amigo ator. Gente bem menos preparada que ele provocava melhor impressão nas pessoas. O amigo pediu-lhe que recitasse um trecho de Eurípides ou de Sófocles, dois gigantes do teatro grego.Demóstenes recitou. Em seguida, o amigou leu o mesmo trecho, com o tom dramático de um ator. Era a mesma coisa, e ao mesmo tempo era tudo inteiramente diferente.

Demóstenes montou então uma sala subterrânea na qual se enfiava todo dia por demoradas horas para treinar, treinar e ainda treinar. Chegava a raspar um dos lados da cabeça para não poder sair de casa e assim praticar sem parar. Para aperfeiçoar a dicção,Demóstenes punha pequenas pedras na boca enquanto falava. Fazia também parte de seu treinamento declamar em plena corrida. Olhava-se demoradamente num grande espelho para ver se sua expressão causava impacto. “Vem daí a reputação de não ter sido bem dotado pela natureza e só haver adquirido habilidade e força oratória pelo trabalho incansável”, escreveu Plutarco. Ao contrário de outros grandes oradores atenienses, Demóstenes não gostava de improvisar. Por isso os inimigos o chamavam de embusteiro.

Quando a Grécia foi ameaçada por Felipe, rei da Macedônia, a voz de Demóstenes ergueu-se tonitruante em defesa de seu país.Mais que o exército grego, Felipe, pai de Alexandre, o Grande, temeu e reverenciou a voz de Demóstenes. Demóstenes retardou, mas não impediu a queda dos gregos. Fugiu de Atenas para não ser morto, mas estava perdido. Para não ser capturado pelos inimigos que o caçavam, matou-se com veneno. Mais tarde, os atenienses construíram uma estátua para ele na qual gravaram uma sentença célebre: ‘Se tivesses tido força igual à tua vontade, Demóstenes, o guerreiro macedônico jamais dominaria a Grécia’.”

Pronto. Que vocês acharam? Por favor, sejam sinceros como eu.

Gracias desde luego.

10 Respostas to “Vocês querem profundidade? Lá vai”

  1. Fabio Hernandez Says:

    O silêncio é mortal.
    Parece que não agradei falando de Demóstenes, o velho grego batido facilmente pela Senhorita X e pela Senhorita Y.
    Acho que é melhor voltar a meu feijão com arroz. Até porque recebi uma nova e surpreendente mensagem da Senhorita Y.
    Se quiserem saber o que ela conta, me avisem.
    F

  2. Eliane Says:

    Fábio, acredito que foi profundo demais rs!
    Eu gostaria sim de saber o que houve com a senhorita Y, se nossos comentários foi de ajuda…
    Ah, te mandei um e-mail, mas pelo visto não tem mais lugar para uma mulher “letra” na sua vida, não é?
    Beijos

    • Fabio Hernandez Says:

      oi, li, fui profundo demais e me afoguei.
      vou contar depois o desenrolar da história da senhorita y. e vou entrar no email para examinar sua história.
      see you honey
      f

  3. Silvia Says:

    Fabio, acompanho um tempão seu blog, e adorooo!
    Senti uma mudança grande por aqui, como vc terminando sempre em forma de enquete. Gostei da novidade, mas torço pra que o blog não perca a identidade.
    Senhorita Y, X, Z que me perdoe… Demóstenes não foi batido e nem será!!!
    Já não existem novelas e revistas de fofocas demais pra quem gosta de acompanhar a vida alheia?
    Espero que não entendam mal meu comentário… enfim…
    Saiba que vc é meu escritor barato favorito e nem acho que tenha se afogado!!!.. rs

  4. mariana Says:

    Gosto quando você fala do amor, dos seus amores; sejam eles perdidos, secretos, fracassados. A gente sempre aprende um pouco.
    Ah, e obrigada por acatar minha bronca (você voltou a escrever frequentemente!) Obrigada. Um beijo pra você.

  5. berenice Says:

    Oi Fábio, percebi também essa mudança que a Silvia diz, mas sinto que você continua o mesmo de sempre, falando de sentimentos humanos, apenas mudou um pouco a forma de contar. E isso é bom, afinal estamos num eterno movimento. E você o faz de forma esplêndida!!!

    Bjos
    Berenice

  6. Bruno Says:

    Não vou te encher de elogios por causa desse texto, se é o que espera.

    Eu sinto muito se ofendi da última vez, mas eu realmente não gostaria que levasse para o lado pessoal. Eu nunca disse que queria o feijão com arroz, mas quando você tenta mostrar algo, soa pretensioso demais. As vezes sentimentos nnao precisam desse tipo de expressão.

    Como diria Vinícius: “O homem que diz dou, não dá. Porque quem dá mesmo, nnao diz.”.

    Abraços e continue escrevendo.

    Eu vou continuar lendo.

    • Fabio Hernandez Says:

      Não ofendeu, de jeito nenhum, Bruno. Fica sussa. Foi uma opinião sincera e útil. Abraço. Fabio

  7. Uila Gabriela Says:

    Eu também meio que joguei pedras da última vez, mas é que mudanças sempre são necessárias, e para quem acompanha o blog, ou simplesmente o leu inteiro de cabo a rabo (que foi o meu caso), a mudança assuta um pouco.

    Mas querido Fábio, saiba que gostamos de te ler, quase que independentemente do assunto.
    Portanto, permita-se!

    Um beijo
    :*

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