Madonna


“Faltou música antiga”, disse Cris a Pedro. Ela estava falando do show de . Cris usa um espanhol sonoro para se definir como “energética”, e de fato é. Foram duas horas em pé à espera de uma extravagantemente atrasada para quem é uma profissional como ela é. E depois mais uma hora e meia em pé no espetáculo. E Cris dançou o tempo todo.
“Os artistas consagrados vivem um drama na hora de montar sua lista de músicas”, disse Pedro. “Eles querem cantar coisas novas. Mostrar que ainda criam, inovam, fazem hits. Mas o público só quer os clássicos. Agradar o público ou a si próprios é o dilema dos caras que fazem sucesso há muito tempo. É duro achar um ponto de equilíbrio aí.”
Claro que o ponto alto do show de , para o público, foi um clássico. Like a Prayer. Life is a mistery/Everybody must stand alone. Verdadeiro este verso, pensou Pedro. Todo mundo tem que se virar sozinho na vida.
Sinatra dizia que abominava cantar Strangers in the Night. Dylan tem uma maneira peculiar de não se entediar cantando sempre as mesmas músicas: muda tudo. Você tem extrema dificuldade em reconhecer Dylan cantando mesmo um clássico do porte de Like a Rolling Stone.
Um episódio de Simpsons é brilhante em mostrar a vontade do público em oposição à dos astros. Uma banda antig aparece na cidade e vai fazer um show. O cantor diz que a banda lançara um novo disco. O público vaia e pede a música da banda que mais fez sucesso. É cantada, mas mal se inicia as pessoas exigem que se vá direto ao refrão. Lol.

“Ela é abusada”, diz Cris. é uma das maiores inspirações de Cris, ao lado da Carrie de Sex and The City. ” Tem atitude. Olha o que ela faz com a guitarra.” acabara de passar a guitarra lascivamente pelo meio das pernas. dá um beijo na boca de uma das dançarinas, mas é uma ação de marketing já desgastada. Zero em erotismo. Ela aparece mais do que o habitual, no show, com diferentes guitarras. Ligadas ou não? O certo é que há por trás um guitarrista profissional. Com a guitarra lembra um pouco Courtney Love. As canções estão com um ar mais de rock do que de costume. Borderline, uma das raras músicas antigas cantadas, ganha ares quase de punk.
“A guitarra é uma forma elegante de ela dançar menos”, diz Pedro a Cris sem qualquer evidência. “Ela já tem cinqüenta anos. Não dá para dançar que nem você, horas sem parar.”
“Ela parece ter envelhecido muito desde a última turnê”, diz Cris. “Tá muito magra. Olha as pernas finas. Ela sempre foi gostosa.”

É uma superprodução. O uso primoroso dos telões no palco faz do concerto mais que um show de música. Recursos digitais fazem com que virtualmente dance com Justin Timberlake. Mensagens reliossas de paz aparecem uma hora nos telões, oriundas de diversas origem. As coisas de sempre. Não alimente o ódio. Não busque vingança. Faça com os outros o que gostaria que fizessem com você. Será que ela tratou o divórcio com o Guy Ritchie, o cineasta inglês, de acordo com aquelas mensagens?, pensou Pedro. Cris conta a Pedro qiue não deixava Ritchie comer gordura em casa.

é um fenômeno em durabilidade num universo pop que cria e destrói em dias, semanas. Ela é manchete há quase trinta anos.
“Ela não tem voz de diva”, diz Cris. “Mas é uma inovadora o tempo todo.” não fez o que tanta gente consagrada faz: imitar a si própria. Ela parece gostar do risco da novidade, e este é um dos maiores méritos que um artista pode ter. A tentação de repetir fórmulas que deram certo é enorme. Os Stones a partir de um certo momento passaram a imitar Os Stones. Ao contrário dos Beatles. Do primeiro ao último disco os Beatles inovaram, avançaram, e por isso viraram referência em reinvenção incessante na comunidade musical.
Aos inovadores se perdoa muita coisa. Incluído o fato de colocar menos músicas antigas num concerto. Ou mesmo atrasar duas horas. A mesma platéia que vaiava a espera aplaudiu freneticamente quando ela entrou afinal no palco.
“A pode”, diz Cris. “Ela é abusada. Ela pode muito.”

3 Respostas to “Madonna”

  1. Anónimo Says:

    Proposta diferente, como a da Madonna. Como diria Cris a Pedro: “Prefiro os clássicos de amor de Fábio. Mas ele pode falar sobre o quiser…”

  2. Paulo Tamburro Says:

    Tenho uma efetiva dificuldade em assimilar a arte da Madona, porém reconheço que o problema é meu.

  3. maria tereza Says:

    Ei cd vc homem por que nunca mais postou nada, adoro ler o seu blog…..falou

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