A grande dor das coisas que passaram


Rubem Braga, sobretudo nos anos 50 e 60, construiu uma pirâmide literária com suas líricas e despretensiosas crônicas. Pouca gente escreveu em português de forma tão pungente e tão delicada sobre o amor e as mulheres, e sobre o Rio de Janeiro nos seus dias de fausto, quanto Rubem Braga. Rubem Braga está entre os maiores estilistas da língua, ao lado de escritores como Machado de Assis, Eça de Queiroz e Nelson Rodrigues. Uma coletânea da Record com uma seleção de 200 textos de Rubem feita por outro grande nome da crônica, Paulo Mendes Campos, enobrece qualquer estante.

Rubem Braga, como Proust e como Montaigne, pode ser lido ao acaso da página aberta. Você pode pegar qualquer livro dele, ler o quanto quiser em linhas ou páginas, e depois simplesmente fecha-lo. Rubem tinha uma escrita propositadamente simples, mas era um homem refinado intelectualmente. Dizia que o maior verso em português era um de Camões, “a grande dor das coisas que passaram”. De certa forma, o verso de Camões descreve a essência da prosa de Rubem: um olhar poético fixo no passado. Fitzgerald, em Gatsby, escreveu um dos mais notáveis finais de romance. “Estamos sempre condenados a remar rumo ao passado, contra a corrente.” Rubem Braga remou para o passado o tempo todo em sua obra.

O tempo não haverá de fazer efeito sobre os amores e os sonhos perdidos de Rubem Braga, eternizados em páginas de beleza e tristeza avassaladora. Ao falar num desses amores, ele escreveu assim: “Perdida, para sempre perdida, mas tão viva, tão linda, batendo os saltos na cidade da minha memória e da minha saudade”. Sempre quis escrever uma frase como esta de Rubem, o cara que me inspirou a seguir a carreira de escritor barato, mas tenho consciência de que jamais consegui e nem conseguirei. Minha fantasia maior em relação a Rubem, no entanto, seria não iguala-lo, e sim encontra-lo e simplesmente dizer: obrigado por tantos bons momentos que você me proporcionou.

10 Respostas to “A grande dor das coisas que passaram”

  1. Mariana Says:

    Ô Fábio…. olha o pensamento positivo!
    Você escreve tão bem, não se menospreze, ok?
    Beijos, e boa semana!
    Mari

  2. Mah Says:

    A sensibilidade da alma carrega consigo o estigma da insatisfação, não eh mesmo> Enquanto pessoa profunda e observadora a plenitude nunca é alcançada e sim projetada no outro… Falo com conhecimento de causa (rs). E não rasgarei elogios que apesar de sinceros, pareceriam tentativa de consolo (abominável!). Digo apenas: me identifico!
    abraços!

  3. Ana Medeiros Says:

    Um dia quero escrever igual a você!!!

  4. Os três mosqueteiros Says:

    Fábio,

    Você é o cara que fez a gente aprender a ler revista de trás para frente e tirar par ou ímpar para ver quem seria o primeiro a ler. Você é o cara que formou nosso caráter em questões fundamentais. Você é o cara que tornava as noites em terras geladas mais quentes. Você nos proporcionou e ainda proporciona muitos bons momentos…
    Em uma palavra nos diríamos o mesmo para você: Obrigado!

  5. Os três mosqueteiros Says:

    Fábio,

    Você é o cara que fez a gente aprender a ler revista de trás para frente e tirar par ou ímpar para ver quem seria o primeiro a ler. Você é o cara que formou nosso caráter em questões fundamentais. Você é o cara que tornava as noites em terras geladas mais quentes. Você nos proporcionou e ainda proporciona muitos bons momentos…
    Em uma palavra nos diríamos o mesmo para você: Obrigado!

  6. carinhosa sim! Says:

    Você já escreveu (pra mim) coisas tão lindas e sensíveis quanto as que Rubem escreveu para a Tõnia. Foi você quem me apresentou Rubem e me transformou em um mulher exigente…sobretudo com você. O que eu posso fazer?

  7. carinhosa sim! Says:

    Você já escreveu (pra mim) coisas tão lindas e sensíveis quanto as que Rubem escreveu para a Tõnia. Foi você quem me apresentou Rubem e me transformou em um mulher exigente…sobretudo com você. O que eu posso fazer?

  8. Anónimo Says:

    Acho seus textos melhores que o de Rubens Braga!Gosto da forma que você trata a vida cotidiana, dos seus amores, sempre que leio seus textos, acho até que eles foram escrito pensando em mim!

  9. Anónimo Says:

    Acho seus textos melhores que o de Rubens Braga!Gosto da forma que você trata a vida cotidiana, dos seus amores, sempre que leio seus textos, acho até que eles foram escrito pensando em mim!

  10. amanda Says:

    Rubem me encanta e me conforta. assim como muitos de seus escritos.

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