Penny & Ruby

Penny Lane e Ruby Tuesday estavam conversando no Filial. Tinham tomado uma garrafa de vinho. Estavam animadas, barulhentas. E tecnicamente excitadas. Encharcadas como São Paulo depois de uma chuva.

Penny tinha lido uma coisa num livro sobre o islamismo e queria compartilhar com Ruby.

“Sabe a sharia, o código de leis islâmico?”, disse Penny.

“Claro”, respondeu Ruby. Ela não sabia, mas isso não vinha ao caso. Ali tivera a informação necessária. A lei que rege os muçulmanos.

“A sharia diz que um homem deve casar com várias mulheres. Para que nenhuma de nós fique … hmm, sei lá. Encalhada.”

Ruby deu um gritinho de surpresa. Penny também deu um gritinho. Mulheres juntas intercalam palavras e gritinhos, sobretudo quando bebem.

“E então eu pensei …”, disse Penny.

“Hmmm”, disse Ruby.

“Se nós casássemos com o mesmo homem.”

Houve um breve, brevíssimo silêncio para que ambas se concentrassem por um momento nessa hipótese islâmica formulada por Penny.

“Hmmm”, disse Ruby. Era o sinal para Penny ir adiante.

“A gente podia acertar assim, como se fôssemos uma família muçulmana. Ele dormia uma noite comigo. Outra com você. E na terceira dormíamos juntas para que ele descansasse.”

“Deus!”, gritou Ruby.

“Que foi, mulher?”, disse Penny.

“Me ocorreu a seguinte cena”, disse Ruby.” Nós duas grávidas, bem barrigudas. Dormindo juntas. Abraçadas. Uma passando a mão na barriga da outra.”

“Ouvi dizer que grávida ronca”, disse Penny. “Você sabe se é verdade?”

“Claro que sei”, disse Ruby. Ela não sabia, mas para que admitir isso e quebrar a conversa? “É mito. Na verdade a mulher grávida respira melhor à noite porque o bebê estimula seu pulmão. Li na Wikipedia. Nenhuma de nós vai roncar grávida.”

Ruby esticou a mão direita e passou-a suavemente pela barriga plana de Penny. Sentiu o contato do piercing que Penny tinha no umbigo e deteve os dedos ali por alguns momentos, girando-os com maciez.

“Tô te vendo grávida”, disse Ruby. “Nossa, você vai ficar linda!”

“Você também”, disse Penny. E repetiu o movimento da amiga. Passou delicadamente os dedos pela sua barriga. Por um segundo imaginou que uma nova vida estivesse brotando ali.

“E nosso homem?”, disse Penny.

“Que importa nosso homem?”

E então encomendaram mais uma garrafa de vinho ao garçom amigo, que as servia como princesas mesmo sem receber gorjetas – tamanha não a amizade, mas o desejo doído, silencioso, túrgido que sentia pelas duas.

3 Respostas para “Penny & Ruby”

  1. Penny Lane Diz:

    Parece que Sgt Pepper está querendo formar uma banda, ou um harém.

  2. Nina Diz:

    ahahah Adoro o pseudonimo das moçoilas…O meu também costumava ser Ruby Tuesday e as vezes também Angie.

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